Classificação

9.5
Interpretação
9.3
Argumento
9.2
Realização
9
Banda Sonora

Este artigo contém spoilers!

Segundo episódio de Westworld e mais uma experiência fantástica de televisão! Arrisco-me a dizer que, neste momento, Westworld é de longe a melhor série da atualidade. Vou analisar este episódio tendo em conta os saltos temporais. Isto é, Westworld acontece durante apenas numa linha temporal, mas com saltos para a frente e para trás nela.

Começamos este episódio com o real world, que muitos esperavam ver. Não sabemos onde é, mas a grande teoria do momento é de que será algures perto da China devido a algumas referências no episódio, uma delas quando William diz a Logan que está cansado devido ao jet lag. Mas vamos por partes. Dolores é levada por Arnold até uma exposição onde ele e Ford vão apresentar o projeto do Westworld. É suposto Dolores ser usada como espécie de presente sexual para convencer Logan a apostar no projeto, mas a relação próxima dela com Arnold faz com que Ford a troque por Angela. Numa das melhores cenas televisivas dos últimos tempos, vemos a apresentação do projeto a Logan, onde ele é desafiado a descobrir quem é robô e quem não é. Logan erra e delira com tal descoberta, dizendo que aquela tecnologia está muito para a frente do que os humanos são capazes.

A outra parte da linha mostra William, depois de visitar o parque, a regressar a ele com James Delos, pai de Logan, que está furioso por o filho ter investido naquele projeto. William faz um discurso desafiador onde diz a James que o parque vai permitir conhecer a verdadeira essência das pessoas e coletar informação sobre elas. Mais tarde, uns cinco ou seis anos depois, vemos a festa de despedida de James Delos, que se vai reformar devido a doença. William passa a ser o chefe da Delos. Facto curioso é James dizer que talvez exista uma esperança para a morte. Será essa a função dos anfitriões? Vemos também um Logan acabado e metido nas drogas. A dada altura, numa referência à festa de despedida do pai, Logan diz que eles estão a celebrar o início do fim da humanidade.

William e Dolores têm algumas cenas durante o episódio. É difícil precisar o tempo, mas, numa delas, William acusa Dolores de não ser nada e de não sentir nada, quase como se a acusasse de ser um robô e de não o poder amar de volta. A seguir, vemos William a mostrar-lhe um local que ele mandou construir ao qual chamou Glory. Esse momento seria um erro crítico de William.

No tempo atual, ou seja, depois da rebelião dos anfitriões, vemos três núcleos. Num temos o homem de preto, William, que encontra Lawrence e vão até El Lazo, ex-personagem de Lawrence, agora interpretado por Giancarlo Esposito de Breaking Bad, para que este disponibilize os seus homens a lutar com ele. El Lazo rejeita e repete o que Ford lhe havia dito antes, que este jogo ele tinha de jogar sozinho e, nesse momento, todos cometem suicídio.

Dolores, seguida por Teddy e Angela, encontra-se com Maeve, seguida por Hector e Sizemore. As duas guerreiras encontram-se. Dolores tenta formar equipa com ela, mas Maeve rejeita, pois tem a sua narrativa a cumprir, que é encontrar a filha. Dolores leva os seus seguidores até Glory, onde diz que um velho amigo lhe mostrou um dia e que é aí que vão destruir os humanos.

Acabo esta crónica com três pontos que quero deixar:

  •  Uma vénia do tamanho do mundo aos atores desta série. Que trabalho incrível! A Evan Rachel Wood é fenomenal. Que atriz sensacional!!! Muito bem ‘apoiada’ por um elenco fora de série
  • Esta série mostra o quanto a parte técnica consegue ser importante a contar uma história; a edição é extraordinária. Tudo é pensado ao pormenor. Tudo é montado de maneira a fazer sentido. Tudo é feito de maneira a deixar a história a fervilhar na cabeça dos espectadores
  • A evolução das personagens é muito boa. Claro que o trabalho dos atores também se enquadra neste ponto, mas a forma como tudo é escrito de forma a fazer sentido deixa-me perplexo; a história de William, por exemplo, e a forma como a crueldade do amor rejeitado e esquecido da Dolores o marcou… Não. Ele não é o mau da fita. É apenas um homem marcado pela vida e pelas suas circunstâncias. É só fenomenal!

Carlos Real