Classificação

6.5
Interpretação
4
Argumento
6
Realização
6.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Mais uma vez, estamos reunidos para discutir um novo episódio de Legacies. Intitulado Hold on Tight, este capítulo da série (que havia sido pensado como a season finale da sua temporada anterior) faz com que o Super Squad se junte mais uma vez quando a mais recente jogada do Necromancer desencadeia toda uma série de problemas com os quais são forçados a lidar. Entretanto, um encontro com Ethan relembra a Josie o porquê de esta não confiar mais nos seus poderes, levando-a a tomar uma decisão sobre o seu futuro.

Desde já, espero que a vossa semana tenha tido um começo bastante melhor que a minha. Infelizmente, procrastinar Hold on Tight até segunda-feira não surtiu o efeito desejado e o conteúdo do episódio não se alterou como por magia desde que este ficou disponível, há uns dias. Assim, faço agora um pedido de desculpas antecipado por estar um pouco mais rezingona que o habitual, mas a verdade é que o episódio não me permite estar de bom humor. Posto isto, podemos prosseguir.

Não vou andar com grandes rodeios no que diz respeito aos meus sentimentos em relação a este episódio. Aquilo que deveria ter sido um capítulo repleto de momentos de alto risco, despoletados pela decisão de Necromancer em convocar os monstros do passado de Legacies para uma espécie de apocalipse zombie (sim, leram bem), acaba por ser nada mais nada menos do que 43 minutos repletos de confusão, atalhos e conclusões narrativas pouco satisfatórias.

Sendo completamente honesta, são tantas as inconsistências neste episódio que se torna um pouco difícil falar sobre ele. Por momentos, isto fez-me sentir um pouco estúpida, mas vou atribuir a verdadeira causa do problema a um mau – para não dizer mesmo terrível – argumento. Pessoalmente, senti uma enorme dificuldade em acompanhar toda a situação entre Landon e Malivore, primeiramente porque não percebo quando é que a série começou a fazer uma distinção entre Malivore e o fosso (uma distinção que, na verdade, é feita e desfeita várias vezes durante o episódio e que certamente me causará um aneurisma se pensar demasiado sobre o assunto), e depois porque não é feita qualquer diferenciação entre os momentos em que Landon é ele próprio e aqueles em que se encontra possuído pelo seu pai – e sim, admito que esta parte pode ser propositada, mas mantenho a minha opinião.

Para benefício do que resta da minha sanidade mental, não vou debater sobre a possibilidade de Hope ter sido íntima, não com Landon, mas sim com Malivore. Aliás, gostaria de colocar qualquer tipo de memória que tenho desta cena numa caixinha e atirá-la para o fundo de um poço, mas como isso não é possível, tenho a dizer que fiquei um pouco perturbada em ver Landon desintegrar-se perante Hope após um momento de vulnerabilidade para uma personagem que já lidou com tanta perda. Relembrou-me imenso o cliché típico de filmes de terror em que uma personagem, geralmente feminina, é castigada de uma ou outra forma imediatamente após ter relações com alguém. Não gostei.

Como Legacies subscreve a máxima do “vira o disco e toca o mesmo”, tenho novamente de criticar a falta de importância dada a Hope, neste episódio. Cada vez mais a personagem aparece como um elemento secundário na sua própria série, um suporte ao que se tem vindo a tornar Landon Kirby’s Legacies, e há muito que perdi qualquer tipo de paciência que tinha para o assunto. Em Hold on Tight em particular, Hope parece quase desapegada dos acontecimentos e personagens que a rodeiam, sendo Landon a notável exceção. Incomoda-me que Legacies seja extremamente inconsistente no que diz respeito à importância das restantes personagens na vida de Hope, mostrando-a disposta a sacrificar tudo por elas num episódio que é depois seguido de outros três ou quatro em que mal interagem. Sinto falta do modo como a 1.ª temporada da série explorava as relações entre todos, quase como se tentasse conferir à nossa loba solitária uma alcateia de desajustados. Enfim, bons tempos.

Também eram bons os tempos em que os eventos celestiais ocorriam uma vez por século ou em que mundos prisão eram algo raro e difícil de criar, mas agora parecem surgir como solução para todo e qualquer problema. Perdoem-me o desabafo!

De volta a assuntos mais sérios, mencionei no episódio anterior que tinha alguma curiosidade em ver se Alyssa se viria a redimir no futuro e eis que, a muito custo, a personagem tem um momento de clareza e toma a decisão certa. Fico feliz em ver a bruxa ser aceite pelas suas colegas, ainda que Olivia Liang esteja de saída para uma outra série. Irrita-me um bocado que se tenha metido entre Lizzie e MG, mas no que diz respeito à relação entre os dois personagens, sou uma pessoa bastante paciente.

Gostei ainda de ver algum progresso por parte das gémeas: no caso de Lizzie, por se mostrar capaz de lidar com as adversidades com que foi confrontada ao longo de Hold on Tight e, no caso de Josie, por reconhecer que ainda não está preparada para retomar os seus poderes e decidir pedir transferência para Mystic Falls High. Estou entusiasmada em ver a fação humana incorporada na série e acredito que Josie é a personagem perfeita para navegar esta nova realidade em Legacies.

A única porção deste episódio que fez um verdadeiro esforço no sentido de melhorar o meu mau humor, no entanto, foi o pequeno momento de rap de Kaleb, mas nem isso foi o suficiente para me agradar durante muito tempo. Em especial porque o final da música faz referência ao facto de não terem perdido a esperança (hope), quando, na realidade, o Super Squad perdeu Hope mais uma vez e nem sequer se lembra do sucedido. Yay!

Como pensamento final, tenho a dizer que Legacies beneficiou imenso em ver Hold on Tight adiado devido à pandemia. Dada a reação coletiva ao episódio, que aparece, também, como o menos visto da história da série, tenho sérias dúvidas de que a sua audiência regressaria para uma nova temporada se tivesse demasiado tempo para pensar sobre o que aqui aconteceu. Preocupa-me, no entanto, que os argumentistas da série tenham tido vários meses para repensar e talvez mesmo retificar este episódio e, ainda assim, não o tenham feito. Ao invés, deixam-nos com um capítulo desinteressante e pouco coerente, que quase nos leva de volta ao início da 2.ª temporada.

Apesar de se encontrar entre as várias séries renovadas pelo canal The CW, o futuro de Legacies não me parece risonho. Ainda que continue no ar, a sua qualidade tem vindo a deteriorar-se a olhos vistos, com pouco ou nada a ser feito para inverter esta tendência, para meu desagrado. Finalizados os episódios pensados para a temporada anterior, resta-me apenas esperar sem grandes expectativas que a série encerre este seu capítulo mais atribulado e entre agora nos eixos, produzindo novas e melhores narrativas das quais sabemos ser capaz.

Nacionalmente, podem ver este episódio de Legacies, Hold on Tight, através da plataforma de streaming da HBO Portugal. Todas as sextas-feiras, é disponibilizado um novo episódio.

Inês Salvado