Terminando a mid-season, chegamos à época do verão! No mundo das séries, a quantidade de estreias desta época é consideravelmente mais reduzida e este ano ainda será mais devido à pandemia atual que deixou as produções de várias séries paradas. No entanto, aqui ficam algumas novas apostas que não vamos perder enquanto esperamos pela Fall Season.

I May Destroy You – Estreia a 7 de junho (HBO/BBC)

Sinopse: a série explora a compreensão da sociedade moderna na questão do consentimento sexual e como é que, no novo panorama das relações, se consegue fazer a distinção entre libertação e exploração.

Porque queremos ver: Os temas da agressão sexual e do consentimento continuam tão relevantes como sempre deviam ter sido e ter cada vez mais séries a contar este tipo de histórias é importante para manter a discussão em aberto. Com um trailer que realmente prende a atenção e que nos faz desejar que já fosse dia 7, esta série tem ainda o selo de qualidade de dois grandes canais televisivos: a BBC e a HBO. I May Destroy You foi criada por Michaela Coel, que será também a protagonista e que já tinha dado cartas em Chewing Gum.

The Head – Estreia a 12 de junho (HBO Asia)

Sinopse: a série acompanha os eventos numa estação internacional de investigação na Antártida, depois de a equipa dos longos seis meses sem sol aparecer quase toda morta.

Porque queremos ver: Imaginar uma série passada no frio extremo da Antártida pode parecer desenquadrada num artigo de séries de verão. Contudo, tudo indica que esta será uma mais valia para uma época de escassez de séries. Filmada num estúdio em Tenerife e na Islândia (cenas exteriores), The Head é um thriller de terror dos mesmos criadores de Incorporated, produzida pela HBO asiática em parceria com a Hulu japonesa, e conta com um elenco internacional, com o destaque óbvio para Álvaro Morte, el Professor de La Casa de Papel. A premissa da série faz lembrar o filme clássico The Thing (o original de John Carpenter que mais tarde teve um remake em 2011) e se isto não for o suficiente para aliciar qualquer fã deste género, o trailer deve ajudar.

Crossing Swords – Estreia a 12 de junho (Hulu)

Sinopse: a série de animação centra-se em Patrick, um jovem camponês de bom coração que consegue ser escudeiro no castelo real. Contudo, o seu trabalho de sonho torna-se num pesadelo quando descobre que o seu querido reino é liderado por corruptos, aldrabões e monarcas depravados.

Porque queremos ver: Para quem aprecia séries de animação, deverá querer espreitar esta comédia para adultos da Hulu, que tem a particularidade de ser stop motion (uma técnica de animação criada com modelos reais e miniaturas, em oposição aos desenhos animados que estamos mais habituados a ver). Nicholas Hoult dá a voz à personagem principal e Crossing Swords conta com dois dos criadores da famosa série Robot Chicken.

Love, Victor – Estreia a 19 de junho (Hulu)

Sinopse: a série é uma sequela do filme Love, Simon centrada em Victor, um novo aluno do liceu Creekwood, numa jornada de auto-descoberta, enfrentando desafios em casa, adaptando-se a uma nova cidade e debatendo-se com a sua sexualidade. Quando tudo parece ser demais, Victor procura em Simon a ajuda para ultrapassar os altos e baixos da vida de um adolescente.

Porque queremos ver: Sexy, levezinha e divertida é o que podemos depreender que Love, Victor vai ser pelo trailer. No entanto, a série promete mais do que isso, pondo em cima da mesa questões de sexualidade e trazendo-nos de volta o delicioso universo young adult que Love, Simon e o livro que o inspirou já nos deram a conhecer. Com Nick Robinson como narrador da série e Sophia Bush confirmada no elenco, as razões para querermos ver aumentam, ainda para mais porque Love, Victor tem como casa a Hulu, que nos últimos anos nos trouxe grandes apostas.

Perry Mason – Estreia a 21 de junho (HBO)

Sinopse: a minissérie que decorre em Los Angeles, no ano de 1932, retrata as origens da personagem de ficção americana que lhe lhe dá nome no campo da advocacia criminal. Quando o caso mais mediático da década lhe bate à porta, a perseguição implacável de Mason pela verdade revela uma cidade fraturada e, possivelmente, um caminho para a sua própria redenção.

Porque queremos ver: Não é a primeira vez que a história de Perry Mason é adaptada ao pequeno ecrã. Aliás, já existem filmes e várias séries sobre o famoso advogado fictício. Apesar disso, esta adaptação da HBO em formato de minissérie é baseada nos livros escritos por Erle Stanley Gardner e tem tudo para ser uma boa aposta. O grande ponto a seu favor é, sem dúvida, o elenco liderado por Matthew Rhys, no seu primeiro grande papel depois do final de The Americans, e ainda nomes como Tatiana Maslany (de Orphan Black) e John Lithgow, mais conhecido por 3rd Rock from the Sun.

Brave New World – Estreia a 15 de julho (Peacock)

Sinopse: a série imagina uma sociedade utópica que conseguiu alcançar paz e estabilidade através da proibição da monogamia, privacidade, dinheiro, família e até mesmo da História. Os cidadãos de Nova Londres apenas conhecem esta ordem social rígida, até que um grupo de curiosos decide explorar a vida exterior.

Porque queremos ver: Adaptada do livro inovador de 1932, Brave New World é uma série para os amantes de ficção científica e mundos distópicos que chega com o lançamento do novo serviço de streaming, Peacock (para já apenas disponível nos E.U.A.). O elenco principal de luxo, incluindo nomes como Alden Ehrenreich, Jessica Brown Findlay, Demi Moore, Joseph Morgan, Harry Lloyd e Kylie Bunbury, também é um grande incentivo para ver esta série. Adicionalmente, será interessante ver as pessoas desta comunidade utópica a perceberem que afinal o mundo em que vivem não é uma utopia e as consequências a que essa descoberta vão dar origem.

Cursed – Estreia a 17 de julho (Netflix)

Sinopse: a série conta a história de Nimue, uma jovem com um dom misterioso e que está destinada a tornar-se na poderosa Lady of the Lake da famosa lenda do Rei Artur. Após a morte da mãe, Nimue junta-se a Arthur, um jovem mercenário com a missão de entregar uma espada ancestral a Merlin.

Porque queremos ver: Baseada no livro de Tom Wheeler ilustrado por Frank Miller, Cursed é (talvez) a estreia mais aguardada da Netflix para este verão. Katherine Langford, que já mostrou o seu valor como atriz em 13 Reasons Why, tem aqui o merecido papel de protagonista. Para além disso, quem gosta de histórias relacionadas com a lenda do Rei Artur, Merlin e a famosa Excalibur, terá aqui uma boa série de fantasia para se entreter nesta época sazonal.

The Good Lord Bird – Estreia a 9 de agosto (Showtime) [estreia adiada para 4 de outubro]

Sinopse: Baseada no livro de James McBride, a minissérie conta a história de Henry Shackleford quando se junta a um defensor do fim da escravatura, John Brown, durante o período pré-Guerra Civil Americana e se depara com figuras históricas como Frederick Douglass e Harriet Tubman.

Porque queremos ver: O tema da escravatura está muito presente na História dos Estados Unidos, mas diz respeito a todos enquanto humanidade, até porque continua a haver muitas pessoas privadas da sua liberdade. Com um tema que certamente apelará às emoções, The Good Lord Bird irá servir-se de um ponto de partida fictício para contar uma parte importante da História americana que abriu espaço para a liberdade e surgimento dos direitos dos cidadãos negros. Ethan Hawke, conhecido ator de Hollywood, é um dos principais rostos já anunciados no elenco desta aposta da Showtime, que já nos habituou a umas quantas boas séries.

The Falcon and the Winter Soldier – Estreia prevista para agosto (Disney+)
[estreia adiada por tempo indeterminado]

Sinopse: A série acompanha Sam Wilson/Falcon e Bucky Barnes/Winter Soldier depois de Steve Rogers ter confiado em Sam o seu escudo e legado, após os acontecimentos do filme Avengers: Endgame. Os heróis terão uma aventura global que irá testar não só as suas capacidades, como a relação entre eles.

Porque queremos ver: Com todo o atraso nas produções, os filmes e séries pensados para dar continuidade ao Universo sofreram/sofrerão alterações. The Falcon and the Winter Soldier será então o segundo vislumbre ao MCU após os acontecimentos de Endgame (depois de Spiderman: Far From Home). O facto de ser uma minissérie de seis episódios não permite que enrole muito em termos de enredo. Além da animosidade entre o par de protagonistas, que de certeza dará frutos humorísticos, será também uma série cheia de ação. A série conta ainda com o regresso de Emily VanCamp no papel de Sharon Carter. É verdade que Helmut Zemo (Daniel Brühl), o vilão, foi o ponto mais fraco de Captain America: Civil War, mas o formato televisivo permite uma maior exploração da personagem e, quem sabe, nos surpreenda. O mesmo se aplica a Sam (Anthony Mackie) e Bucky (Sebastian Stan), que sempre tiveram um papel secundário e têm aqui uma oportunidade de brilhar. Depois das séries da Marvel na Netflix, estamos muito curiosos em ver de que maneira a Disney+ irá interligar as séries e os filmes. Se será uma sinergia verdadeira com reais consequências no mundo cinematográfico, como Kevin Feige prometeu, ou tratadas novamente como produto de segunda categoria. Agora a Disney joga completamente “em casa” e não tem desculpas para falhar.

Ana Velosa, Diana Sampaio e Vítor Rodrigues