Classificação

7.5
Interpretação
7.5
Argumento
7
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

É com No Time for Despair que a 17.ª temporada de Grey’s Anatomy chega à sua winter finale, sendo este o último episódio da série até meados de março do próximo ano.

Neste episódio – o sexto desta temporada –, o Grey Sloan Memorial vê-se sob pressão ao preparar-se para aceitar pacientes de hospitais que se encontram já sobrelotados. Entretanto, Owen e Amelia enfrentam um dos casos mais controversos das suas carreiras, enquanto o quadro de Meredith vê novos desenvolvimentos.

Talvez uma das narrativas mais relevantes para este episódio é uma que aparece transportada da temporada anterior da série (apesar de ter sido, também, revisitada de forma breve nesta season premiere). Refiro-me, é claro, à questão do tráfico humano, trazida novamente à forefront do episódio quando os nossos médicos acabam por cuidar não só de duas raparigas, vítimas deste crime atroz, como também do seu raptor, após as duas terem começado um incêndio na casa onde se encontravam cativas de modo a alertar para a sua localização (toda esta ação decorre em Station 19, lidando Grey’s com o seu rescaldo).

Como já aconteceu anteriormente na série, os médicos encarregues de tratar do sequestrador veem-se num dilema moral entre a sua vontade e o seu dever, sendo que, pessoalmente, esta parte da narrativa não me impactou da forma que gostaria por a achar um pouco repetitiva (novamente, não é a primeira vez que médicos em Grey’s tratam personagens de caráter questionável), se bem que a cena em que Amelia coloca em evidência o quão facilmente poderia arruinar a vida do homem em questão me trouxe algum conforto. Afinal de contas, são pensamentos muito humanos que qualquer pessoa poderia ter – até mesmo os médicos.

Gostei um pouco mais, no entanto, da forma como os restantes médicos lidaram com a situação das raparigas, nomeadamente da forma como Pierce liberta a sua frustração e coloca em evidência o modo como diferentes circunstâncias afetam de maneira desproporcional diferentes grupos de indivíduos. Apesar de acreditar que a série poderia aligeirar o seu diálogo de forma a tornar estas cenas um pouco menos forçosas ou estilo public service announcement, defendo que determinadas conversas são necessárias e que as séries de televisão são dos melhores meios para as ter.

Ainda dentro do tópico do tráfico humano, ver Olive a vaguear pelo hospital encheu-me de nervos, ainda que soubesse que era apenas uma questão de tempo até DeLuca a reconhecer. Assim, quando isso finalmente aconteceu, fiquei com o coração aos pulos, mas claro que as grandes aventuras do duo DeLuca estão reservadas para o regresso da série.

O meu aspeto favorito deste episódio, no entanto, foram as cenas entre Meredith – que resolveu, ainda que por momentos apenas, regressar ao mundo dos vivos – e Koracick. Apresentaram-se como a dupla improvável de No Time for Despair, trazendo algum calor e vida a este meu coração de gelo. Fiquei bastante tocada quando Koracick admitiu não aguentar mais estar perto de pessoas a morrer, sendo que a humanidade das suas cenas e diálogo foram o verdadeiro highlight do episódio… Até Meredith colapsar novamente, isto é.

Por fim, também DeLuca e Bailey surtiram esse mesmo efeito, com os papéis a inverterem-se relativamente à temporada anterior. Quem diria que DeLuca seria um dia a voz da razão e apoio a Miranda? Foi deveras um momento querido entre ambos e gostaria imenso de ver esta sua relação de amizade desenvolver-se no futuro.

Como sempre, podem ver este episódio de Grey’s Anatomy às 22h20 de quarta-feira, dia 23 de dezembro, na Fox Life Portugal.

Inês Salvado