Classificação

9.5
Interpretação
9
Argumento
9.5
Realização
9
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Foundation propõe-se a fazer algo que é extremamente difícil: fazer do sci-fi um sucesso em televisão. Terá conseguido um elenco de luxo, bolsos sem fundo e muito talento para criar uma obra que agrada a gregos e troianos? Bom, após The Emperor’s Peace, acredito ser um redondo sim.

É percetível desde cedo que a série não nos leva ao colo e temos de prestar bastante atenção ao que se passa no ecrã. Somos inundados com referências, nomes de planetas e personagens, o que pode ser algo avassalador. Ao mesmo tempo, a história permite-se a respirar entre diálogos e deixa-nos processar os acontecimentos enquanto somos deslumbrados por um incrível visual. Se há alguém que pode abrir cordões à bolsa é a Apple, mas nem sempre isso se traduz em qualidade. Em Foundation, sentimos o dinheiro a fluir pelas vistas. De cenários riquíssimos a planos de imagem amplos, efeitos visuais de classe e um guarda-roupa invejável. No final do piloto há um evento que merecia ser visto em IMAX…

O elenco reúne uma mistura de talento incontestável (liderado por Jared Harris, como um matemático que consegue prever quando é que o império galáctico, que já reina há milhares de anos, irá cair) e algumas caras novas (Lou Llobell, uma mente brilhante que foge da opressão religiosa e acaba a ser usada como isco). Mas embora não tenha dúvidas que iremos ver mais brilho destas e outras personagens nos restantes nove episódios, há uma que brilha acima de todas as outras. De Pushing Daisies a Halt and Catch Fire, de Hobbit à MCU… Lee Pace deixa a sua marca por onde passa e este Brother Day não desilude. Day é uma das arestas da tríade que governa o império – um em fim de vida (Dusk), um em educação (Dawn) e um governante (Day) – rodando entre eles a responsabilidade de o fazer, usando a clonagem para a “imortalidade”. São tratados como autênticos deuses e Pace, com uma presença poderosa que combina o soft e o perfurante, exalta esse estatuto. O piloto (e acredito que grande parte da temporada) é dele.

No final da primeira hora, poucas ou nenhumas são as respostas dadas, mas são expostos arcos e saltos temporais que coçam a curiosidade. A maior pergunta é: se um império soubesse de antemão que está condenado, conseguiria evitar a própria destruição? Ou o conhecimento fará acelerar o seu destino? Esta e outras perguntas filosóficas contracenam com a beleza da matemática elevada a arte e a crueldade da violência que condena gente que só quer sobreviver. Há uma componente religiosa e de luta entre classes e muitas outras temáticas que a série pode explorar para enriquecer mais a história, tendo necessariamente de equilibrar todos os ingredientes para não dar uma papa.

O piloto de Foundation enche-me de confiança para a temporada. Há muito que anseio por outra grande série de sci-fi e acredito que Foundation poderá ser essa série. Conseguirá agradar tanto aos fãs de Asimov como os estreantes? Conseguirá cativar publico suficiente que justifiquem o investimento e para que haja mais temporadas? Veremos…

O Melhor: Lee Pace, o espetáculo visual e uma galáxia rica em variedade.

O Pior: Pode não convencer quem não gosta de tramas mais “confusos”.

Vítor Rodrigues