Classificação

7.3
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

A série Grey’s Anatomy regressa esta semana com um novo episódio em I’m Still Standing, o mais recente capítulo desta sua 17.ª temporada, que antecede a sua season finale.

Neste episódio, cujo título provém de uma música que não me sai da cabeça desde a passada sexta-feira, Levi é aceite como voluntário para um programa de testes para a vacina contra a COVID-19. Entretanto, Amelia e Owen dedicam-se a tratar uma paciente que sofreu um acidente de viação, enquanto Hayes e Jo passam a conhecer a nova guardiã de Luna.

Após os acontecimentos de Tradition, um dos meus episódios favoritos desta nova temporada, esperava um capítulo substancialmente menos interessante – e, verdade seja dita, as minhas suspeitas confirmam-se. De facto, I’m Still Standing é um episódio morno, que procura apressar várias narrativas de modo a preparar o final desta temporada. Assim, condensa nos seus 42 minutos de duração um total de seis semanas, repletas de altos e baixos para os médicos do Grey Sloan Memorial.

Meredith é uma das personagens que seguimos ao longo deste novo episódio. Apesar de vencer a sua batalha contra a COVID-19, os últimos três meses deixaram as suas marcas na médica, que enfrenta agora as consequências desta doença. A fadiga, em particular, é algo que preocupa bastante Meredith, ao ponto de a fazer questionar se o bloco operatório continua a ser o seu lugar. Nem mesmo o apoio de Bailey é suficiente para animar a médica, que não é capaz de imaginar a sua vida voltar ao que era antes. No entanto, à semelhança do que aconteceu com outras personagens da série, a pandemia e seus acontecimentos surgem como momento de reflexão para Meredith. Afinal, a vida antes da pandemia tinha os seus (muitos) problemas, problemas os quais não serão resolvidos a não ser que algo mude.

Assim, a Dr.ª Grey procura um novo rumo que lhe permita fazer a diferença a nível sistémico, mas, ao contrário de Jackson e Koracick, encontra a sua resposta no hospital para o qual trabalha quando Miranda sugere que fique à frente do programa de formação de residentes, ocupando a posição de Richard (pelo menos até se sentir em melhor forma). Nesta nova posição, Meredith tem o poder de decidir quem fará parte da residência, assim como alterar o currículo conforme ache necessário. É uma boa forma de utilizar a sua influência e dar início ao processo de mudar o modo como se pratica medicina neste hospital, juntando Grey’s o útil ao agradável ao manter a personagem na série e, em simultâneo, proporcionar-lhe novas oportunidades narrativas. 

Entretanto, Levi surge como outro personagem de destaque para I’m Still Standing. Como sabemos, a relação entre o personagem e Nico não é sem os seus altos e baixos, constantes desde o início do seu relacionamento. Em Good as Hell, Nico mostrou-se capaz de ultrapassar de uma vez por todas os seus problemas no que diz respeito a comprometer-se com Schmitt, mas a mudança de atitude tomou o nosso médico por surpresa, levando-o a retrair-se. É neste contexto que reencontramos os personagens, que não sabem ao certo qual o atual estatuto da sua relação, depois de tudo o que aconteceu. Assim, ao longo de seis semanas, Schmitt é forçado a enfrentar os seus sentimentos por Nico, em especial após ser abordado pelo médico encarregue de o monitorizar durante os ensaios clínicos. O acontecimento leva-o a (finalmente) enfrentar o seu namorado, que o recebe com um enorme gesto romântico. Pessoalmente, não consigo sentir-me investida nesta relação, em especial porque não acredito que Grey’s tenha feito um trabalho suficientemente bom em desenvolvê-la – ou sequer a desenvolver Nico enquanto personagem. Acaba por se tratar de uma narrativa que não me aquece nem arrefece, sendo que gostaria que a série tivesse feito um melhor trabalho ao invés de usar estes (e, sendo honesta, alguns outros) personagens como meros pontos de representação LGBT+.

Se há algo que realmente me interessou neste novo episódio, no entanto, esse algo foi a storyline de Jo. Desde a morte de Val (recorda Helplessly Hoping) que aguardo, impacientemente, o momento em que a médica decide candidatar-se a adotar Luna, a filha que a sua paciente deixou para trás. Ora, este mais recente capítulo da série traz consigo esse momento, sendo que Jo resolve enviar a sua candidatura após observar a atitude que a guardiã legal de Luna – uma assistente social nomeada para o seu caso – tem para com a criança, tratando-a quase como um inconveniente. Tendo seguido Luna desde o seu nascimento, Wilson acredita que a bebé merece uma vida melhor do que aquela que a espera, sendo esta a motivação necessária para colocar de parte as suas hesitações. Tudo parece correr bem, mas, em estilo típico de Grey’s Anatomy, nem sempre podemos ter o que queremos, e a candidatura de Jo é negada devido ao seu cadastro. É um momento devastador não só para a personagem, mas também para os fãs de Jo, que acompanham o arrastar desta narrativa desde muito antes de Luna aparecer sequer na série (lembram-se dos acontecimentos de Let’s All Go to the Bar?). Acredito que a série poderá estar a guardar um plot twist para o final desta temporada, mas estou desiludida com o que aconteceu neste episódio.

Entretanto, descobrimos também que Nico e Levi não são os únicos personagens a enfrentar problemas na sua relação, em I’m Still Standing. A verdade é que a jornada de Maggie e Winston não é sem os seus solavancos, sendo que os personagens entram em choque ao planear o seu casamento. Esta discussão tem início quando Pierce rejeita todas as ideias do seu noivo para uma união durante a pandemia, chegando à conclusão que, talvez, o melhor seria esperar até as coisas acalmarem antes de seguirem em frente com o casamento, uma vez que nada parece perfeito. Winston, é claro, não lida bem com a situação, sentindo-se magoado ao não perceber as intenções de Maggie. Passa-se algum tempo até Pierce se encontrar com o seu noivo no parque de estacionamento do hospital, pedindo desculpa pela sua atitude e admitindo que tudo se deve ao facto de sentir saudades da sua mãe e saber que esta não poderá estar presente no seu casamento. Aqui, o médico percebe por fim o que se passa – afinal de contas, Winston também perdeu a sua mãe. Mas Maggie muda a sua opinião relativamente ao acontecimento, sentindo-se preparada para fazer algo mais espontâneo, surpreendendo o seu noivo ao trazer a sua avó (e, também, o seu próprio pai) a Seattle para o evento. 

Por fim, Amelia aparece como personagem de interesse para este episódio, ao lidar com uma jovem paciente que se encontra em coma após um acidente de viação. De forma acidental, Amelia descobre que o cérebro de Skylar ainda se encontra reativo, em especial ao ouvir música. Assim, desenvolve um método de comunicar com a sua paciente utilizando o que resta da sua função cerebral, ainda que esta continue sem acordar. Não sei até que ponto a ideia seria exequível, mas, desta vez, estou disposta a fechar os olhos. Amelia torna-se obcecada com este caso, querendo, a toda a força, trazer de volta a jovem para que esta possa reunir-se com o seu pai. Afinal de contas, Amelia tem um filho seu, o que funciona como motivação extra para a médica. Descobrimos ainda que, apesar dos desejos de Link em ter uma família numerosa, a nossa Dr.ª Shepherd não planeia ter mais filhos. Isto não se deve a não gostar de crianças, mas sim ao facto de temer o que isso faria à sua saúde mental e, é claro, à sua sobriedade. Estou interessada em ver de que forma a série desenvolverá este assunto. Ainda que não queira que Amelia acabe por aceitar algo que não é do seu interesse, não acredito que seja justo para Link abdicar deste seu sonho, pelo que Grey’s terá de abordar o assunto com cautela de modo a produzir uma boa resolução.

Como nota de rodapé, resta-me apenas desejar que Helm tivesse mais algum protagonismo, tratando-se de uma das várias personagens que estão sempre presentes na série sem lhe ser conferido qualquer tipo de verdadeiro destaque. Há muito que se tornou claro que Taryn se sente só, estando a sua storyline deste episódio interligada com a de Gwen, uma paciente que finge sofrer complicações cirúrgicas de modo a poder passar mais tempo no hospital ao invés de regressar à sua casa, onde não tem ninguém que lhe faça companhia. Acredito que se trata de uma personagem com algum potencial por explorar e gostaria de ver a série explorar este seu elemento numa altura em que a maioria das suas personagens de renome já deu o que tinha a dar.

Grey’s Anatomy regressa já esta semana com a sua season finale. Podes acompanhar a série todas as quartas-feiras, às 22h20, na FOX Life Portugal.

Inês Salvado