Precisamos de Falar Sobre… Station 19
| 10 Jun, 2024

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De vez em quando, deparamo-nos com uma série que se torna especial de uma forma como muito poucas conseguem ser. Durante muitos anos, Grey’s Anatomy foi ‘a’ minha série especial. Várias outras como Once Upon a Time, Orange Is the New Black, Fleabag, Sons of Anarchy ou Ted Lasso atingiram um estatuto elevado como minhas preferidas, mas Station 19 marcou-me como nenhuma série o tinha feito desde One Tree Hill, há uns bons dez anos. Station 19 tornou-se ‘a tal’.

Não senti o menor interesse pela série quando foi anunciada nem quando estreou, porque o meu cansaço em relação a Grey’s vinha a intensificar-se há anos e não me fazia antever nada de bom acerca do spin-off. No entanto, quis o acaso que me deparasse no YouTube com vídeos do casal principal da série e como resistir à Maya e à Carina? Comecei a ficar seriamente com vontade de ver Station 19 e as pressões externas de duas amigas foram apenas o incentivo de que eu precisava para levar a cabo uma decisão que já estava praticamente tomada. Em algumas semanas vi as primeiras seis temporadas no Disney+, a tempo de ainda acompanhar o lançamento semanal dos episódios da 7.ª e última temporada. E foi tão mais do que aquilo de que estava à espera, até porque sinto que me fez refletir a um nível pessoal e que me ensinou muito sob uma perspetiva emocional.

Sendo um procedural, Station 19 não apresenta propriamente um formato original. No entanto, consegue proporcionar uma experiência fresca, com missões e resgates empolgantes – em especial nas primeiras temporadas – e variados que nos mostram os vários tipos de cenários com que os bombeiros se deparam no exercício da profissão. O facto de nunca ter visto nenhuma série de bombeiros ajudou certamente a sentir este fator de novidade, mas foi na medida em que os elementos da Station 19 – um quartel com um certo estatuto icónico em Seattle – se relacionam que a série começou genuinamente a mexer comigo. Andy, Maya, Vic, Travis, Jack, Ben e Dean não são apenas pessoas que trabalham juntas, não são apenas amigos, são uma verdadeira família. São a prova de que a família podem ser as pessoas que escolhemos e não uma obra do acaso biológico.

Muito cedo, logo no início da 1.ª temporada, afeiçoei-me também imenso às personagens, o que é sempre determinante para que uma série se torne marcante para mim a longo prazo. Maya destacou-se desde o primeiro episódio e com características como a lealdade para com a família que escolheu, o sentido de humor, a vulnerabilidade, nalguns momentos, e a força, noutros, atingiu o estatuto de minha pessoa fictícia preferida (Callie Torres, Brooke Davis e Regina Mills, perdoem-me!). O que, ainda assim, não a livrou de me fazer zangar imensas vezes, mas Maya vive uma jornada fascinante de altos e baixos brilhantemente interpretada por Danielle Savre. Já não me lembrava (mais uma vez, teria de voltar a recuar vários anos) de como era preocupar-me tanto com uma personagem.

Vinda de Grey’s Anatomy, Stefania Spampinato chega a Station 19, para ficar, na 3.ª temporada e eis que Maya e Carina rapidamente se tornam o meu casal preferido do mundo das séries. Não o mais saudável, porque Maya consegue ser incrivelmente frustrante, a tal ponto que se torna impossível não pensar, por vezes, que Carina merecia melhor. No entanto, nas séries há esta capacidade de nos fazer torcer pelo crescimento das personagens e que atinjam o seu potencial máximo como pessoas. O argumento tem uma grande responsabilidade nesse sentido, mas a verdade é que a química de Savre e Spampinato é para além de incrível. Sou suspeita para dizer isto, mas acho mesmo que Danielle e Stefania são as estrelas maiores de Station 19, com interpretações que provam o quão extraordinárias são como atrizes e que passam para este lado do ecrã todas as emoções que é suposto sentirmos.

A série tem ainda o mérito de abordar temas relevantes que se encaixam quase sempre de forma natural na narrativa e sem que pareça que se trata de uma agenda política. É claro que qualquer obra de ficção acaba por refletir a visão daqueles que a criaram, não há como o negar. No entanto, a forma como se introduz e se trata determinados temas faz toda a diferença na hora de contar uma história. Mais uma vez, Station 19 sai-se bem neste departamento e foram muitos os temas importantes abordados ao longo das sete temporadas, com destaque para a saúde mental, o racismo, a violência sexual, a parentalidade tóxica, a homofobia. Podia falar de cada um deles de forma detalhada, mas isso resultaria em spoilers desnecessários para quem não viu a série, por isso digo apenas que cada um destes temas foi devidamente explorado, em detrimento da tão típica abordagem ao longo de um episódio para depois ser varrido para debaixo do tapete.

Acho que nunca me vou cansar de voltar ao YouTube, o sítio onde a minha jornada de Station 19 começou, para rever estas personagens, nos bons e nos maus momentos. O núcleo principal unido quando um deles está a passar por algo complicado, as cenas divertidas em que se juntam todos para comer, as picardias que se assemelham muito às relações entre irmãos. Vic e Travis a serem as pessoas preferidas um do outro, Andy e Maya a serem as melhores ou as piores amigas, Ben a ser o “pai” do quartel, Maya e Jack a implicarem, Carina a ter lágrima fácil e a personalidade (mau feitio incluído) mais adorável de sempre, Natasha a ser badass como tudo e a ajudar a mostrar um novo lado de Sullivan, Beckett a ser uma pessoa muito melhor do que aquilo que parecia ao início.

Se só daqui a dez anos tiver a sorte de me deparar com outra série que represente para mim o mesmo que Station 19 não faz mal. As coisas verdadeiramente especiais não acontecem muitas vezes na vida.

Podes acompanhar a temporada final de Station 19 na STAR Life, a partir de 19 de junho, com emissões às quartas, às 22h20.

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