Cada vez mais há séries para todos os gostos, com a emergência dos serviços de streaming e com a aposta dos canais de televisão nalguns dos maiores sucessos internacionais. Com as séries também cada vez mais ao alcance de todos, a popularidade que algumas delas atingem é incrível. São aquelas que todos veem, de que todos falam, aquelas cujos spoilers estão em todo o lado. Há também aquelas que para além de conquistarem o público também convenceram, inegavelmente, a crítica. Confesso que não sou a maior fã dessas séries que a crítica considera das melhores de sempre nem das que deixam as pessoas comuns absolutamente coladas ao ecrã. Ok, é claro que cada um tem o seu género de séries e há coisas que sei que, à partida, não são nada o meu, e que talvez tenha sido essa popularidade excessiva que me fez espreitar algumas delas, mas acho que o hype excessivo às vezes revela-se prejudicial. Pelo menos é o que sinto e, em discussões sobre o assunto, constatei que não sou a única a pensar isso. A popularidade excessiva das séries estraga a experiência? É precisamente sobre este tema que me vou debruçar. Porque mesmo que tenha gostado de algumas das séries de que aqui vou falar, o facto de não as ter adorado não me permite desfrutar delas da mesma forma mágica que a maioria das pessoas.

Não há muitas séries que, mais do que Game of Thrones e Breaking Bad, movam montanhas de fãs e deliciem os críticos. Consideradas por muitos como as melhores séries de sempre, da primeira desisti ao fim de algumas temporadas e da segunda ao fim de poucos episódios. Nenhuma delas tinha grandes probabilidades de se tornar numa das minhas séries preferidas, especialmente GoT, que envolve muita fantasia, género de não sou, de todo, fã. Na altura em que deixei de ver foi por falta de tempo, mas penso que, se não tivesse sido isso, mais tarde ou mais cedo tê-la-ia abandonado espontaneamente. Não gosto da maior parte das séries da HBO e apesar de esta me ter convencido o suficiente por algum tempo, a verdade é que nunca me senti verdadeiramente mergulhada na experiência. Ok, Cersei Lannister é espetacular de se ver no ecrã, Tyrion tem algumas frases memoráveis, mas nunca me importei muito com quem sobreviveria, morreria ou ocuparia o Trono de Ferro e Arya e Daenerys irritavam-me profundamente.

Breaking Bad, bem… Digam o que disserem, para mim foram quatro ou cinco episódios bastante chatos. Vi-os com o meu irmão e ele partilha da opinião, portanto ficámos por ali. Nunca senti vontade de dar uma nova oportunidade a nenhuma destas duas séries porque confio na impressão com quem fiquei antes de as ter abandonado. Não quero com isto tirar o mérito a nenhuma delas, até porque, lá está, são produções que, à partida, não teriam nada para me marcar, mas talvez pudesse ter sido capaz de desfrutar do que vi de uma forma diferente se meio mundo não as visse como duas das melhores séries a que este mundo já assistiu.

Se não sou apreciadora de fantasia, o mesmo posso dizer sobre histórias de espiões. No entanto, Killing Eve parecia-me ter bastantes coisas a seu favor: primeiro, Sandra Oh, que nunca se cansou de brilhar em Grey’s Anatomy, mas também Villanelle. Adoro vilãs e havia um potencial enorme para que também me apaixonasse por esta. Aliás, a cena de apresentação da personagem é qualquer coisa de brutal e tem que ficar para a História! Há algo de extremamente cativante em Villanelle no pouco que vi (uns cinco episódios e alguns vídeos aleatórios de cenas mais recentes no YouTube): o lado implacável aliado a um outro divertido, quase angelical e inocente, que nos faz torcer por ela mesmo sabendo que isso é errado.

No entanto, já me mantive demasiadas vezes agarradas a séries só porque havia uma personagem de quem gostava demasiado para deixar de ver e decidi saltar fora antes que me colocasse novamente nessa situação. Sei que é suposto o jogo do gato e do rato entre Eve e Villanelle ser extremamente cativante, mas aquilo de que mais gostei na série não foi o suficiente para me abstrair do facto de que estava a ver uma trama de espiões. Nem sequer consegui ficar suficientemente entusiasmada pela dinâmica da dupla principal e fui vendo alguns episódios sem ansiar pelo que aconteceria dali para a frente. Ok, não espreitei esta série apenas pela popularidade que alcançou, mas também porque achei que havia potencial para que Eve e Villanelle se tornassem um dos meus novos ships preferidos, só que tal ficou longe de acontecer. Killing Eve ficou aquém daquilo que achei que poderia ser, portanto ficou pelo caminho.

One Tree Hill e Friday Night Lights estão na minha lista de séries preferidas, mas no geral até não sou muito fã de tramas adolescentes. Acho que já há demasiadas séries passadas no liceu e a maioria não me dizem grande coisa. No entanto, os nuestros hermanos andavam em alta no mundo das séries com La Casa de Papel e Élite e decide espreitar esta última para perceber o porquê de tanto falatório. Por esta altura, dado o teor da crónica, já perceberam que o drama espanhol não me conquistou. Não acho que haja nada de diferenciador na série, até porque gente rica numa escola de renome remete para Gossip Girl. Aqui não temos uma alma misteriosa a revelar os segredos de todos, mas a componente de mistério chega-nos através de um assassinato que é revelado logo no primeiro episódio.

Élite não é chata, tem alguns momentos bastante engraçados, cortesia de Christian, os episódios veem-se bem, mas não vou comprometer-me com uma série a longo prazo só para descobrir quem é o assassino e os seus motivos. Porque realmente não houve nada que me tivesse colado ao ecrã ou feito pensar que tinha que ver mais. É uma daquelas séries em que não pensei um segundo sequer quando não a estava a ver. Ora, gosto de séries que deixam em mim a sua marca e esta não tinha nada para o fazer. A única coisa que achei realmente fixe foi o guarda-roupa. Esses pensamentos não me costumam passar pela cabeça, mas deu-me vontade de assaltar o armário de algumas daquelas personagens.

De séries em relação às quais não tinha muitas expectativas, vamos passar para outras em relação às quais tinha grandes esperanças (ou algumas, vá). Comecemos por Sorry For Your Loss, uma série que prometia um tema interessante e o drama que tanto aprecio. A crítica  gostou bastante desta série, considerando-a honesta na sua abordagem a questões sensíveis e eu não discordo disso, mas não senti nenhum clique. A personagem principal é uma jovem viúva a lidar com a morte do marido, que se debatia com problemas de saúde mental. Através de flashbacks, acompanhámos o passado dos dois e, no presente, vemos Leigh a aprender a lidar com a sua nova vida, sem o homem que amava.

Elizabeth Olsen é bastante boa atriz e o núcleo principal do elenco também se sai bastante bem (embora não tenha gostado muito de ver Mamoudou Athie), a mãe e a irmã de Leigh são espetaculares, mas é difícil gostar da personagem principal e os episódios, apesar de não serem propriamente chatos, também não passam a voar, embora sejam de curta duração. Sou uma confessa fã de histórias deprimentes no geral, mas não de qualquer uma. Decidi levar a 1.ª temporada até ao fim, mais por não querer deixá-la a meio do que por outra coisa, e fiquei-me por ali. Não creio que o meu problema tenha sido o facto de a série ser demasiado real ou demasiado deprimente, é daquelas séries que não consigo explicar muito bem o porquê de não ter gostado.

Não vou dizer que não gostei de The Morning Show, mas há muita coisa que não apreciei na série. Aqui as minhas expectativas estavam nos píncaros! A crítica adorou, o pessoal que eu conheço também só falava bem, o tema parecia tudo aquilo que adoro numa série e a dupla principal, constituída por Reese Witherspoon e Jennifer Aniston, também me deixava muito curiosa, mas agora que vi a 1.ª temporada posso dizer que não vou ver a próxima. A série pega em temas que adoro ver abordados e que são extremamente relevantes, como comportamentos sexuais impróprios, a cultura de silenciamento das vítimas, bem como daqueles que fecham os olhos ao que acontece, e abuso de poder. A  série tinha tudo para se tornar uma das minhas preferidas, mas ficou longe disso. Reese é uma pérola e a sua Bradley Jackson é uma personagem incrível que merece todo o tempo de ecrã e mais algum, mas a personagem de Aniston é irritante, o Mitch de Carell não me transmite o carisma que é suposto que tenha e o facto de aquele programa ser tratado como se de notícias se tratasse faz-me uma comichão tremenda.

Talvez não seja tão trivial como o programa da Cristina Ferreira ou outros do género, mas não vamos esticar a coisa e fingir que é um Telejornal. A própria forma como as questões relevantes desta série foram abordadas não me conseguiu conquistar e dei muitas vezes por mim a pensar que os episódios eram muito longos, que alguns deles roçavam o chatos, até, e que sempre que Witherspoon não estava no ecrã a série perdia o fogo. The Morning Show é uma série boa, isso é inegável! No entanto, eu estava à espera de algo que me deixasse a pensar ‘uau’ e que me desse vontade de recomendar a toda a gente. Era isso que me tinha sido ‘vendido’ por tudo e todos. Senti-me bastante desiludida que esta série não tenha significado isso para mim.

Outra da qual esperava tudo era This Is Us. A sério, achei que tinha possibilidades de exercer sobre mim sensações fofinhas como Parenthood ou Everwood já tinham conseguido, mas não. O piloto deixou toda a gente a falar sobre a série e o quão adorável era, todos  pareciam apaixonados por aqueles personagens e pela família Pearson no geral. Supostamente, This Is Us era capaz de fazer chorar as pedras da calçada. Eu, uma pessoa que chora a ver coisas foleiras como Grey’s Anatomy (uma das eternas séries da minha vida, por isso sinto-me no direito de dizer tão mal dela como já disse bem), estava ansiosa por fazer uso dos lenços de papel, mas vi mais de uma mão cheia de episódios e os meus olhos mantiveram-se secos, não me emocionei uma única vez.

A série é querida e parece-me boa para ver em família, mas apenas isso. Fiquei muito desiludida por não ter visto em This Is Us aquilo que a generalidade das pessoas parece ter visto. É precisamente em relação a esta série e a The Morning Show que me senti mais vexada. Foram aquelas de que mais gostei nesta lista, mas também era delas que esperava tudo, por serem produções que me deram uma imensa vontade de ver assim que foram anunciadas. Depois, os méritos que atribuíram a ambas quando estrearam ainda aumentaram mais as minhas expectativas. Se fossem séries pelas quais ninguém, eu incluída, dava nada e das quais tivesse gostado o balanço seria positivo, mas assim funciona da forma contrária. Acho que é precisamente esse o encanto das séries mais desconhecidas que quase ninguém vê. Não esperamos nada porque pouco ou nada sabemos sobre elas e podemos simplesmente desfrutar da experiência.

Ora, deixo o melhor para o fim: Big Little Lies! Só vi a série depois desta ter ganho tudo o que tinha para ganhar nos Emmys, mas já estava na minha watchlist há muito tempo. Big Little Lies tem um elenco fabuloso – vale a pena destacar as brilhantes interpretações de Reese Witherspoon (já perceberam que a adoro) e Laura Dern – e uma boa história, mas havia ali muita coisa que me parecia plástica e que não me  convenceu totalmente. Toda a gente parecia partilhar de um deslumbramento que só consegui sentir com o último episódio da 1.ª temporada. Não achei que a série estivesse ao nível em que a crítica e os espectadores a colocavam, mas também não acho que aqui a popularidade tenha algumas culpas no cartório. Estranhamente ou não, a 2.ª temporada, que quase todos parecem ter considerado que ficou bem aquém da primeira, deixou-me maravilhada. Tivemos mais tempo de ecrã dedicado à amizade entre aquelas mulheres, tivemos uma anteriormente desinteressante Bonnie com um dos melhores arcos da temporada e uma Meryl Streep que, embora num papel extremamente irritante, é sempre alguém que vale a pena ver representar. A série já não tinha o material do livro para se basear e seguiu muito bem o seu próprio caminho. Bem, e é uma das poucas séries da HBO de que consegui gostar verdadeiramente. Tem que ter o devido crédito por causa disso!

Em suma, a verdade é que, no que me diz respeito, parecem ser mais as vezes em que a grande popularidade de uma série me estraga a experiência do que aquelas em que consigo desfrutar verdadeiramente daquilo que estou a ver. E tu, sentes o mesmo ou nem por isso?

Diana Sampaio