Classificação

7.5
Interpretação
7
Argumento
7.5
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Esta semana, Grey’s Anatomy dá seguimento à sua season premiere com My Happy Ending, o terceiro episódio desta sua 17.ª temporada. Tendo este episódio o mesmo nome que a icónica música de Avril Lavigne (seguindo assim a longa tradição da série de nomear episódios após músicas), esperava que fosse um sucessor à altura dos dois capítulos iniciais desta temporada. No entanto, não senti que o fosse e fiquei até um pouco desiludida com o mesmo.

“Lavem as mãos. Usem uma máscara. Mantenham sempre uma distância de dois metros de outras pessoas.” É com estas recomendações que começa este novo episódio – palavras que ouvimos inúmeras vezes ao longo destes últimos meses, mas que nem por isso se tornam menos relevantes. Afinal de contas, ninguém é imune a este vírus e até mesmo com todos os cuidados, qualquer um se pode tornar uma nova vítima desta pandemia.

Para surpresa de ninguém, este é o caso de Meredith. Após os eventos do episódio anterior, que viu a médica colapsar depois de semanas a tratar pacientes com Covid-19, a nossa personagem principal testa positivo para este vírus. De forma alarmante, a sua saúde vai-se deteriorando, deixando Meredith numa autêntica luta pela sua própria vida – e, como seria de esperar, a Dr.ª Grey não é propriamente a paciente mais bem-comportada.

Apesar de não haver qualquer sombra de dúvida que Meredith não deseja morrer (por mais tentador que seja o seu dreamscape com Derek), nem sempre as suas ações vão ao encontro desse mesmo desejo. Se, para alguns, o altruísmo de Meredith em negar um ventilador para que este possa ser usado por pessoas que “realmente precisam de um” é algo a louvar, para mim apresentou-se apenas como uma atitude idiota de alguém que, estando na linha da frente desta pandemia, deveria saber quando aceitar ajuda.

Posto isto, Ellen Pompeo produz mais uma boa atuação neste novo episódio. Ao longo de My Happy Ending e com a progressão da condição de Meredith, torna-se evidente que a falta de oxigénio começa a afetar a médica. À medida que nos aproximamos do final do episódio, vemos que até mesmo falar é uma tarefa demasiado exigente para a médica, que precisa de respirar fundo entre palavras para conseguir formar uma frase. A vulnerabilidade demonstrada por Meredith quando esta afirma que tenta não dormir pois teme não voltar a acordar é algo a que não sou indiferente, pelo que, apesar das minhas muitas críticas relativamente à atitude de Meredith perante a doença, elogio a sua humanidade.

Talvez mais interessante, no entanto, é o impacto que a condição de Meredith tem sobre aqueles que se preocupam com ela, nomeadamente sobre Maggie. Gostei de ver o seu conflito entre desempenhar o papel de médica e de familiar, e a sua decisão de abandonar a equipa médica de Meredith para melhor a poder apoiar – pressionando Teddy no processo a centrar as ideias e fazer o seu trabalho. Também os esforços de DeLuca são valorizados e nem mesmo Hayes escapa aos elogios, tendo estado lá para Meredith quando esta precisava de alguma direção. Por fim, a decisão de Meredith em nomear Richard responsável pela sua saúde caso esta chegue a um ponto em que se vê incapaz de tomar decisões parece-me acertada, sendo o médico uma das pessoas ainda presentes na série que melhor conhece Meredith e os seus desejos.

A par e passo com a condição de Meredith, este episódio viu também a chegada de novos internos a Seattle. Grey’s tomou a decisão sensata de encurtar a lista de novas personagens para este ano, com a grande maioria dos internos a abandonar a posição após um dia a aturar Koracick (que, já agora, também testou positivo neste novo episódio). De entre estas novas faces destaco Alma Ortiz (Lisa Vidal), uma ex-assistente social que não só é competente no seu trabalho, como também tem a sensibilidade necessária para tomar determinadas decisões.

De forma geral, este foi um episódio razoável para a série, que apenas me desiludiu por não aprofundar o suficiente certos acontecimentos – nomeadamente, o caso do bebé que se desenvolveu fora do útero, sobre o qual Jo, Bailey e Carina trabalharam juntas. Algo que, noutras circunstâncias, seria um grande caso para a série, tendo as próprias personagens admitido que é algo extremamente raro e de alto risco, é rapidamente resolvido sem grandes complicações, levando-me a sentir uma certa dessatisfação com a sua resolução, apesar de se tratar de um final feliz. Parece-me que tudo foi tratado de forma bastante leviana, e sinto que este episódio foi um pouco mais disperso que os anteriores, tornando-se incapaz de prender a minha atenção durante a sua totalidade.

Nacionalmente, podem acompanhar Grey’s Anatomy todas as quartas-feiras às 22h20, na Fox Life Portugal.

Inês Salvado