Classificação

7.5
Interpretação
7.4
Argumento
7.4
Realização
7.6
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Na semana passada, Grey’s Anatomy trouxe-nos Snowblind, o mais recente episódio da sua 16.ª temporada.

Neste episódio, Meredith e Carina questionam o comportamento de DeLuca quando este se oferece como voluntário para realizar uma tarefa que coloca a sua vida em risco durante o maior nevão de que há memória em Seattle. Entretanto, Bailey tenta ajudar Joey com o seu futuro e Richard treina uma nova interna.

Desde logo, algo que se destacou em Snowblind foi o facto de o episódio ter Beanie Feldstein (conhecida pelas suas prestações em Lady Bird e Booksmart) como principal guest star. Feldstein interpreta Tess Anderson, uma paciente no Grey Sloan que lida com o seu quarto caso de cancro. Durante grande parte do episódio, no entanto, Tess faz-se passar por uma interna, tendo Richard a seu lado como mentor, e só é apanhada quando Levi a encontra prestes a operar um outro paciente (algo que, sem dúvida alguma, colocaria o hospital em todo o tipo de problemas).

Apesar da situação precária em que encontramos esta personagem, facilmente simpatizamos com ela, não só por ser interpretada por uma face que já é familiar a muitos, mas também pela sua trágica história. Senti-me particularmente movida não tanto por Tess ter sido levada a desistir do seu sonho de ser médica – até porque Webber a encoraja a segui-lo novamente, pelo que me senti um pouco melhor em relação a esse aspeto –, mas sim por esta se sentir sozinha na sua luta contra os seus problemas de saúde. Nas suas próprias palavras, Tess fala sobre o modo como, da primeira vez que adoeceu, todos os seus amigos (e até mesmo os seus inimigos) demonstraram preocupação, mas que pela segunda e terceira vez que isso aconteceu percebeu que enquanto a sua vida parava por estar doente, a vida das pessoas à sua volta continuava. É um sentimento que, de uma ou outra forma, ressoa com todos nós, e foi definitivamente o que mais me afetou na sua narrativa.

Sendo Webber o personagem que mais interage com Tess, neste episódio, é fácil perceber que o médico simpatiza também com a situação da paciente. Richard partilha as suas experiências e os obstáculos que teve que ultrapassar para se tornar um cirurgião com Tess, e é através da interação entre ambos que descobrimos que a carreira de Richard está a chegar a um fim. A causa do problema é ainda incerta, com o próprio personagem a não saber se o tremor das suas mãos se deve a uma doença como Parkinson’s ou simplesmente à sua idade, mas o que é certo que os seus dias enquanto cirurgião estão contados. Quem sabe, no entanto, se Richard não se voltará a apaixonar por ensinar e treinar novos cirurgiões, adotando essa tarefa no que resta do seu tempo em Grey’s.

Entretanto, existem também novos desenvolvimentos no pentágono amoroso que é a relação entre Link, Amelia, Owen, Teddy e Koracick. Apesar de, na minha opinião pelo menos, Grey’s não o ter dado a entender anteriormente, parece que Teddy se tem estado a preocupar com a paternidade do bebé de Amelia – ou, por outras palavras, se existe a possibilidade deste ser filho de Owen. Esta sua suspeita é confirmada por Maggie e leva a que Teddy tome a decisão de reanimar o seu romance com Koracick, apesar de estar ainda numa relação com Owen. A esta altura do campeonato, acredito que estamos todos cientes da minha posição relativamente ao desastre ambulante que tem sido esta narrativa. Acredito que a decisão de Teddy apenas vem a mostrar que, na realidade, esta nunca quis esta relação com Owen e que estava apenas à espera de uma razão para a terminar (e, se esta não era a intenção dos escritores da série, lamento então informar que foi o que transpareceu). Pessoalmente, estou um pouco saturada desta história e não sinto qualquer tipo de entusiasmo em ver o seu desenrolar durante os episódios que se avizinham.

Já a narrativa de DeLuca interessa-me um pouco mais. Ainda que não goste nada da atitude que o médico tem vindo a ter para com as restantes personagens, é inegável que Grey’s parece estar a preparar-se para confirmar o diagnóstico de DeLuca a qualquer momento. Se é verdade que as suas ações para com os vários pacientes a seu cuidado têm sido admiráveis, também o é que Andrew não tem vindo a tomar as decisões mais racionais. A série parece andar numa corda bamba com o personagem, no sentido em que o que este tem vindo a fazer tanto pode ser interpretado como um médico que realmente é apaixonado pelo que faz, ou um que está rapidamente a perder a sua sanidade e a comportar-se de forma errática. Tenho curiosidade em ver qual das opções a série escolherá.

Enquanto tudo isto acontecia, Bailey tentava encorajar Joey a prosseguir com os seus estudos e a pensar no seu futuro, levando-o numa tour para conhecer os vários trabalhos que existem dentro de um hospital. Os laços já estabelecidos entre os dois fortalecem-se ao longo deste episódio e, de forma agradavelmente previsível, Bailey acaba por tomar a decisão espontânea de convidar o jovem a mudar-se para sua casa. Digo “espontânea” porque a médica “esquece-se” por completo de falar com Ben antes de tomar a sua decisão, mas algo me diz que o bombeiro não terá grandes problemas com o sucedido.

Por fim, e como se tem vindo já a tornar costume, temos ainda que falar um pouco sobre a ausência de Alex. Neste novo episódio, Jo parece conformar-se com a ideia de que o médico não irá voltar e que, para todos os efeitos, este a abandonou – algo que, pessoalmente, acho impossível, mesmo dadas as circunstâncias. Não acredito que Alex simplesmente deixaria Jo para trás, em especial tendo em conta a progressão da relação de ambos, no início desta temporada. Mencionei, na review anterior, que me preocupa a possibilidade de Grey’s não ser capaz de dar um final satisfatório ao personagem e cada vez mais me parece que este será o caso. Com o episódio desta semana a focar-se em grande parte em Alex e no passado das personagens da série, parece que teremos mais algumas respostas esta semana e, brevemente, voltaremos a encontrar-nos para falar sobre elas.

Inês Salvado