Sugestão do mês (fevereiro) – The Marvelous Mrs. Maisel
| 01 Fev, 2022

The Marvelous Mrs. Maisel é uma comédia dramática com o charme típico das décadas de 1950-60, cuja 4.ª temporada irá estrear já no próximo dia 18 de fevereiro, na Prime Video. Como tal, temos a desculpa perfeita para a eleger como a sugestão do Séries da TV para este mês. À primeira vista parece mais uma sitcom liderada por uma protagonista com uma atitude happy go lucky, mas não te deixes enganar.

Uma dona de casa entra num bar… e sai de lá comediante

What if I wasn’t supposed to be a mother? What if I picked the wrong profession?

Galardoada com 20 Emmys, a surpreendente narrativa de The Marvelous Mrs. Maisel vem da mente da criadora de Gilmore Girls, Amy Sherman-Palladino, e é graças à bela prestação da atriz Rachel Brosnahan que Miriam “Midge” Maisel rapidamente cativa os espectadores. Presente em quase todas as cenas, esta nova-iorquina tem tudo o que sempre desejou: nasceu num “berço de ouro”, casou com o homem perfeito, é mãe de dois filhos e vive num elegante apartamento localizado no bairro nobre de Upper West Side. No entanto, tudo muda quando descobre que afinal a sua vida não é o “conto de fadas” que imaginou. Contudo, possui um talento escondido para fazer stand-up comedy e decide trocar a sua vida confortável no Riverside Drive pela ousadia da noite nos bares de Greenwich Village.

Midge, que sempre pensou que estava destinada a ser nada mais nada menos do que a mãe e esposa troféu, de repente vê-se perante a oportunidade de abraçar outra parte da sua personalidade, descobrindo que pode ser a protagonista e contadora da sua própria história de vida. Ao tentar lidar com a volta de 180º que a sua vida vai dar – especialmente após uma descoberta chocante -, a dona de casa exemplar encontra uma nova paixão por mero acaso. Inesperadamente, este talento inegável para despertar o riso nos outros (desabafando sobre ter sido deixada por outra) será o foco da história da personagem. Em simultâneo, trata-se ainda do ponto de partida para a abordagem de diversos assuntos dados como controversos na época em questão.

O príncipe desencantado e a fã #1 

Joel Maisel (Michael Zegen) personifica uma sensação de desencanto: está infeliz com o seu insucesso como comediante e não arranja inspiração para criar um conteúdo próprio que o distinga da concorrência. Preso a um trabalho das 9 às 5 que conseguiu graças ao pai, também ele quer voar. Embora seja a esposa de sonho, Midge não se apercebe da intensidade com que Joel quer tornar-se uma celebridade; esta obsessão define o seu caráter, sendo um assunto que transcende o bem-estar da família.

Descrever Susie Myerson (Alex Borstein) como uma agente dedicada é pouco. Não só analisa com Midge algumas das atuações dos nomes sonantes da cena de stand-up, desencorajando a tentação do plágio, como oferece críticas construtivas. Mesmo que não esteja com os chamados “paninhos quentes”, optando por ser frontal, Myerson revela-se uma peça fulcral para o sucesso de Midge. Longe de ser um “livro aberto”, conquista facilmente o espectador seja pelas suas one-liners memoráveis, uma indumentária que pode ou não estar limpa – contrastando com os vestidos imaculados da agora comediante em ascensão -, ou mau feitio característico. É caso para afirmar: primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Os críticos ou haters difíceis de convencer (que compõem a esfera íntima da artista)

Abe (Tony Shalhoub) e Rose (Marin Hinkle) são os pais de Midge e, apesar de adorarem a filha e terem momentos hilariantes, não são propriamente os maiores fãs da sua nova vocação. Conservadores por natureza e chocados com a separação de Joel e Midge, tentam influenciar a jovem de 26 anos a perdoar o marido com o argumento de que ela não pode ser mãe solteira. É nestes momentos que a heroína da história mostra ainda mais a sua coragem, força e ambição, querendo continuar a explorar o seu talento, independentemente de ter o apoio da família. Até porque, verdade seja dita, mesmo que os seus pais não aprovem, os aplausos que Midge recebe e todo o encorajamento de Susie são provas suficientes para esta não desperdiçar a sua capacidade de provocar gargalhadas. The show must go on!

It’s a One-Woman Show desde a sua génese

Segundo a criadora da série, está subjacente a noção de que o futuro é feminino. Embora Sherman-Palladino tenha regressado às memórias de infância que guardava do seu pai, também ele um comediante de stand-up na cidade que nunca dorme, desta vez Nova Iorque serve de pano de fundo para o processo de emancipação de uma mulher. Era importante “fazer uma história sobre uma protagonista que achou que nunca iria singrar… Tinha conseguido tudo, e depois, tudo se desmorona. E ao desfazer-se, ela descobre uma ambição e uma necessidade de falar, e uma voz que, francamente, não sabia que estava lá”. Midge está predestinada a atingir o sucesso, sendo o casamento idílico com Joel “um mero preâmbulo para” o seu “destino final”. Há independência, carisma, irreverência, singularidade e vontade de crescer para lá das regras domésticas a seguir.

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