Classificação

7.9
Interpretação
7.9
Argumento
7.8
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers

Legacies chega ao fim de uma atribulada temporada – de longe a pior até à data – com Fate’s A Bitch, Isn’t It?, episódio que não foi pensado como season finale, mas que se vê agora sob a obrigação de preencher esse papel no decorrer de decisões administrativas levadas a cabo pela The CW. Assim, e uma vez que os restantes episódios pensados para esta temporada verão a luz do dia no início da próxima, ao invés de serem descartados, escolho falar sobre este novo capítulo no contexto para o qual foi criado e não como season finale.

Neste novo episódio da série, Hope vê-se forçada a trabalhar com um inimigo do seu passado na sua incansável busca por Malivore. Enquanto isso, Kaleb e MG levam a cabo a sua primeira missão oficial enquanto super-heróis locais. Por fim, o plano de Lizzie para encontrar uma relação de substituição a Hope sofre uma reviravolta inesperada.

Parece que Legacies continua a demonstrar que esta sua temporada começava agora a encontrar o seu caminho, após uma multitude de episódios que, em termos simpáticos, ficaram bastante aquém das expectativas da sua audiência. Depois do sucesso de A New Hope, a série traz-nos um capítulo que em muito contrasta com o seu antecessor, apresentando, na vasta maioria do seu tempo de duração, um tom mais sério. Este combina melhor com o ponto narrativo em que nos situamos: no encalço de Malivore, com a vida de várias das nossas personagens em jogo.

Quando Fate’s A Bitch, Isn’t It? dá início à sua ação, Cleo e Landon estão no processo de recuperar um artigo de uma exposição sobre Leonardo da Vinci, o qual contém uma porção de lama proveniente de Malivore. A musa pretende utilizar o objeto para realizar um feitiço de localização, de modo a descobrir qual o paradeiro do novo portal criado pelo vilão. É um plano simples que, infelizmente, não produz o resultado esperado… Ou assim Cleo pensa.

Noutro local, Hope tem uma ideia semelhante. Após os eventos do episódio anterior, o qual nos trouxe o regresso de Clarke, a nossa protagonista acaba por despistar Lizzie e Josie no seu regresso a Mystic Falls, recusando a sua ajuda e deixando as gémeas ao abandono num posto de gasolina enquanto se encarrega de Clarke. Ao contrário da minha previsão em A New Hope, o personagem parece regressar não com o propósito de se vingar de Hope, mas sim com a esperança de ajudar a nossa protagonista a derrotar o grande vilão desta série – uma mudança de atitude que aceito de braços abertos. Assim, Hope usa a ligação do personagem a Malivore para tentar encontrar o portal, sendo surpreendida ao descobrir que Clarke é agora humano quando o corta e, em vez de lama, sangue sai da ferida. O personagem explica a Hope que é um homem mudado (aparentemente, de forma literal), enquanto a tríbrida leva a cabo um simples feitiço de localização que indica ao duo onde encontrar o malfeitor que procuram.

Esta procura por Malivore leva a nossa protagonista e o seu improvável aliado diretamente ao local onde Cleo e Landon estão situados, num motel a algumas cidades de distância dos bosques onde a personagem e Clarke se encontravam. De forma semelhante à musa, Hope acredita que o feitiço que realizou não surtiu efeito e, assim como Cleo, a nossa tríbrida não poderia estar mais errada. Se, tal como eu, não perceberam de imediato o porquê do primeiro encantamento não ter resultado, esta segunda tentativa deve ter sido a prova de que precisavam para juntar todas as peças do puzzle, chegando à conclusão de que, de facto, ambos os feitiços surtiram o efeito desejado e Malivore sempre esteve entre nós, escondido à vista de todos.

Desde o momento em que Landon foi possuído por Malivore em Hold On Tight que Legacies me deixou com uma pulga atrás da orelha, sem saber ao certo se o personagem tinha sido capaz de vencer o seu pai. Esta minha dúvida manteve-se depois do regresso de Landon em Long Time, No See, tendo-se provado justificada quando esta versão do ex-namorado de Hope foi revelada como sendo um golem criado por Cleo (podes recordar os eventos de I Was Made To Love You). Após esta descoberta, no entanto – e depois do regresso daquele que deveria ser o verdadeiro Landon Kirby no final deste mesmo episódio –, resignei-me à ideia de Legacies ter deixado de parte esta narrativa, uma vez que a série não é particularmente conhecida pela sua congruência. Ainda assim, a grande revelação deste episódio não surge de todo como uma surpresa, servindo apenas para aumentar a desilusão que senti anteriormente no que diz respeito à série não ter feito um trabalho suficientemente bom em tornar este seu personagem suspeito. A meu ver, haveria um maior sentimento de gratificação se tivessem sido colocadas mais pistas sobre a sua identidade ao longo desta 3.ª temporada, mas é demasiado tarde para chorar sobre leite derramado. A realidade é que Malivora usa Landon como seu recetáculo, sendo que desconhecemos a atual situação do personagem que, assim, se encontra desaparecido desde o 4.º episódio da temporada.

As ideias a retirar do plot principal deste episódio incluem, em primeiro lugar, o facto de Aria ser um ator versátil, infinitamente mais interessante enquanto vilão do que numa posição de herói, pelo menos no que concerne a Legacies. Adorei a sua prestação em Fate’s A Bitch, Isn’t It? e anseio pelo regresso da série e pelas possibilidades que trará ao ator, antes de voltarmos a lidar com Landon. Em segundo lugar, reforço a minha falta de interesse pela relação entre o personagem e Hope – que, por uma terceira vez, foi incapaz de perceber que o personagem à sua frente não é o mesmo que afirma conhecer melhor que ninguém. Ainda que Clarke tente convencer Hope a lutar contra o destino, imploro à série que deixe esta relação amorosa chegar a um fim, não só pelo facto de não conseguir mais ouvir a nossa protagonista referir Landon a cada duas ou três palavras do seu discurso, mas também por acreditar seriamente que a sua relação já deu o que tinha a dar. Por fim, tenho interesse em ver o que o futuro reserva a Cleo, que foi consumida por Malivore perto do final deste episódio. A personagem é facilmente um dos elementos mais cativantes desta nova temporada, pelo que fico feliz em saber que a sua história não termina aqui.

Antes de passar a umas breves reflexões sobre o resto deste episódio, tenho ainda de mencionar que o regresso de Clarke teve os seus vários momentos altos, em particular pelos (surpreendentemente bons) conselhos que o personagem deu à nossa protagonista. É graças às palavras de Ryan que a tríbrida aceita, por fim, que a batalha em que se encontra não é uma que tem de ser travada a solo, sendo recordada dos amigos que a rodeiam e que a querem ajudar a todo o custo. Apesar de não entender o porquê de Hope precisar de ouvir novamente estas palavras, em especial após os eventos do episódio anterior, fico feliz em ver que a nossa protagonista parece estar recetiva ao auxílio dos seus companheiros, ainda que a sua transição para uma tríbrida completamente ativada continue a parecer a única opção viável para travar Malivore.

Entretanto, Josie e Lizzie regressam à Salvatore School graças à ajuda de Ethan, que lhes oferece boleia após ter-se cruzado com as gémeas no posto de abastecimento onde Hope as deixou. Embora Josie esteja preocupada com a vida de Hope, acreditando na existência de uma alternativa à sua morte e subsequente ressurreição, Lizzie tem outras preocupações em mente. Desconhecendo que Landon é, na verdade, Malivore, a personagem acredita que Hope precisa de um rebound, uma relação que a faça esquecer o seu ex-namorado – e quem melhor que Ethan para preencher o cargo? Afinal de contas, o personagem encontrava-se em linha para ser um dos interesses amorosos de Hope na 2.ª temporada de Legacies, ao lado da sua irmã. Aquilo com que Lizzie não contava, no entanto, é que o personagem desenvolvesse uma paixoneta pela jovem Saltzman, a quem acaba por convidar num encontro no final do episódio. Se segues estas reviews há algum tempo, sabes que sou entusiasta de uma relação entre Lizzie e MG. No entanto, não me oponho a algo breve entre a gémea e Ethan, dois personagens de quem gosto imenso e que merecem algo de bom nas suas vidas.

Falando agora sobre MG, o ripper encontra-se numa missão com Kaleb para rastrear Cleo e Landon após as suas (obviamente ilegais) aventuras na exposição. Alaric encarrega o duo de vampiros de cobrir o rasto deixado pelos personagens, apagando a memória do acontecimento a todas as testemunhas com quem se encontrem até alcançarem os seus alvos. Este é o primeiro trabalho dos nossos vampiros enquanto super-heróis, mas o seu entusiasmo não é a única coisa que os leva a aceitar a missão. Na verdade, Kaleb deseja encontrar Cleo porque nunca chegou a partilhar os seus sentimentos pela musa, tendo perdido a sua oportunidade quando Cleo abandonou a Salvatore School. Assim, esta missão proporciona ao personagem uma nova oportunidade, embora o desejo de Kaleb não se chegue a concretizar. De facto, o personagem e MG fazem um pequeno desvio no seu caminho em direção à musa quando avistam um acidente de viação e param para socorrer o condutor do veículo. A breve pausa nos seus planos é o suficiente para deitar por terra tudo aquilo que Kaleb desejava dizer à personagem que é consumida por Malivore antes da sua chegada. É um momento triste para o vampiro, em especial tendo em conta que o futuro de Cleo é incerto. A viagem proporciona também um momento de clareza a MG, que parece pensar sobre os seus sentimentos por Lizzie quando Kaleb fala sobre o seu próprio interesse amoroso. Espero que ambos encontrem a paz de espírito que procuram e que cheguem, por fim, a um acordo sobre as identidades secretas que virão a adotar.

Como breve nota de rodapé, gostei ainda de ver a preocupação de Josie em relação a Ethan, claramente motivada pelo sentimento de culpa da personagem em relação aos eventos de You Remind Me Of Someone I Used To Know. Entre Josie e MG, são vários os elementos sobrenaturais desta série que causaram qualquer tipo de mágoa ao personagem, sendo que percebo a preocupação de Josie em ver a sua irmã magoar Ethan. Ainda assim, agrada-me que o humano de estimação de Legacies continue em cena e estou curiosa por ver de que forma a série irá balançar os vários personagens e suas complicadas relações.

Em suma, não acredito que Fate’s A Bitch, Isn’t It? tenha sido um mau episódio de Legacies e certamente não o pior para colocar um termo a esta 3.ª temporada. A verdade é que a série está num ponto em que começo a interessar-me novamente pelo seu enredo, deixando-me com vontade de assistir a mais ao invés de a querer abandonar por completo. Espero que seja capaz de manter este momentum criado com o mais recente lote de episódios numa temporada futura – e que esta não tenha a infelicidade de ser importunada por pausas a cada dois ou três episódios, como foi o caso desta vez.

O regresso de Legacies está marcado para meados de outubro, sendo o dia 14 deste mês a data indicada para o começo da sua 4.ª temporada. Até lá, podes rever todos os 48 capítulos desta série através da plataforma de streaming HBO Portugal.

Inês Salvado