Classificação

7.3
Interpretação
6.9
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers.]

Foi na passada sexta-feira que Legacies nos trouxe o seu mais recente capítulo, intitulado There’s No I In Team, or Whatever. Neste novo episódio, Hope tem de abdicar do seu controlo e permitir que Josie e o Super Squad levem a cabo o mais recente plano para salvar Landon. Entretanto, Landon e Cleo encontram-se na dimensão negra de Malivore e descobrem mais um sobre o outro. Por fim, Lizzie, Kaleb e Ethan estão em Mystic Falls numa missão de voluntariado que não corre conforme o planeado.

Para surpresa de ninguém, Malivore continua a demonstrar ser muito mais do que uma simples pedra no sapato dos nossos personagens. Após o sucedido no último episódio, eis que a série partilha com a sua audiência o plano que a nossa musa, Cleo, inspirou em Hope: transferir Malivore para um outro corpo que não o de Landon. Mas este corpo não pode ser o de qualquer um, não – este vilão tem de ser expulso para o corpo de alguém que já serviu como seu receptáculo, no passado.

Felizmente, apesar da existência de uma curta lista de candidatos, há alguém a quem os nossos heróis podem recorrer. Refiro-me, é claro, a Ryan Clarke, cuja estadia hospitalar chega a um fim após o seu check-in em Fate’s A Bitch, Isn’t It?. Contra todas as expectativas, o personagem concorda em ajudar Hope e o Super Squad na sua missão – não pela bondade do seu coração, mas sim pelo peso das contas médicas que lhe são apresentadas (um belo aceno aos preços exorbitantes da saúde nos Estados Unidos). Assim, um (considerável, tenho a dizer) incentivo financeiro por parte de Hope mostra-se mais do que suficiente para convencer o irmão de Landon a cooperar com os nossos personagens, ainda que, no final, os planos do Super Squad deem para o torto.

Como seria de esperar, Malivore consegue estar um passo à frente dos nossos protagonistas graças à inspiração proporcionada de modo acidental por Cleo, utilizando o feitiço realizado por Josie para, ao invés de mudar de host, transferir um dybbuk, uma criatura do folclore judeu (que, sejamos sinceros, não tem grande relevância para a história deste episódio em particular), para o corpo de Clarke. Por sua vez, o dybbuk escapa para Mystic Falls, onde Lizzie, Kaleb e Ethan se encontram a trabalhar como voluntários para a noite de cinema da sua pequena comunidade. Apesar dos esforços dos restantes personagens, é Hope quem acaba por salvar o dia, derrotando o dybbuk e mantendo a sua promessa para com Clarke ao pagar as suas despesas médicas, ainda que o seu plano não tenha funcionado.

Dando por terminado este breve recap, passo agora às minhas considerações gerais sobre este episódio. Acredito que, enquanto um todo, There’s No I In Team, or Whatever está sensivelmente ao mesmo nível do seu antecessor, mostrando-se capaz de explorar novas – como, por exemplo, Cleo e Landon em Malivore – e velhas dinâmicas entre personagens, ainda que a missão de salvamento de Landon (e, assim, o próprio personagem) continue a surgir como seu ponto focal. Reforço que estas relações entre os vários intervenientes de Legacies são um dos aspetos que, de início, mais me aliciou sobre a série, pelo que aprecio qualquer momento nelas despendido.

De modo semelhante, também a promessa de Hope enquanto tríbrida parece estar cada vez mais perto de ser concretizada, tendo o fracasso desta mais recente missão colocado em evidência que a forma mais foolproof de derrotar de uma vez por todas Malivore é a ativação do seu lado enquanto vampira. Ora, tendo seguido esta personagem desde o seu nascimento em The Originals, acho sensato afirmar que esta expectativa de ver Hope alcançar o seu verdadeiro potencial tem sido um dos aspetos que me ajudou a suportar os piores capítulos desta série, que parece, por fim, decidida em reinventar a sua protagonista. Esta minha suspeita intensifica-se devido às notícias sobre o regresso de não uma, mas duas personagens do passado de Hope ao universo de The Vampire Diaries, sendo Rebekah Mikaelson uma delas (e, acredito, Davina Claire uma outra), que certamente ajudarão a nossa protagonista a navegar esta sua nova realidade.

Ainda sobre a nossa protagonista, fiquei feliz em ver Hope renunciar algum do seu controlo sobre os restantes personagens no que diz respeito a salvar Landon, proporcionando a Josie, uma pessoa um pouco mais neutra ao assunto, a oportunidade de tomar as rédeas e realizar o feitiço quando Hope não se sentia capaz de o fazer. Espero que este trend se mantenha no futuro, mas tendo em conta que a tríbrida sabe agora que Landon está vivo – e, pior ainda, que Kaleb e Alaric mantiveram esta informação um segredo –, antecipo algum tipo de retrocesso na personagem, talvez não no que diz respeito à segurança dos seus amigos, mas sim em relação ao seu próprio bem-estar.

Voltando ainda ao tópico das relações nesta série, agora com algum foco sobre as relações amorosas, sinto que Legacies está a adiar de forma propositada algo de romântico entre Lizzie e MG. Se, por um lado, é verdade que aprecio esta abordagem estilo slow burn, por outro, foi um tanto doloroso ver a bruxa com Ethan enquanto MG observava ambos à distância. Estou mortinha por ver estes dois nerds numa verdadeira relação, mas estou disposta a esperar (até porque o facto de Malivore transformar Ethan no seu mais recente anfitrião promete complicar as coisas). Já a minha relação com Josie e Finch enquanto um casal encontra-se num pólo oposto, tendo celebrado a sua separação devido à fusão iminente das bruxas Gemini. Apesar de não acreditar de todo que esta sua break up seja algo permanente, por agora, escolho regozijar-me sobre o acontecimento e por esta breve pausa num casal que, na minha opinião, não tem qualquer tipo de química tangível ou observável. 

Por fim, agrada-me ver que Legacies parece estar agora a atar as últimas pontas soltas no que diz respeito a Malivore, ao ver-se livre de Clarke (espero que de modo final) e ao aproximar-se de Hope enquanto tríbrida. Sou da opinião que esta narrativa, arrastada já ao longo de três temporadas, mantinha a série sua cativa, impedindo-a de progredir. Estou ansiosa em ver o que a verdadeira 4.ª temporada da série trará consigo, e resta-me apenas esperar que, com a destruição de Malivore e a transição de Hope, surja também uma mudança de ritmo e tom há muito aguardada pela audiência. 

Legacies regressa já esta semana com We All Knew This Day Was Coming, aquele que acredito ser o penúltimo episódio pensado para a sua 3.ª temporada. Até lá, podes ver (ou rever) todos os episódios desta série através da HBO Portugal, a plataforma de streaming responsável pela sua divulgação a nível nacional.

Inês Salvado