A minissérie francesa, O Verão de 1936 (L’Été 36, no original), acompanha quatro mulheres com vidas muito diferentes, a Léonie (Constance Gay), a Giulia (Nolwenn Leroy), a Blanche (Julie de Bona) e a Eugénie (Sofia Essaïdi), que acabam envolvidas num assassinato ocorrido no luxuoso Hotel Riviera, em Nice. Para além de todas terem ligações à vítima, também elas estão ligadas entre si, seja por histórias do passado ou do presente. Blanche e Eugénie são irmãs, mas não se dão devido a conflitos antigos, enquanto Léonie e Giulia são meias irmãs. Léonie está a tentar provar a inocência do pai e a Giulia tem problemas com dívidas do jogo. Dessa forma, praticamente qualquer personagem poderia ser o assassino.
Confesso que estava bastante curiosa para ver esta minissérie. Por um lado, porque gosto de histórias que envolvam mistérios e assassinatos, por outro, porque se passa em Nice, uma cidade que tive oportunidade de visitar no ano passado e da qual gostei muito. Ainda para mais, achei particularmente interessante a ideia de a ver representada noutra época.
Esta série faz lembrar muito as narrativas de Agatha Christie, sendo que há um crime, vários suspeitos, histórias e segredos que vão sendo revelados e a perceção de que qualquer personagem pode estar envolvida. Inclusive, um dos seus livros, mais especificamente, O Crime no Expresso do Oriente, é referido na série.
No entanto, apesar de ter sentido que estavam lá todos os ingredientes para ser uma boa série, à medida que os episódios avançavam, e sobretudo quando cheguei ao final, fiquei com a sensação de que faltava alguma coisa. O Verão de 1936 tenta abordar vários temas, como as diferenças sociais, a até faz referência ao nazismo, além de que procura desenvolver algumas histórias paralelas para lá do mistério principal, contudo, senti que ficou tudo muito à superfície.
Até mesmo as personagens. Apesar de todas terem histórias e motivações distintas, não consegui criar verdadeiramente uma ligação com nenhuma delas. É certo que estava curiosa para descobrir quem era o assassino, mas, tirando isso, o restante não me prendeu por aí além. Relativamente ao final, não o achei propriamente chocante, mas confesso que também não estava à espera.
Resumidamente, é uma minissérie que se vê bem, mas se estiverem indecisos quanto a dar-lhe uma oportunidade, também não sinto que seja uma série imperdível.
Melhor Episódio:
Episódio 1 – Considero que foi um bom início, sendo que nos são apresentadas às várias personagens, começa-se a estabelecer as ligações entre elas e a criar as primeiras suspeitas sobre quem poderá estar envolvido no crime.
Personagem de destaque:
Léonie – Se fosse para escolher a personagem de quem menos gostei, a decisão seria muito mais fácil, no caso, o marido da Eugénie. Já a escolha da personagem de destaque foi mais complicada, não por estar indecisa, mas por não ter gostado por aí além de nenhuma em particular. Ainda assim, acabei por optar pela Léonie. É, talvez, a personagem que mais faz avançar a história, estando envolvida diretamente na investigação a par da sua própria investigação paralela.