Hoje em dia já é raro haver alguém que ainda tenha paciência para ver aquelas séries que duram há anos e que cada temporada tem 22 episódios religiosos. Também é raro ainda haver novas séries a saírem com este moldes. A moda agora passou a ser temporadas com um máximo de 16 episódios. Outra tendência que se instalou foi a das minisséries: séries com apenas uma temporada e cujo número de capítulos não costuma ir além dos oito. Para quem não tem muito tempo, mas ainda não assim não dispensa ver uma boa série ao serão ou ao fim de semana esta é a solução ideal. São histórias com princípio, meio e fim, que não dispersam o enredo e vão diretas ao assunto. São também histórias que, por norma, abordam temas importantes e com relevância na atualidade e na sociedade. Abaixo seguem oito minisséries que definitivamente não podes perder!

 

Chernobyl 

Abro as hostilidades com uma das séries mais vistas e mais faladas de 2019: Chernobyl. Esta recriação dos eventos que decorreram a 25 de abril de 1986 é, sem dúvida, uma produção quase obrigatória de se ver. A atenção aos pormenores históricos, o elenco, os cenários e o desenvolver da narrativa fazem dos cinco episódios que compõem a minissérie verdadeiras obras-primas. Não admira que tenha tido 50 nomeações para um vasto conjunto de prémios e tenha ganho um total de 35, desde Emmys a Golden Globes. Contudo, não é um tema leve e, por consequência, não é uma série que se veja num momento descontraído. Somos levados diretamente ao palco dos acontecimentos e envolvidos em todo o drama e horror das consequências da explosão do reator nuclear. O peso na consciência começa a sentir-se cada vez mais à medida que vamos avançando nos episódios, pois sem o sacrifício, na altura, de todas aquelas pessoas para conter ao máximo os efeitos da radiação, hoje talvez não estivéssemos aqui. Podes ler a review do piloto aqui e da temporada aqui. Chernobyl está disponível na plataforma de streaming HBO Portugal.

 

The Act

The Act teria obrigatoriamente de entrar nesta lista. A adaptação televisiva da vida de DeeDee e Gypsy Blanchard é de prender ao ecrã do início ao fim. Ainda que o último episódio não seja bem o que estamos à espera, os restantes sete estão espetacularmente bem construídos e somos envolvidos num mundo cheio de doenças inventadas, sentimentos reprimidos e relações familiares pouco saudáveis, ingrediente estes que, todos juntos, fazem a história culminar em algo bastante previsível, mas macabro. A história é real, ainda que alguns nomes e acontecimentos tenham sido alterados para efeitos de dramatização. Mesmo assim, é impensável não nos perguntarmos como podem coisas como estas acontecerem à frente de tantos olhos e ninguém dar por nada. As caracterizações de Patricia Arquette e Joey King aliadas às suas interpretações brilhantes e à história verídica fazem de The Act uma minissérie viciante. Podes ler a review do piloto aqui e a de temporada aqui. The Act também está disponível na HBO Portugal.

 

When They See Us

Esta série é incrivelmente brutal, no sentido em que a história que conta é pesada, triste, revoltante e, muito infelizmente, atual. Baseada nos acontecimentos verídicos que ficaram conhecidos nos EUA como Central Park Jogger, When They See Us permite-nos perceber, em apenas quatro episódios, o horror pelo qual cinco crianças passaram devido apenas e somente à cor da sua pele. Pouco ou nada conhecia do caso verdadeiro (aconteceu em abril de 1989, muito antes de ter nascido), mas parece-me, daquilo que fui pesquisando, que a produção está bastante fiel à realidade, o que torna a visualização desta série ainda mais emocional. As prestações de todos os atores, com especial relevo para Jharrel Jerome, e a construção/evolução do enredo justificam as 66 nomeações e os 18 prémios ganhos, incluindo o Emmy de Melhor Elenco em Minissérie. Ainda que difícil de digerir devido a todas as injustiças expostas, esta é uma série quase obrigatória de se ver para mantermos em mente que a justiça nem sempre é justa e aqueles que juraram proteger os cidadãos nem sempre o fazem. Podes ler a review do piloto aqui e a de temporada aqui. A série está disponível na Netflix.

 

Years & Years

A HBO costuma prezar por produções arrebatadoras e incríveis. Years & Years não é exceção. Não me recordo de como soube desta série, mas tenho a dizer que ainda bem que me cruzei com ela. A premissa à primeira vista pode enganar quando sabemos que vamos acompanhar as vidas dos membros da família Lyon. Pensamos que é apenas mais um drama familiar, contudo esta minissérie vai muito além disso. Sim, somos transportados para a confusão que é esta unida família, mas pelo meio somos confrontados com questões políticas, económicas, morais, ambientais e tecnológicas que nos fazem pensar e que deixam bastante presente o receio de que não estamos muito longe de muitas dessas coisas acontecerem e de algumas já se sucederem atualmente. Com início em 2019, Years & Years vai avançando nos anos até à década de 2030 quando a tecnologia já está mais avançada e onde o transhumanismo é uma possibilidade a apenas alguns passos de distância. Esta componente tecnológica faz sem dúvida lembrar Black Mirror o que é um ponto positivo do meu ponto de vista. Em seis episódios vemos passar à frente dos nossos olhos todas as possibilidades e realidades do mundo em que vivemos e percebemos que o único culpado de tudo é o ser humano. No que diz respeito a prémios, esta é outra série subestimada e pouco falada, tendo recebido apenas seis nomeações e arrecadado uma única vitória. Podes ler a review do piloto aquiYears & Years está disponível na HBO Portugal.

 

Good Omens

Good Omens é a série mais leve desta lista e faz parte dela pela abordagem fantástica feita às dualidades Bem/Mal e Anjo/Demónio, tema mais do que gasto no mundo das séries, mas cuja visão aqui é reinventada de forma brilhante. O elenco por si só já chama a atenção – Michael Sheen e David Tennant são uma delícia nos seus papéis de Aziraphale e Crowley -, mas a história, o ambiente e os efeitos visuais fazem desta minissérie uma das melhores que estrearam nos últimos tempos. Em seis episódios temos um vislumbre do apocalipse vindouro e dos esforços que uma dupla improvável fará para o impedir, com um pouco de comédia e muito sarcasmo à mistura. Good Omens é a adapatção televisiva do livro de Neil Gaiman, que fez também parte da produção e cujo nome podem reconhecer de outra série: American Gods. Talvez pouco falada e um pouco subestimada, esta minissérie vale toda a pena ver. Garanto que não se vão arrepender. Podes ler a review do piloto aqui e a de temporada aquiGood Omens está disponível na Amazon Prime Video.

 

Escape at Dannemora

Também ela protagonizada de forma esplêndida por Patricia Arquette, Escape at Dannemora conta a história verídica, decorrida em 2015, da fuga de dois reclusos, ajudados por uma funcionária, de uma prisão no estado de Nova Iorque. Mais uma vez, a caracterização de Arquette está totalmente on point, assim como a sua interpretação. Os sete episódios são cativantes e quando se compara a ficção com a realidade, a atenção ao detalhe por parte da produção é de deixar de queixo caído. Tudo foi construído ao pormenor para retratar o que realmente aconteceu. Com Ben Stiller ao leme da realização, Escape at Dannemora arrecadou um total de 31 nomeações e 8 vitórias, entre as quais a de Melhor Atriz para Arquette nos Golden Globes de 2019. Podes ler a review do piloto aqui. Escape at Dannemora foi disponibilizada pelo TVCine & Séries, mas de momento já não se encontra em exibição.

 

 The Cry

The Cry chamou-me a atenção pela protagonista – Jenna Coleman -, mas prendeu-me pela história intensa que conta. As semelhanças entre a tragédia que assola o casal Joanna e Alistair e o desaparecimento de Madeleine McCann no Algarve, em 2007, são irrefutáveis. Diria mesmo que The Cry é uma tentativa muito bem conseguida de abordar o que aconteceu em Portugal. Os quatro episódios que compõem a série são a dose certa de drama para tirarmos as conclusões que mais nos aprouverem sobre o mediático caso que ainda hoje é falado, especialmente depois da estreia do documentário The Disappearance of Madeleine McCann da Netflix. Isto se o paralelismo entre este produto ficcional e o caso verídico for estabelecido. Creio que apenas quem não esteja minimamente familiarizado com o sucedido não conseguirá ver o que está perante os seus olhos. Além disso, esta série aborda um tema imensamente relevante e pouquíssimo falado na sociedade: o da depressão pós-parto e a dificuldade de uma recém-mãe em se conectar com o seu bebé. The Cry recebeu apenas 15 nomeações e ganhou uns escassos dois prémios, visibilidade esta que acho extraordinariamente pequena dada a qualidade da série. Podes ler a review do piloto aquiThe Cry não está disponível em nenhuma plataforma ou canal em Portugal, tendo estreado na BBC One em setembro de 2018.

 

The Looming Tower

Séries baseadas em factos reais são algo que me atrai bastante, como já deve ter dado para perceber com esta lista. Se forem acontecimentos conhecidos mundialmente e com um grande impacto nas sociedades melhor. Sou adepta das teorias da conspiração (todos sabemos que o Triângulo das Bermudas é um portal para universos paralelos, certo?) e quando soube que haveria uma minissérie a abordar o ataque às Torres Gémeas fiquei logo de olho nela. Ao anunciarem o protagonista, Jeff Daniels, rendi-me por completo. Com 10 episódios, esta é a minissérie ideal para quem quer confirmar ou refutar algumas ideias que tenha sobre o atentado, uma vez que o enredo principal se foca na rivalidade entre o FBI e a CIA que, em última instância, foi uma das razões que levou os EUA a não anteverem o ataque da Al-Qaeda. Bem mais leve do que outras produções aqui enunciadas, The Looming Tower pode ser vista num momento mais descontraído. De todas, é a mais modesta no que toca a prémios, contando somente com 13 nomeações e nenhuma vitória. Esta é outra série subestimada e pouco falada, mas que vale muito a pena ver. Podes ler a review do piloto aquiThe Looming Tower está disponível na Amazon Prime Video.

Beatriz Caetano