Chegámos à fall season de 2020, o início da época mais concorrida do mundo das séries. Noutros anos, esta seria a temporada com a maior seleção de novas apostas para acompanhar, mas a pandemia atual veio estragar os planos de toda a gente. Felizmente, algumas séries conseguiram sobreviver e, por isso, aqui seguem as novas séries que não vamos perder nesta fall season de 2020.

Raised by Wolves – Estreia a 3 de setembro

Sinopse: A série acompanha dois robôs androides, num planeta misterioso, com a missão de reconstruir uma colónia de humanos e com a responsabilidade de os proteger a qualquer custo. Com a colónia em crescimento, as diferentes crenças religiosas vão despontando, trazendo problemas sociais, e os androides depressa percebem que controlar as mentalidades humanas não é uma tarefa fácil.

Porque queremos ver: Esta é uma estreia que qualquer amante de pura ficção científica não vai querer perder. Da mesma mente de filmes como Alien, Blade Runner e The Martian, Raised By Wolves apresenta Ridley Scott de regresso à realização de uma série televisiva, coisa que não fazia desde os anos 60. Com uma premissa interessante e com base no trailer, a série promete bastante suspense e ação, com muita ficção científica à mistura e o eterno dilema interessante: religião vs. ciência. Por fim, a série vai poder ser vista por cá na HBO Portugal, que felizmente tem acolhido as séries originais da HBO Max.

Woke – Estreia a 9 de setembro

Sinopse: A série é uma comédia que mistura live-action com sequências de animação, centrando-se em Keef Knight, um artista de banda desenhada afro-americano que vive em São Francisco e que se encontra muito perto de obter sucesso, até que um incidente violento com a polícia lhe altera a vida por completo.

Porque queremos ver: Esta série não podia ser mais atual e imprescindível. Mesmo sendo apresentada como uma comédia, Woke aborda um tema bastante importante, o racismo, nomeadamente, o racismo existente na polícia dos Estados Unidos da América. Nunca é de mais abrir os olhos para as injustiças e crueldades que pessoas negras passam às mãos da polícia (e não só). É muito fácil para alguém privilegiado ignorar situações de racismo e fingir que não existem, não só nos E.U.A., mas em todo o mundo. Na série, o ator de New Girl, Lamorne Morris, interpreta o personagem principal, cuja vida é ligeiramente inspirada em situações vividas pelo talentoso artista de banda desenhada, Keith Knight (também o criador da série). Tal como se pode ver no trailer, a série também introduz pequenas animações como resultado do evento traumático de que o protagonista é vítima, dando o tal toque de comédia.

ratched

Ratched – Estreia a 18 de setembro

Sinopse: O drama conta a história de uma das vilãs mais míticas do cinema, a diabólica enfermeira Ratched do filme One Flew Over the Cuckoo’s Nest, de 1975. A série acompanha uma enfermeira Ratched mais nova, durante o ano de 1947, na sua jornada e progressão como assassina, através do sistema de saúde mental, antes de se transformar no monstro já conhecido.

Porque queremos ver: Sarah Paulson no seu elemento natural, as séries de terror, seria um motivo mais do que suficiente para querermos que já fosse dia 18 de setembro, principalmente porque Ratched tem em Ryan Murphy um dos criadores. Que melhor dupla poderíamos esperar numa série deste género? A julgar pelo trailer, que é absolutamente delicioso de uma forma creepy, mas também algo divertida, esta série tem tudo para ser uma das melhores estreias deste outono e, quem sabe até, do ano. Outra boa notícia é que, sendo da Netflix, poderemos fazer maratona da temporada. Ratched parece ser daquelas séries em que queremos ver tudo de uma assentada!

the comey rule

The Comey Rule – Estreia a 27 de setembro

Sinopse: A minissérie é baseada no bestseller A Higher Loyalty: Truth, Lies and Leadership, do ex-diretor do FBI, James Comey. Ao serviço entre 2013 e 2017, James Comey esteve envolvido em alguns dos casos da política mais importantes dos últimos anos, desde as mudanças políticas do governo de George W. Bush sobre tortura e vigilância eletrónica, passando pela investigação aos e-mails de Hillary Clinton, até aos possíveis laços da campanha de Donald Trump com a Rússia.

Porque queremos ver: Em ano de eleições presidenciais americanas, The Comey Rule parece uma nova aposta incontornável para quem se interessa por questões políticas e com o destino de um país que tanto influencia o que se passa no resto do mundo. Com apenas dois episódios, esta série traz-nos Jeff Daniels, que deslumbrou em The Newsroom, e Brendan Gleeson de Mr. Mercedes e certamente fará muitas críticas à presidência de Donald Trump, que é algo que vale sempre a pena. Vamos torcer para que este seja o ano em que Trump abandona a Casa Branca, porque o mundo não precisa de mais quatro anos disto.

the right stuff

The Right Stuff – Estreia a 9 de outubro

Sinopse: Adaptada do livro homónimo de Tom Wolfe, The Right Stuff apresenta um olhar arrojado e anti-nostálgico sobre o que seria o primeiro reality show dos Estados Unidos da América, onde os obsessivos astronautas da Mercury Seven e as suas famílias se tornaram celebridades numa competição para ver quem será o primeiro homem no espaço. Uma competição que os pode matar ou imortalizar.

Porque queremos ver: Mais uma série que trará uma certa componente histórica, mas que prima pela diferença com esta abordagem do fenómeno da corrida espacial como um reality show que celebrizou os astronautas e outros envolvidos. Numa altura em que, nos Estados Unidos, a população negra lutava pelos seus direitos, a generalidade dos americanos deixou-se apaixonar pelo sonho da chegada do Homem à Lua, numa disputa com a União Soviética. Será interessante ver este lado mais ‘glamouroso’ dos acontecimentos em oposição a tudo o resto que se passa no país. O elenco traz-nos, entre outros, Patrick J. Adams de Suits, Colin O’Donoghue de Once Upon a Time e James Lafferty de One Tree Hill, caras que já sentíamos saudades de ver no ecrã.

helstrom

Helstrom – Estreia a 16 de outubro

Sinopse: Inspirada nas personagens do universo da Marvel, Helstrom explora a complicada dinâmica dos irmãos Daimon e Ana Helstrom, filhos de um misterioso e poderoso assassino em série e cuja mãe Victoria se encontra institucionalizada devido a demónios.

Porque queremos ver: Depois de todas as séries da Marvel terem sido canceladas ou terem terminado, e antes de aparecerem as do Disney+, a Hulu vai presentear-nos com Helstrom. A série mistura ação, drama familiar e terror, apresentando uma história independente do restante MCU, o que é um ponto bastante positivo para quem não acompanha os filmes. Outra vantagem é o facto de ser uma série mais adulta que as duas últimas da Hulu, Cloak & Dagger e Runaways, o que pode ser um presságio de um melhor futuro para esta. Para além disso, o elenco principal inclui nomes como Tom Austen (de The Royals), Sydney Lemmon (de Succession) e Elizabeth Marvel (de Homeland).

la révolution

La Révolution – Estreia a 16 outubro

Sinopse: La Révolution é uma série francesa que reimagina parte da história da Revolução Francesa, contada na perspetiva de Joseph Guillotin. A série passa-se dois anos antes da revolução e dá a conhecer a vida do médico, ao mesmo tempo que reimagina o papel que ele teve nos eventos históricos do país, onde Joseph encontra um vírus desconhecido: o sangue azul.

Porque queremos ver: Ter um fraquinho por séries francesas é um motivo tão legítimo como outro qualquer para querer ver uma coisa nova e o que é certo é que as produções de terras de De Gaulle costumam primar pela qualidade. Pegar num dos períodos mais marcantes da História francesa, a Revolução Francesa, e aliar a isso uma componente de ficção promete algo de diferenciador no mundo das séries. É claro que já todos estamos um bocado cansados de lidar com vírus, mas os das séries não nos fazem mal e só nos ‘obrigam’ a ficar em casa se os episódios forem mesmo viciantes e não conseguirmos parar até vermos tudo até ao fim.

the undoing

The Undoing – Estreia a 25 de outubro

Sinopse: A série é um thriller psicológico que acompanha a vida perfeita de Grace, uma terapeuta de sucesso com um marido que a adora e um filho que estuda num colégio de prestígio em Nova Iorque. De repente, a vida de sonho de Grace torna-se num pesadelo e ameaça assumir as proporções de escândalo público.

Porque queremos ver: Para começar, esta série tem como criador David E. Kelley, a mente por detrás da extraordinária Big Little Lies. Em comum com o anterior sucesso da HBO, este thriller tem Nicole Kidman como uma das protagonistas e Bruna Papandrea como produtora executiva. O elenco tem ainda alguns nomes sonantes como Hugh Grant, Donald Sutherland e Lily Rabe, mas são os vídeos já divulgados a mostrar que esta pode ser mesmo a nova aposta sensação do famoso canal. Como minissérie, está garantido um início, meio e fim, o que é sempre mais do que positivo num mundo de cancelamentos cada vez mais precoces.

Big Sky – Estreia a 17 de novembro

Sinopse: A série conta a história de uma detetive privada que se junta a uma ex-polícia para procurar duas irmãs que foram raptadas por um camionista numa estrada distante do Montana. Quando descobrem que afinal essas raparigas não foram as únicas a desaparecer na zona, as duas entram numa corrida contra o tempo para encontrar o suposto assassino antes que outra mulher seja apanhada.

Porque queremos ver: As séries de investigação estão longe de ser uma novidade, mas esta não seguirá a fórmula da maioria com um caso por episódio, o que significa que a história a ser contada terá possibilidades de ser aprofundada de uma forma diferente. O criador de Big Sky, David E. Kelley, aliado à dupla principal, constituída por Katheryn Winnick, que adorámos ver em Vikings, e Kylie Bunbury, que se destacou em Pitch, faz-nos ter as expectativas em alta. As duas protagonistas prometem trazer muito girl power a uma série com uma premissa interessante e que tem tudo para ser uma das melhores apostas deste ano dos canais públicos americanos.

The Stand – Estreia a 17 de dezembro

Sinopse: A minissérie decorre num mundo dizimado por uma doença e envolto numa luta elementar entre o bem e o mal. O destino da humanidade recai nos frágeis ombros de Mother Abagail, com 108 anos, e num grupo de sobreviventes. Contudo, os seus piores pesadelos recaem sobre um homem com um sorriso letal e poderes indescritíveis.

Porque queremos ver: Adaptada do livro apocalíptico de Stephen King e criada por Ben Cavell (SEAL Team) e Josh Boone (The New Mutants), a minissérie, com argumento de King, tem um final diferente do livro, esclarecendo as dúvidas que ficam por explicar. Imaginar um mundo apocalíptico já é uma ideia assustadora só por si, por isso vai ser interessante ver a visão de King a elevar o medo para um novo patamar. Boone e King passaram tantos anos juntos a tentar adaptar o livro para cinema ou televisão que se tornaram amigos e agora, que finalmente conseguiram, acertaram em cheio no meio do nosso cenário viral pandémico, mas descansem, que as semelhanças ficam apenas na existência de um vírus. Apesar de o livro ter sido sempre considerado difícil de adaptar, com o apoio da CBS All Access e um elenco de luxo que inclui James Marsden, Amber Heard, Whoopi Goldberg, Heather Graham e Alexander Skarsgård, a minissérie tem tudo para ser uma adaptação digna.

Nota: The Good Lord Bird não foi incluída neste artigo por figurar na lista de Séries do Verão, antes de a sua data de estreia ter sido alterada.

Ana Velosa e Diana Sampaio