Classificação

7.6
Interpretação
7.3
Argumento
7.3
Realização
7.7
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Foi na semana passada que Grey’s Anatomy nos trouxe Give a Little Bit, o 18.º episódio desta temporada da série.

Neste novo episódio, Meredith lidera um dia de cirurgias pro bono, mas a esmagadora resposta por parte dos pacientes leva a que a médica tenha problemas em manter tudo em ordem. Ao mesmo tempo, DeLuca suspeita que a adolescente de quem trata se encontra em perigo e tenta desesperadamente que Bailey apoie a sua teoria.

Mencionei em reviews anteriores que, apesar de DeLuca se ter tornado num personagem cuja atitude é, no mínimo, desagradável, a sua storyline tem sido uma das mais interessantes nesta segunda metade da 16.ª temporada de Grey’s. Give a Little Bit volta a colocar a saúde mental do médico em destaque quando, no grande dia de Meredith, Andrew fica encarregue da clínica.

Aqui, DeLuca atende uma adolescente chamada Cindy, que foi trazida ao hospital por Opal, a sua tia, devido a uma possível hérnia. Durante a sua consulta, Cindy aparenta estar nervosa e assustada, enquanto Opal responde a todas as perguntas que o médico tenta colocar à sua paciente. O que aparentava ser uma situação normal rapidamente levanta suspeitas em Andrew, que assume, de forma talvez precipitada, que Cindy é vítima de tráfico humano.

Esta presunção leva a que DeLuca se comece a comportar de forma errática, importunando o serviço dos restantes médicos e, de forma mais significante, o balanço delicado das cirurgias marcadas para o crítico dia. O médico chama Bailey que, ao observar o seu estado e após ver a paciente em questão, resolve que Andrew está a exagerar e ordena-o a ir para casa – ordens que, é claro, DeLuca não cumpre. Então, o médico (que, relembro, não está autorizado a voltar ao bloco cirúrgico) resolve por bem tentar utilizar uma das salas reservadas para o dia para operar Cindy e, assim, afastá-la de Opal, o que também não resulta.

Um código violeta ressoa pelo hospital, alertando o staff para a existência de alguém – paciente ou médico – que se tornou violento ao ponto de se tornar uma emergência. Os nossos médicos dão de caras com Andrew, agora aos gritos com Opal, tentando a todo o custo colocar distância entre a sua paciente e a sua “tia”. O médico tenta explicar a sua teoria, mas sem provas concretas e armado apenas com um palpite, não há quem acredite nele. A situação não parece ser promissora para DeLuca, que acaba por ser afastado da sua paciente contra a sua vontade sob a ameaça de ser expulso de vez do hospital.

Talvez o mais frustrante desta situação, no entanto, é saber que, à semelhança do que aconteceu em episódios anteriores, Andrew tem razão e algo de muito errado se passa. Infelizmente, Bailey e Meredith só se apercebem do sucedido quando já é demasiado tarde e Opal, assustada pelas ações de DeLuca, parte com Cindy sem outra palavra. Mais uma vez, é a paixão de Andrew que o coloca em problemas – se tivesse sido mais razoável e medido nas suas palavras, se tivesse pensado um pouco sobre as suas ações, talvez os meios corretos tivessem sido acionados e Cindy teria sido removida da situação em que se encontra. Mas, a esta altura, é inegável que apesar das suas boas intenções e o facto das situações em que se encontra serem sempre de alto risco, Andrew não está bem e continua a piorar sempre que algo deste género acontece.

Se há algo de bom que tem surgido desta narrativa, é o facto de Giacomo ter a possibilidade de nos dar algumas das suas melhores performances até à data na série. A verdade é que, apesar de controversa, esta narrativa veio a quebrar um pouco a monotonia em que Grey’s Anatomy se encontrava e elevou novamente a fasquia. É impossível não sentir algo em relação ao que está a acontecer e estou imensamente curiosa em ver de que forma isto se desenrolará até ao final da temporada (até porque acredito que esta não será a última vez que vemos Cindy).

Entretanto, o dia de Meredith não corre conforme o esperado – mas, sejamos sinceros, com 25 cirurgias marcadas para um período de 12 horas, deveriam já esperar o pior. As interrupções por parte de DeLuca aliadas a algum mau funcionamento (e, na verdade, azar) por parte do hospital levam a atrasos nas cirurgias, mas nada temam! Em conversa com Koracick, Meredith descobre as circunstâncias manhosas do pequeno arranjo que o médico fez no passado episódio e, num ato muito à Robin Hood, a nossa Dr.ª Grey resolve estender a duração e frequência destes dias pro bono à custa do novo benfeitor do hospital. Ainda que admire a sua atitude, toda esta situação dá azo a que muito venha a correr mal, pelo que veremos de que forma isto virá a prejudicar os nossos médicos.

Já a relação entre Nico e Schmitt chega ao seu fim (e, sinceramente, bom para Schmitt). Jackson aprende que realmente não gosta de estar sozinho quando se vê com um bilhete extra para um jogo de basquetebol e encontra a companhia de Richard que, sinceramente, precisa de amigos. Entretanto, toda a história de Maggie e Richard serem processados chega a um abrupto e dececionante fim quando o irmão do médico resolve chegar a um acordo.

Por fim, enquanto que o relacionamento de Amelia e Link está, finalmente, encarrilado, o mesmo não pode ser dito sobre Teddy e Owen. O conhecimento de que Link é, na verdade, o pai do bebé de Amelia vem a abalar novamente Teddy, que começa a perceber a situação em que se encontra. A médica gosta verdadeiramente de Koracick, mas este afirma que não fará a Owen aquilo que lhe foi feito, e pede a Teddy que se distancie. Após anos a detestar tanto Owen como Tom, Grey’s consegue que tenha alguma pena de ambos e não sei como me sinto em relação a tal.

Inês Salvado