Classificação

7.5
Interpretação
7
Argumento
7.3
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

O mês de março traz-nos o aguardado regresso de Grey’s Anatomy com este Helplessly Hoping. A mid-season premiere desta 17.ª temporada surge também como segunda parte do mais recente crossover entre a série e Station 19.

Neste novo episódio, o pessoal médico do Grey Sloan Memorial lida com uma situação complicada, na qual muito está em jogo. Ao mesmo tempo, Jo convence Hayes a quebrar as regras num dos seus casos, enquanto Jackson interrompe a escapadela romântica de Maggie e Winston. Por fim, Amelia e Link debatem-se sobre como contar a Zola acerca do estado de saúde de Meredith.

É impossível falar sobre este episódio sem entrar em grandes detalhes, pelo que aviso desde já que, daqui em diante, este artigo estará repleto de spoilers. Se ainda não assististe ao episódio, considera este aviso como uma última oportunidade para o fazeres antes de prosseguires. Tudo visto? Então, continuemos.

Naquela que tem sido uma das temporadas mais deprimentes de Grey’s Anatomy, Helplessly Hoping mostra-se capaz de se destacar dos restantes episódios da temporada ao ser o mais desanimador até à data. Não só continuamos a lidar com uma narrativa principal fortemente focada no verdadeiro inferno que tem sido esta pandemia, como Meredith permanece ligada a um ventilador, pacientes continuam a cair que nem tordos e nem mesmo os nossos médicos conseguem escapar à crescente lista de fatalidades da série.

Se, como eu, não assistem a Station 19, o começo deste episódio pode aparecer como uma surpresa – algo que, desde logo, me causa bastante desagrado. Sou completamente a favor de crossovers, em especial quando são bem conseguidos, mas odeio sentir-me sob a obrigação de ver uma série de modo a compreender os eventos de outra. Enfim, só um pequeno desabafo! De forma bastante resumida, dando seguimento aos eventos de No Time for Despair, Andrew e Carina encarregam-se de seguir Opal, uma personagem que conhecemos de episódios anteriores, ligada a uma operação de tráfico humano. A arriscada missão acaba com a personagem sob custódia policial, enquanto DeLuca é esfaqueado com bastante gravidade e, posteriormente, transportado para o hospital.

É aqui que começa este episódio que, infelizmente, deixa a grande maioria da conclusão de uma narrativa que tem vindo a ter alguma importância para Grey’s e para as suas personagens, em especial para DeLuca, no seu spin-off, negando assim aos fãs da série este breve momento de satisfação. Ao invés disso, somos presenteados com um capítulo desprovido de qualquer tipo de verdadeira felicidade, no qual mesmo os momentos de breve alívio são assombrados pela inevitabilidade da morte (de tal forma que, durante uma das cenas finais de Andrew e Carina, a música que acompanha este momento afirma que “it’s not dark yet, but it’s getting there”). Isto faz com que o próprio clímax de Helplessly Hoping perca impacto. Afinal de contas, o que é mais uma morte no meio de tanta tragédia?

Apesar das minhas palavras algo duras, Helplessly Hoping não aparece como um mau capítulo para a série. Em vários momentos, trata-se de um episódio emotivo, sério, acima de tudo triste, que a meu ver peca principalmente por não proporcionar a DeLuca o adeus merecido. Pessoalmente, sinto que a história de Andrew ainda não estava em posição de terminar – uma ideia que é reforçada em parte pela série, apesar do seu desfecho final. Tudo isto é ainda mais difícil de aceitar numa altura em que DeLuca tinha aceitado, finalmente, ajuda para os seus problemas mentais e se encontrava agora numa jornada positiva. Parece que Grey’s está empenhada em passar a mensagem de que a vida termina inesperadamente, algo que aceitaria com naturalidade num outro contexto, mas que, de momento, vivia bem sem recordar.

Nem mesmo o facto de Andrew ser tratado (e, eventualmente, falecer) no hospital para o qual trabalha chega para aumentar a carga emotiva que a sua morte deveria ter. Por vezes, o episódio aproxima-se desse momento, como foi o caso da cena em que Richard observa a sua primeira cirurgia. Mas, de forma pouco sensata, muitos dos momentos de tensão que deveriam ser reservados a DeLuca são ao invés desviados pelo drama entre Teddy e Owen, pelo qual não nutro qualquer tipo de interesse, muito menos num episódio deste género. O único momento que verdadeiramente arrancou qualquer tipo de emoção de mim acontece quando Carina recorda, com carinho, um episódio da sua infância com Andrew, referindo-se a ambos como duas metades de um todo.

Fiquei também incomodada com a morte de Val, a paciente que fez a sua primeira aparição em My Happy Ending após Jo descobrir que esta tinha um feto a crescer fora do útero e perto do seu fígado. Em minha defesa, é raro não ficar minimamente agarrada a pacientes cuja história se estende ao longo de diversos episódios e Val é o exemplo perfeito desse caso. A sua existência na série foi miserável do início ao fim e saber que a personagem faleceu sem antes poder segurar a sua filha custa-me imenso. Num episódio repleto de tragédia, estava quase à espera de que a bebé prematura se juntasse à longa lista de casualidades de Grey’s, mas parece que escapou. A sua cena final com Jo, no entanto, relembra-me da altura em que acreditei que a médica viesse a adotar uma criança, algures na temporada anterior, pelo que me questiono se a série está a pensar em seguir em frente com essa decisão.

Por fim, gostei das cenas entre Amelia, Maggie e Zola. Apesar de toda a ação em casa das personagens parecer um pouco deslocada do resto do episódio, as suas cenas, apesar de tristes, conseguiram ser também algo reconfortantes, tendo em conta os eventos do episódio.

Em suma, Helplessly Hoping é um episódio razoável para Grey’s Anatomy, que não existe sem as suas várias desilusões. Não funciona por completo enquanto episódio de regresso da série, mas deixa espaço para narrativas com potencial.

Podes acompanhar Grey’s Anatomy todas as quartas-feiras, às 22h20, na FOX Life Portugal.

Inês Salvado