Estreou hoje na Netflix a nova minissérie espanhola O Mapa dos Desejos (El Mapa de los Anhelos) e este primeiro episódio é daqueles que nem aquece nem arrefece. Cumpre aquilo a que se propõe, mas dificilmente ficará na memória.
A premissa é bastante familiar. É o típico drama que antigamente encontrávamos num domingo à tarde, quando ainda havia filmes na televisão e as plataformas de streaming não faziam parte da nossa rotina. Um acontecimento trágico dá início a uma jornada de superação, uma fórmula que já vimos vezes sem conta. Desta vez, o motor da história é um mapa de desejos, mas podia ser uma carta, uma lista de objetivos ou qualquer outro pretexto. O meio em si pouco importa; o que realmente faz a diferença é a jornada.
E é precisamente aí que a série acaba por não se destacar. Quando uma história não traz nada de particularmente novo, são os atores e as escolhas do argumento ou realização que acabam por fazer toda a diferença. Neste caso, nenhum deles consegue elevar o material. A narrativa é competente, mas previsível e, por vezes, até algo aborrecida. O elenco também cumpre sem comprometer, mas falta-lhe aquele carisma que costuma ser essencial neste tipo de histórias mais emocionais. E, em séries como esta, isso representa facilmente metade do sucesso.
É curioso ver Alícia Falcó voltar a uma personagem com um ponto de partida tão semelhante à de Refúgio Atómico. Depois de interpretar uma personagem cuja irmã morria e que acabava por se envolver com um homem ligado a ela, volta agora a uma história que parte de um acontecimento igualmente dramático para colocar a protagonista numa jornada emocional, com um homem diretamente ligado a ela. E, ainda é mais curioso, o resultado acabar por ser parecido, series mornas. A diferença é que Refúgio Atómico tinha a responsabilidade de ser muito mais e acabou por desiludir, enquanto O Mapa dos Desejos ao menos nunca almeja ser mais do que um drama emocional genérico.
Em jeito de conclusão, acaba por ser minissérie perfeitamente competente para quem procura algo leve, sem grandes surpresas e que não obrigue a pensar demasiado. Se te apetecer fazer uma maratona de sofá e acompanhar uma história capaz de arrancar um sorriso ou uma lágrima ou outra, é uma boa escolha. Ainda assim, continuo a achar que este é o tipo de série que sabe melhor nos dias frios de outono ou inverno, do que numa estreia de verão, talvez continue a ver quando esses dias chegarem, ou talvez não.
O primeiro episódio de O Mapa dos Desejos já está disponível na Netflix, juntamente com os restantes cinco episódios que compõem a minissérie.