Classificação

8
Interpretação
8
Argumento
8.4
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers.]

Há muito que o dia 4 de maio (ou may the fourth) passou por nós, mas a força continua ainda do nosso lado neste agitado mês de junho. Sim, estou ciente de que esta introdução soaria muito melhor em inglês; sintam-se à vontade de me processar. De qualquer modo, a força esteve, sem qualquer sombra de dúvida, presente neste novo episódio de Legacies, apropriadamente intitulado A New Hope, em homenagem ao primeiro filme da saga que inspira este capítulo.

Presas numa nova alucinação (recorda os eventos de This Feels A Little Cult-y), Hope, Josie e Lizzie vêem-se obrigadas a procurar a saída do pesadelo de ficção científica em que agora se encontram. Entretanto, Alaric envia MG, Kaleb e Jed numa missão com o objetivo de fortalecer o seu espírito de equipa.

Vou ser bastante franca: há muito que não me divertia tanto com um episódio de Legacies. Admito que, após os eventos do capítulo anterior, estava um pouco reticente em relação ao que nos aguardava em A New Hope. Apesar de não me opor às usuais maluquices desta série, partilho que não sou a maior fã de Star Wars, pelo que não estava particularmente entusiasmada pela ideia de assistir este pequeno tributo. No entanto, a verdade é que a série superou em muito as minhas expectativas, apresentando à sua audiência um novo episódio bem estruturado que coloca, mais uma vez, o nosso adorado trio no plano principal, estando repleto de referências ao passado das nossas personagens e, de igual modo, às séries de onde são originárias. Consegue, em simultâneo, apelar a um sentimento de nostalgia, trazendo à memória momentos marcantes na vida das nossas bruxas, e lançar uma premissa emocionante para episódios futuros, surgindo, assim, como uma boa hora de entretenimento para os amantes deste universo criado por The Vampire Diaries The Originals

Numa galáxia distante, Hope, Lizzie e Josie encontram-se sob a influência de uma forte dose de nightshade, que as transporta para uma nova alucinação coletiva, baseada, em grande parte, numa história escrita por Lizzie quando a jovem bruxa tinha apenas 11 anos de idade. Naturalmente, a personagem usava o seu diário e as histórias nele contidas como forma de processar a sua realidade, sendo que este episódio aborda a sua relação com a sua irmã, Alaric, e também Hope. Sem grandes surpresas, a nossa protagonista aparece como vilã na história da pequena Elizabeth, enquanto Josie surge como um android cuja única função é servir a sua irmã. Não querendo entrar em grandes detalhes sobre as aventuras das nossas personagens, tenho a dizer que a porção inicial desta narrativa culmina com Lizzie a admitir não ser a escolhida – a heroína – nem mesmo numa história por si criada. Aquilo com que a personagem não contava, no entanto, é o facto de o seu diário ser domínio público, tendo o seu conto sofrido alguns remendos por parte de Josie e Hope, ao longo do tempo. Se, por um lado, Josie retificou o seu papel na história, acabando por ser muito mais do que a ajudante da Princesa Elizabeth Saltz-star, por outro, Hope remendou a sua relação com as personagens, ao mesmo tempo que criou um mundo no qual consegue derrotar o vilão e salvar a sua família.

Aqui, assistimos à minha porção favorita do episódio, aquela que vê The Hollow como vilã da história de uma jovem Hope que apenas queria regressar a casa, para junto daqueles que a amam. Não estava de todo à espera desta referência à vilã de The Originals, e muito menos de voltar a ver Summer Fontana nesta série, a contracenar com Danielle e as restantes atrizes. Enquanto fã da série que deu origem à personagem, achei as cenas entre as duas versões de Hope completamente devastadoras, mostrando o contraste entre uma criança que pretende a todo o custo salvar a sua família de uma força imensurável, e uma jovem adulta que sabe demasiado bem que esta história não tem um final feliz. A sua interação reforça ainda uma ideia que se tem tornado incontornável ao longo dos últimos episódios, levando Hope a aceitar, de uma vez por todas, que tem de se tornar numa tríbrida de modo a poder derrotar Malivore – o verdadeiro vilão deste episódio. A nossa protagonista não pode mais fugir ao seu destino, não quando a família que lhe resta se encontra em perigo e ela é a única que os pode salvar. Apesar desta transição não ter lugar em A New Hope, acredito que está para breve, e mal posso esperar por ver o verdadeiro potencial de Hope Mikaelson.

No geral, o tempo deste episódio passado no Planeta Mystic Falls aparece como uma excelente oportunidade para explorar novamente as nossas personagens principais, as suas inseguranças e os seus objetivos. Adorei o modo como esta narrativa permitiu à série abordar, de forma criativa, momentos importantes na vida do trio, que vieram a moldar a forma como estas personagens se relacionam e, também, como se vêem a si próprias. Este é, de longe, um dos capítulos com melhor roteiro desta 3.ª temporada, traduzido em tela por interpretações cativantes por parte do nosso elenco, em especial Danielle. Reforça ainda a minha máxima no que diz respeito a esta série: Legacies não precisa de se levar demasiado a sério para produzir bons episódios. É possível tratar de assuntos difíceis e emocionantes dentro de um contexto mais descontraído (ainda que, por vezes, ache necessário regressar à terra).

De volta a Mystic Falls – a cidade, não o planeta –, MG, Kaleb e Jed encontram-se na sua própria missão. Após os eventos de This Feels A Little Cult-y, episódio o qual introduziu um wendigo ao longo repertório de monstros da série, os três personagens partem em busca desta aberração de modo a poder derrotá-la de uma vez por todas, eliminando quaisquer traços deixados pela criatura nesta pequena cidade. Recordo que a mudança de escola por parte de MG é algo que incomodou bastante a Kaleb, em especial depois de o personagem ter visto o vampiro na companhia de Ethan, em Do All Malivore Monsters Provide This Level of Emotional Insight?. Sentindo-se substituído, Kaleb tem alguma dificuldade em aceitar o regresso do seu amigo de braços abertos, sendo que a sua storyline neste episódio culmina com uma conversa sincera entre ambos na qual resolvem os seus problemas. Mais uma vez, tudo está bem quando acaba bem, e estou feliz em ver um dos meus duos favoritos da série novamente em bons termos. Bom, este duo e Jed. Vou fazer de conta que o filme Eu, Tu e o Emplastro não me veio à memória.

Por falar em emplastro (ou, neste caso, talvez o termo “apêndice” seja mais apropriado), Alaric vê-se metido numa alhada quando Emma regressa e descobre que Dorian, o seu noivo (será marido? Sinceramente, não me recordo), saiu gravemente ferido da sua mais recente aventura com o personagem. Apesar de não ter grande – ou, na verdade, qualquer – interesse nos adultos desta série, a presença de Emma é sempre um aspeto bem-vindo em Legacies. Gostaria que a personagem ocupasse o lugar de Alaric enquanto headmaster da Salvatore School, mas sei que estaria a pedir demasiado. Ainda assim, a esperança é a última a morrer.

Quem parece não morrer é também Clarke, que regressa agora à série, tratando-se do monstro evocado por Andi no final do episódio anterior. Ainda que esteja agradavelmente surpreendida pela precisão do meu dedo que adivinha, estou desiludida em ver que o personagem será, novamente, um obstáculo a ultrapassar. A sua presença relembra-me do quão saturada estou no que diz respeito a toda a narrativa de Malivore, pelo que espero que Hope coloque um fim a esta história que se tem vindo a arrastar desde o início da série dentro em breve.

Como nota final, resta-me apenas reforçar que acredito que este é um bom episódio para Legacies, e lamento que chegue tão tarde nesta temporada que, durante imenso tempo, se mostrou incapaz de me cativar. Se há algo que estes últimos capítulos parecem mostrar é o facto de esta instalação começar, aos poucos, a melhorar de nível, agravando o meu desagrado perante a sua prematura season finale. Não espero que o próximo episódio tenha grande sucesso em substituir o final de temporada, não sendo esta função para o qual foi originalmente pensado, mas ainda assim acredito que será mais um capítulo interessante para a série, que nos deixará desejosos em descobrir qual será a sua continuação.

Legacies regressa já esta semana com o último episódio da sua 3.ª temporada, intitulado Fate’s A Bitch, Isn’t It?. Até lá, podes rever todos os capítulos da série através da plataforma de streaming HBO Portugal.

Inês Salvado