Não sou muito apologista de que só por ser falada em português, inglês ou espanhol uma série seja boa. A produção tem de ser de qualidade, independentemente da sua língua, e se há local onde a barreira linguística não deve impedir o sucesso de algo é no mundo das séries. No entanto, estamos aqui “tão” perto do Reino Unido, embora às vezes pareça que estamos longe na mesma – o que acontece também com as séries. As produções britânicas sempre foram conhecidas pela sua qualidade elevada, com um estilo próprio, mas só recentemente é que começaram a ter mais reconhecimento no nosso país. Muito graças à Netflix, HBO e até à RTP2, as séries britânicas começam a fazer parte do radar dos portugueses e são vistas com olhos um pouco diferentes.

Hoje trago-te seis séries britânicas recentes e que, por mais diferentes que sejam, valem todas a pena ver.

Killing Eve: Esta série entrou para o meu top restrito de preferidas. Para uma pessoa que tem uma lista, diria eu, alargada de séries é um feito considerável. Killing Eve conta a história de duas mulheres completamente opostas. Eve é uma agente do MI5, mas cujo trabalho de secretária está longe de corresponder à sua profissão de sonho. Villanelle é uma assassina profissional que percorre a Europa para matar pessoas. Quando as duas se cruzam, começa um jogo de cão e de gato entre elas. Estas duas personagens são interessantes e carismáticas, sobretudo Villanelle, que é a minha vilã preferida de todas as séries que tenho visto. Os episódios são ligeiros, cheios de ação e deixam-te agarrado ao ecrã de uma maneira que já não me acontecia há muito tempo. Se és como eu e gostas ainda de viajar, Killing Eve leva-te a alguns dos lugares mais bonitos da Europa sem deixares a tua casa. Junta-lhe ação e trama e tens a receita certa para uma série de sucesso.

Bodyguard: Foi a primeira série britânica que vi e por isso vai ter sempre um lugar especial junto das minhas séries. Bodyguard conta a história de David Budd (Richard Madden), um sargento veterano de guerra com PSPT (perturbação de stress pós-traumático) que, após ter regressado do Afeganistão e ter conseguido travar um ataque terrorista num comboio londrino onde seguia, foi recrutado para oferecer proteção especializada a políticos importantes. É aí que encontra Julia Montague (Keeley Hawes), a conservadora e ambiciosa Ministra do Interior, cujos ideais são o oposto dos seus. Cumprir o dever ou ir contra tudo aquilo em que se acredita é o tema central deste thriller com muita ação, onde vamos acompanhar a relação entre dois personagens que não podiam ser mais diferentes um do outro. O que me faz recomendar-te esta série é mesmo o quão atual ela é. Bodyguard trata de assuntos tão importantes e tem uma das perspetivas mais interessantes que já vi em termos de segurança nacional.

Land Girls: Já te falei de séries históricas, mas deixei esta especialmente de fora por causa desta crónica. Land Girls costuma passar muito despercebida aos seriólicos. Eu próprio só descobri a série este ano, apesar de ser assinante da Netflix desde 2018. A trama segue a vida laboral e amorosa de quatro mulheres que ficam em terra durante a 2.ª Guerra Mundial e que fazem parte do chamado Exército do Campo, onde o seu principal trabalho é tomar conta e assegurar a produção de bens essenciais, mesmo em período de guerra. Os episódios são curtos e não são complicados de perceber. Isto é, é aquele tipo de série boa para descontrair e que não exige muita da tua atenção. Ainda que seja às vezes um pouco cliché e possa parecer que é mais dirigida a um público feminino, acho que vale sempre a pena ver, nem que seja para te distraíres do que se passa lá fora.

Peaky Blinders: A par de Killing Eve, é a mais conhecida de todas nesta lista. Peaky Blinders é inspirada na história verdadeira de  um gangue de Birmingham. A trama decorre em 1919, quando a máfia atrai a atenção de um detetive da polícia que quer livrar a cidade de criminosos como eles. Admito que não fiquei preso ao ecrã desde o início. Aliás, continuei a ver a série muito por insistência dos meus dois melhores amigos, que me relembravam constantemente que valia a pena. A partir da 2.ª temporada estava agarrado. A série é pesada e não te podes distrair, se não vais ter que voltar atrás. Eu próprio me apercebi que não podia fazer outra coisa ao mesmo tempo, a não ser que isso não me fizesse tirar o olhar do ecrã. Contudo, vale completamente a pena e faz justiça a toda a fama que tem.

Temple: Esta série segue um cirugião que gere uma clínica ilegal nos túneis abandonados do metro, atendendo qualquer pessoa que ali procure assistência, por não poder recorrer ao sistema de saúde britânico. Não é a série mais brilhante desta crónica (de longe). Ainda assim, vê-se bastante bem e é um bom passatempo para ocupares os teus dias. As personagens, sobretudo a principal, estão bem conseguidas e conseguem manter um nível de envolvimento na série bastante elevado durante todos os episódios. A série é curta (oito episódios até agora), mas já tem uma 2.ª temporada confirmada para este ano. É, provavelmente, a mais ligeira desta lista.

The Bletchley Circle: Foi a minha última descoberta e por isso deixo-a também para último. Descobri-a por acaso nas minhas recomendações pessoais (acredito que seja muito por causa das séries criminais e de ação que já vi) da Netflix. E que bela descoberta! Novamente quatro personagens femininas durante a 2.ª Guerra Mundial, mas num registo um pouco diferente de Land Girls. Susan, Millie, Lucy e Jean ajudaram a decifrar mensagens nazis, mas a vida separou-as depois da guerra. Fartas de serem subestimadas nos seus trabalhos, decidem reunir-se para encontrar um assassino que está a aterrorizar Londres. Esta série está bem feita e as personagens bem construídas, visto que cada uma delas tem um talento diferente. The Bletchey Circle já deu origem a um spin-off – que pega em duas personagens e as leva para São Francisco – que acho que conseguiu superar a qualidade da série-mãe, ainda que não tenha feito parte da nossa crónica de spin-offs. Ficará, certamente, para uma segunda edição!

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Diogo Alvo