Dark Angel: a história da primeira assassina em série britânica
| 18 Jan, 2022

[Contém spoilers]

Está disponível no Disney+ a minissérie britânica Dark Angel, que o serviço de streaming dividiu em três episódios, apesar de o canal ITV a ter emitido em apenas duas partes, corria o ano de 2016. Esta série partilha o nome com outra, protagonizada por Jessica Alba, mas não há quaisquer semelhanças entre as duas.

A história é uma adaptação do livro Mary Ann Cotton: Britain’s First Female Serial Killer, de David Wilson, e inspira-se na história real de Mary Ann Cotton, que se pensa que possa ter sido a primeira mulher britânica serial killer. O conceito é bastante interessante, mas a série não consegue ser cativante. Não vou dizer que os episódios são propriamente aborrecidos, porque isso não seria justo, mas também não agarram ao ecrã. Por isso mesmo, acho que foi sensato por parte do Disney+ dividir a série em três episódios com cerca de 45 min ao invés de apenas dois mais longos.

No centro da trama temos então Mary Ann, que é tudo menos uma personagem carismática. Já tinha visto Joanne Froggatt durante toda a jornada de Downton Abbey e também dei uma espreitadela aos seus papéis em Liar e Angela Black, mas é uma atriz que não me consegue conquistar e isso faz toda a diferença quando se trata da protagonista. Do início ao fim, a série leva-nos a suspeitar de Mary Ann. Todos os seus filhos morrem, o mesmo acerca dos maridos… Parece que qualquer pessoa que esteja por perto corre sério risco de vida, por isso sabemos sempre com o que contar. Depois, há tantas mudanças na vida desta mulher, que tive alguma dificuldade em manter-me a par. Dei por mim a confundir nomes e a sentir alguma dificuldade em fazer certas associações e vi os episódios em três noites consecutivas. É claro que isto também acabou por funcionar contra a série e não acho que se tivesse devido a distração da minha parte.

Achei interessante a parte em que a nossa personagem principal fez seguros de vida para os maridos e para os filhos para receber o dinheiro depois das suas mortes. Não imaginava que já fosse possível fazer seguros destes por volta de 1870! Depois o outro elemento de maior interesse da série fica reservado para quando começou a haver suspeitas acerca do comportamento de Mary Ann. O círculo começa a apertar-se à volta dela, mas admira-me que tivesse acontecido tão tarde. Não me lembro se na série foi exatamente assim, mas esta mulher teve 13 filhos na vida real e só dois é que sobreviveram. É claro que estamos a falar de uma altura em que a taxa de mortalidade infantil era muito elevada, mas não deixa de ser um número muito alto e juntando isso à morte dos maridos e aos seguros de vida… Outros pontos positivos são alguns personagens ligados a Mary Ann, como o padrasto, a melhor amiga, a vizinha e o enteado, sendo que estes dois tiveram uma relação muito fofinha que gostei imenso de ver. O padrasto suspeitava que havia algo de errado e era um homem com bom coração, algo que, aliás, estas quatro personagens têm em comum.

Dark Angel tinha bastante potencial, mas não acho que passe de uma minissérie mediana. Não me conseguiu fazer sentir grandes emoções e o que é mais revoltante do que uma data de crianças a serem mortas pela própria mãe? Os historiadores estão de acordo acerca de Mary Ann ter sido responsável pela morte de várias pessoas, mas não conseguiram provar um número exato. No entanto, pensa-se que poderão ter sido um máximo de 21.

Diana Sampaio

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