Classificação

7.3
Interpretação
6.8
Argumento
6.9
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Após quatro meses de hiato, Legacies regressou na passada semana com You Have to Pick One This Time, o seu mais recente capítulo, que dá início a uma nova temporada da série. No entanto, e à semelhança do sucedido no episódio anterior, este novo capítulo de Legacies não foi originalmente pensado como sua season premiere, mas sim como continuação da 3.ª temporada, pelo que é considerado o 17.º episódio pela HBO Portugal e, de igual modo, por mim própria (apesar do título da review).

Neste novo episódio, após descobrirem que Malivore se apoderou do corpo de Landon, Hope e o Super Squad engendram um plano arriscado para salvar o personagem e Cleo, depois de a musa ter sido absorvida pelo vilão em Fate’s a Bitch, Isnt It?. Entretanto, um encontro improvisado com Finch dá azo a uma conversa para a qual Josie não está preparada, enquanto Kaleb se vê forçado a reviver o seu passado.

Como seria de esperar, estes novos capítulos de Legacies veem ainda Malivore como seu ponto focal, mantendo a tendência das últimas três temporadas – para meu desagrado. Ainda assim, parece existir uma luz ao final do túnel para aqueles que, como eu, aguardam ansiosamente o momento em que a série muda, por fim, de rumo, trazendo algo de novo a um panorama de outro modo estagnado. A verdade é que o final deste episódio parece trazer consigo uma resolução para esta pedra no sapato dos nossos personagens, mas não nos antecipemos. Afinal, temos ainda muito sobre que falar.

Dadas as revelações da nossa há-muito-esquecida season finale, o Super Squad encontra-se agora na sua nova missão para salvar Landon, que passa por resgatar Cleo em primeiro lugar – porque, é claro, esta série é incapaz de priorizar quem quer que seja a não ser que, ao fazê-lo, beneficie Landon pelo caminho. De igual modo, Hope mantém esta sua tendência de colocar a segurança do personagem acima de qualquer outra coisa, levando a que a sua equipa não a inclua no seu plano inicial por medo (razoável) de que a nossa protagonista faça das suas. Por alguma razão, após várias temporadas nas quais este problema se mostrou bastante evidente, Hope parece levar a acusação a peito, prometendo comportar-se pela primeira vez desde… Bem, desde sempre.

Se as reviews de episódios anteriores não foram indicação suficiente, podes deduzir pelo meu tom que estou um tanto saturada de toda esta narrativa e da fixação de Hope por Landon. No entanto, ao invés de criticar de forma implacável e inflexível este episódio, vou ser um pouco mais benevolente, uma vez que acredito verdadeiramente que Legacies está prestes a mudar de tom (e, sendo honesta, hoje estou de bom humor). Se, por um lado, sinto que os argumentistas deste episódio juntaram toda uma amálgama de coisas que gostaria de ouvir num só capítulo de modo a apaziguar os ânimos da sua audiência, sem qualquer intenção de dar continuidade às conclusões retiradas pela nossa protagonista ou ao progresso conseguido na sua relação com as restantes personagens; por outro, acredito que este é um passo na direção correta, ainda para mais pelo facto de Hope reconhecer os seus erros e não negar o impacto negativo que causou sobre os seus amigos.

Esta pequena jornada em que Hope embarca acaba, assim, por ocupar a grande maioria do seu tempo em ecrã, durante You Have to Pick One This Time. A personagem e MG entram na mente subconsciente de Malivore depois de Kaleb e Alaric ocuparem a sua consciência, distraindo o vilão que os aprisiona num pesadelo infernal enquanto a nossa protagonista e o jovem vampiro procuram Cleo na esperança que a musa os consiga inspirar a derrotar Malivore. Encontram a personagem rodeada pela sua família num cenário idealizado por Malivore com o intuito de manter a musa cativa, sendo que o vilão é inevitavelmente alertado da sua presença, procedendo a transportar Hope e MG para o seu próprio pesadelo.

Os nossos personagens são levados de regresso à noite em que MG, em modo ripper, matou Landon e ativou os seus poderes sobrenaturais, sendo que Malivore antecipa que a jovem Mikaelson irá quebrar a sua promessa para com o vampiro e, quando apresentada com a oportunidade, salvará Landon ao invés de MG. No entanto, da mesma forma que o plano do Super Squad não corre conforme o esperado, também Hope não concede ao seu inimigo a satisfação de ver o seu objetivo tornar-se realidade, escolhendo salvar o seu amigo em vez de sucumbir ao desejo de salvar o seu namorado. Assim, ambos regressam à realidade ilesos, com a sua relação mais forte do que nunca e, ao que parece, com um novo plano para derrotar de uma vez por todas este seu inimigo. Acontece que, para surpresa de Malivore, Cleo foi capaz de usar os seus poderes em Hope durante o pouco tempo em que as personagens estiveram juntas, inspirando assim a nossa protagonista.

Por outro lado, também Kaleb e Alaric chegam às suas próprias conclusões sobre como derrotar este nosso vilão. Aprisionados na mente de Malivore, o duo é levado de regresso à secundária de Kaleb, na fatídica noite em que o Professor Saltzman acolheu o vampiro na Salvatore School. Aqui, descobrimos que, à semelhança de MG, Kaleb é um ripper e que perdeu o controlo enquanto se alimentava dos seus colegas após um jogo de futebol (americano, claro). A noite só não se tornou num autêntico massacre devido à intervenção de Alaric – mas, sem verbena na sua posse, há pouco que o headmaster possa fazer para travar Kaleb neste cenário onde foram colocados. É aqui que Landon – o verdadeiro e não Malivore – entra em jogo, colocando-se entre Kaleb e Alaric e impedindo assim o nosso vampiro de magoar o personagem. Antes de regressarem à realidade, o duo tem a oportunidade de trocar umas palavras com Landon, que lhes incumbe a árdua tarefa de fazer o que for preciso para derrotar Malivore, independentemente do que lhe possa acontecer (ou do que Hope possa sentir).

Ora, é certo e sabido que a nossa protagonista não aceitará tal coisa, pelo que antecipo que Hope irá sabotar este seu plano ou irá perder as estribeiras quando algo de menos positivo acontecer com Landon (se bem que, sejamos sinceros, ninguém acredita que a série seria capaz de matar este personagem de forma permanente, correto?). Ainda assim, estou muito mais interessada em Kaleb e nas implicações que esta revelação do seu passado terão sobre o personagem. Afinal de contas, o vampiro não tinha qualquer memória do mal que causou enquanto esteve em modo ripper. Será curioso ver de que forma esta nova informação impactará um personagem que, de forma geral, se tem mostrado bastante confiante da sua condição enquanto vampiro.

Por fim, este episódio abordou novamente a questão da maldição colocada sobre o coven Gemini após várias temporadas sem tocar no assunto, ao ver Finch questionar Josie sobre o seu passado. Apesar de o meu interesse nesta relação se manter nulo (ainda para mais após as várias alusões feitas à relação entre Josie e Penelope, neste episódio), estaria a mentir se dissesse que não fiquei um pouco entusiasmada em ver Legacies mencionar um tópico que foi imperativo para a sua 1.ª temporada. Parece que, aos poucos, a série procura voltar às raízes, o que aprecio. 

De um modo geral, You Have to Pick One This Time surge como um episódio bastante razoável para Legacies. Apesar de ficar um pouco aquém das minhas expectativas, lidando com aspetos que considero importantes de forma bastante descartável, apresenta uma boa estrutura e uma premissa cativante, centrando a série novamente em alguns dos elementos que me cativaram na sua 1.ª temporada (nomeadamente a backstory de determinadas personagens, como é o caso de Kaleb, mas também a relação entre os vários intervenientes – neste caso, Hope e MG). Apresenta também uma excelente performance por parte de Aria Shahghasemi, que, mais uma vez, demonstra conseguir navegar com facilidade as diferenças entre Landon e Malivore, sendo infinitamente mais interessante no seu papel de vilão. 

Legacies regressa já esta semana com um novo capítulo em There’s No I In Team, or Whatever. Cá podes assistir à série através da plataforma de streaming HBO Portugal.

Inês Salvado