O Dia Mundial da Música celebra-se na próxima semana, a 1 de outubro, e aqui no Séries da Tv não queríamos deixar passar a data sem lhe prestar a devida homenagem. Já o fizemos antes, em mais do que uma ou duas vezes, mas é um tema que dá sempre bastante pano para mangas, porque não faltam grandes momentos musicais nas nossas séries. Alguns são covers de músicas conhecidas, há homenagens a filmes, boas vozes e alguma dança à mistura. Descobre então alguns momentos que me conquistaram:

AJ e Robert inspiram-se em Grease para dar um espetáculo – 01×06 – (AJ and the Queen): Ora, eu odeio o Grease! Na generalidade, nem sequer sou muito fã de musicais, mas esta versão de You’re the One That I Want é muito gira. Primeiro, porque temos uma menina a fazer o papel de protagonista masculino, um menino a fazer um papel feminino e um homem como protagonista feminina. É uma representação e quando se representa pode-se ser quem se quer, mas creio que a mensagem vai além disso e que se prende com o romper de certos estereótipos que nos condicionam desde crianças. No que ao espetáculo diz respeito, AJ tem uma vozinha adorável e Robert é poderoso, tem uma presença forte que contagia o público. Apesar do amadorismo da maioria dos envolvidos, os figurinos são bastante bons. Todos se estão a divertir e a verdade é que é isso que interessa.

Mary e Edith juntam-se para uma versão de If You Were the Only Girl In the World – 02×04 – (Downton Abbey): “Agora já vi de tudo!”. Nada melhor do que esta frase de Violet para descrever a raridade que todos sabemos ser o facto de Mary e Edith se juntarem para o que quer que seja. Edith sai-se muito bem ao piano e Mary tem uma voz de anjo que encanta os membros da plateia. Acho especialmente comovente o encanto que se apodera de um bonito jovem soldado ferido. A plateia, aliás, não demora muito até se juntar a cantar, sendo que Violet parece a única relutante em fazê-lo. É um bonito momento de união entre todos numa época terrível de guerra, a primeira de duas grandes a que aquele século assistiria. A chegada de Matthew distraiu-nos a todos da parte musical, mas é um momento tão puro! A felicidade dos Crawley, com destaque para Robert, em ver que ele está bem… E Mary, que está claramente a fazer uso de todas as suas forças para se manter contida e não lhe saltar imediatamente para os braços… If You Were the Only Girl In the World foi uma música de muito sucesso no seu tempo, na altura da Primeira Guerra Mundial, tanto em zonas de guerra como em lugares longe do conflito.

 

Letty atua num show drag – 02×05 – (Good Behavior): Pois é, temos Michelle Dockery em dose dupla, embora aqui num registo completamente do de Downton Abbey. A sério, isto é delicioso de várias formas! É daquelas coisas a que se assiste com um sorriso parvo na cara! Trata-se de Letty, é certo, mas Michelle passou muitos anos a dar vida a Mary Crawley e uma atriz – mesmo talentosa como ela é – não se consegue descolar imediatamente do papel que a transportou para a fama. Já não me recordo do contexto desta cena, por isso apreciemos simplesmente o que está a acontecer. As queens que estão fora do palco não estão nada satisfeitas em ver ali Letty, mas é claro que, a determinada altura, até elas estão a gostar daquilo que estão a ver, mesmo que não estivessem dispostas a admiti-lo. Letty dança, diverte-se ao som da música e isso nota-se e contagia o público. Só gostava que ela também tivesse cantado um bocadinho. Esta série é uma pérola que mais pessoas deviam conhecer. 
Ricky, Lulu e Damon juntam-se a Judy numa interpretação de Sometimes It Snows In April – 02×06 – (Pose): Esta é uma daquelas séries destinadas a dar cabo de uma pessoa em termos emocionais. É tão triste, mas também recheada de momentos bonitos! Esta cena enquadra-se nas duas categorias! Os personagens estão a passar por momentos difíceis, como estão tão frequentemente, mas, mais uma vez, é no seio da comunidade que sobrevivem às adversidades. Judy, juntamente com Ricky, Lulu e Damon, canta para aqueles que estão internados no hospital, a lutar contra a SIDA, e para todos os que se lhes quiseram juntar. Não fazia ideia que Sandra Bernhard tivesse uma voz tão boa, mas depois descobri que é cantora profissional, com vários álbuns lançados. A música original é de Prince, mas esta versão não lhe fica nada atrás, muito pelo contrário.

Barry a cantar Bohemian Rhapsody – 06×07 – (The Goldbergs): Este foi o dia em que Barry Goldberg transformou a épica Bohemian Rhapsody em Bohemian Rap City. Digam o que disserem, esta versão não fica a dever nada à original. As rimas de Barry são dope. A sério, que alguém ofereça um contrato discográfico a este rapaz! “With the power of karate” é muito bom! Há outras pérolas igualmente boas durante a parte inventada por Barry e confesso que ouvi isto mais de cinco vezes seguidas e não consegui deixar de achar hilariante. É, sem qualquer espécie de dúvida, uma das melhores cenas de The Goldbergs. E enquanto muitos podem encarar isto como um arruinar de um dos maiores sucessos dos Queen, a verdade é que Lainie tem uma voz muito bonita e faz uma belíssima cover. Música é arte, mas é também entretenimento. Lainie dá conta da arte e Barry é o palhaço de serviço a fazer o que faz melhor: deixar-nos com vergonha alheia. Mas, sem brincadeiras, é de chorar a rir e, afinal, trata-se de uma série de comédia e não de um musical.


Sabine interpreta King of Shadows – 01×06 – (Trinkets): Antes de Trinkets, não conhecia Kat Cunning, responsável por dar vida a Sabine. No entanto, fiquei a gostar. Tem uma voz muito bonita e uma presença cativante. Consigo perceber perfeitamente a atração de Elodie por ela. Sabine faz-me lembrar uma jovem Hilarie Burton, mas mais sexy. Não há muito mais que se possa dizer acerca do momento que não seja: vejam e, sobretudo, ouçam!

Diana Sampaio