Spin-off é uma palavra que se tornou demasiado frequente no mundo das séries, bem como outras como reboot e revival. Já aqui se falou sobre a falta de originalidade que reina no mundo das séries, com novas apostas a pegarem em material que já conhecíamos, mesmo que com uma nova abordagem ou personagens diferentes. No entanto, só porque o mercado está saturado de material reciclado, isso não quer dizer que não haja boas séries derivadas de outras e cujas histórias vale a pena contar. Prova disso é que há spin-offs que fizeram mais sucesso do que a série-mãe ou que trazem algo de diferente ao panorama televisivo. É claro que nestas questões de preferências é tudo muito relativo, mas hoje vamos debruçar-nos sobre alguns dos nossos spin-offs favoritos.

Quando Xena: Warrior Princess estreou, em 1995, os spin-offs estavam longe de ser uma moda. Numa altura em que ainda não havia serviços de streaming, a produção de séries por ano era infinitamente menor e quando víamos algo novo não tínhamos a sensação de que estávamos a ver mais do mesmo. Xena, que derivou de Hercules: The Legendary Journeys, era aquela série que toda a gente via e que mereceu a aclamação da crítica devido à sua forte protagonista feminina, que eu muito adorava. Tenho a certeza que, mesmo em miúda, nunca quis ser uma guerreira, mas nessa altura era muito fácil sentir-me seduzida pelo lado badass e aventureiro de Xena. O tipo de personagem, aliás, que continuo a adorar vinte anos depois. De facto, tinha que haver algo de realmente especial nesta série para eu, que nunca gostei nada de fantasia, me querer sentar em frente à televisão de cada vez que passava um novo episódio.

Ainda Xena estava no ar, estreou aquele que é, muito provavelmente, o spin-off mais bem sucedido da História da televisão: Law & Order: SVU. As séries policiais são já um campo muito explorado do mundo das séries, mas a verdade é que a maioria perde a qualidade ao fim de umas quantas temporadas, quando os casos deixam de ser tão interessantes e a vida pessoal dos personagens não tem peso suficiente para nos fazer continuar. No entanto, Law & Order: SVU distingue-se das demais do seu género ao centrar as suas atenções em crimes de cariz sexual que nos fazem debruçar sobre temas bem relevantes da nossa sociedade. O número de temporadas da série – com a 21.ª a decorrer, mas com mais três recentemente confirmadas – é intimidador e por isso nunca tive a ‘coragem’ de começar a ver desde o início, mas acompanhei muitos episódios na televisão e não me recordo de ter visto um único mau. Para dizer a verdade, é quase impossível começar a ver um episódio sem se querer saber qual vai ser o desfecho. Esta série, para além de ter conseguido manter a qualidade ao fim de tantos anos, nunca se retrai de abordar questões sensíveis sobre as quais, mais do que nunca, faz sentido falar. São casos que não nos deixam indiferentes e que nos fazem querer voltar para mais, mesmo quando há tantas outras opções dentro do mesmo género. Law & Order: SVU já fez História pela sua longevidade, tal como Law & Order, a série que lhe deu origem, já tinha feito.

Não falta quem diga que Private Practice nunca chegou aos calcanhares de Grey’s Anatomy, mas só tenho que discordar. Tão importante como a história que se vai contar ou os protagonistas, há algo nos spin-offs que vale a pena ter em conta: o momentum. Private Practice chegou na altura certa, quando Grey’s Anatomy estava no auge da sua popularidade, e muitos dos fãs da série-mãe tornaram-se também espectadores da nova aposta. Algo que contrasta claramente com a situação de Station 19. A série chegou numa altura em que mesmo os mais fiéis fãs de Grey’s começavam a acusar o cansaço de inúmeras temporadas e só continuam a ver por lealdade, portanto nem sequer colocaram a hipótese de ver a nova série, que começa a ganhar a sua própria identidade e sucesso, tanto quanto se pode ler por aí. Private Practice aproveitou o talento de Kate Walsh para continuar a dar vida a uma personagem bem popular – e uma das minhas favoritas – do universo criado por Shonda Rhimes para dar o salto da cinzenta Seattle para a solarenga Califórnia. Addison – agora Montgomery e não Shepherd – ganha tempo de ecrã enquanto protagonista, brindando-nos com momentos cómicos e muitos outros mais dramáticos numa série em que a medicina nos é apresentada de uma forma um pouco diferente, mais pessoal, com a ação a ter lugar numa clínica privada e não na ala cirúrgica de um grande hospital. Durante as seis temporadas em que esteve no ar, não foram raras as vezes em que a qualidade de Private Practice foi muito superior à de Grey’s. Talvez não aconteça o mesmo com todos, mas, para muitos de nós, o foco de interesse em Grey’s Anatomy eram as histórias dos personagens e as relações entre eles, enquanto os casos acabavam por ser secundários. No spin-off os casos eram muito mais interessantes e a isto aliava-se, algumas das vezes, uma narrativa bem mais interessante do que na série-mãe em torno do elenco principal. Algo que funcionava também muito a favor de Private Practice era o facto de não ter tantas personagens, havendo assim mais espaço para contar as histórias que realmente interessavam. O spin-off teve o mérito de escolher uma boa altura para se lançar no mundo das séries e ofereceu o equilíbrio certo entre momentos emotivos e mais leves. Trouxe personagens cativantes, das quais vale a pena destacar Charlotte King e Amelia Shepherd, e soube acabar quando a história ficou contada. Quanto a Grey’s, somos capazes de ser velhos – e ainda não temos idade para podermos candidatar-nos à Presidência da República – quando terminar.

Mudando agora um pouco o prisma e indo para a comédia na televisão, são também alguns os exemplos de séries de sucesso que tiveram ou originaram o seu próprio spin-off. Grown-ish, um destes exemplos e uma fórmula de sucesso, é centrado em Zoey  (Yara Shahidi), a filha mais velha dos Johnson, a família de Black-ish, durante o seu percurso na faculdade. Achámos a ideia de pegar em Zoey, uma das personagens mais interessantes da série-mãe, e acompanhá-la durante um dos períodos mais interessantes na vida de alguém, muito bem pensada. É arriscado pegar numa personagem de uma série que ainda continua no ar e fazer uma série baseada nela, ao mesmo tempo que está em exibição o produto original. O resultado, até agora, foi bastante positivo. Grown-ish não ofusca a série original, que continua a ter participações ocasionais de Zoey, mas dá igualmente o espaço necessário para que o spin-off seja a sua própria série e que não dependa do conteúdo da primeira. No entanto, o público-alvo aqui não é propriamente o mesmo do que o da série original. Focando-se em jovens adultos, é natural que a série seja mais apelativa para um público jovem. Ainda assim, tal como Black-ish, não se esquece de tocar nos assuntos que realmente importam e persistem nos dias de hoje, nomeadamente o racismo, dando-lhe um toque jovem muito necessário.

Por fim, mas não menos importante, trazemos Fuller House, mais um caso de sucesso neste mundo dos spin-offs. Não há um consenso sobre em que categoria é que esta série se insere, mas muitos consideram que é mais um revival do que propriamente um spin-off. Ainda assim, achamos importante trazê-la para a discussão. A série é uma comédia familiar que dá continuação à série clássica Full House, trazendo consigo o regresso do clã Tanner-Fuller e atualizando a comédia para o novo século. Aqui, as personagens principais são as mesmas (sim, sabemos que algumas só aparecem de vez em quando) e as novas acrescentam uma dinâmica especial à série. O mais interessante é mesmo perceber as diferenças entre crescer nos anos 90 e crescer em plena era da tecnologia. A série em si não é a melhor alguma vez feita, mas vale, sem dúvida, a pena. É daquelas produções reconfortantes e que sabe bem ver ao fim de um dia de trabalho ou estudo ou mesmo durante um fim de semana em família. Fuller House marcou também um momento importante na televisão e na mudança do paradigma para o streaming.

Estes cinco são os que achámos que mereciam maior destaque, mas outros bons spin-offs anda(ra)m por aí, como Chicago P.D.. A série acabou por ficar para trás por falta de tempo, mas as primeiras temporadas revelaram-se bastante agradáveis, bem mais do que Chicago Fire, por exemplo. O mesmo com CSI, que fez furor junto do público, mas por aqui por estes lados não conquistou assim tanto, tendo as suas séries derivadas, CSI: Miami e CSI: NY, cativado mais.

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Diana Sampaio e Diogo Alvo