Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
9
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

Generation 56K (Geração 56K, em português) surge agora na Netflix, e o primeiro episódio, The Date (O Encontro), faz com que seja impossível não querer devorar a série de uma só vez.

Repleta de humor, bons diálogos e uma excelente banda sonora, Generation 56K conta-nos a história de um grupo de três amigos em dois momentos das suas vidas: em 1998, quando ainda eram crianças, e em 2021, quando dating apps, casamentos e rendas para pagar são tópicos recorrentes. 

Daniel Mottola (Angelo Spagnoletti), Sandro Farina (Fabio Balsamo) e Luca Battaglia (Gianluca Colucci) são amigos desde muito novos e cresceram juntos. A narrativa passada em 1998 mostra o momento em que os três jovens descobrem o mundo da pornografia, da sexualidade, e também a vontade tremenda de jogar videojogos. Metem-se no meio de uma rede de aluguer de cassetes de vídeos pornográficos, iniciada por um colega de escola, de modo a conseguirem fazer dinheiro para comprar uma PlayStation. Escusado será dizer que penso que este negócio não vai correr como inicialmente idealizaram. Posteriormente, mas, na série, em paralelo, no ano de 2021, os três amigos têm preocupações diferentes: Daniel terminou a sua última relação há seis anos e está à procura de um novo amor em dating apps, Sandro é casado e está no processo de tentar ter filhos, e Luca aparenta ter alguns problemas de sociabilidade (maioritariamente no que toca a mulheres), vivendo com os amigos, em vez de ter uma casa própria.

Contudo, a narrativa foca-se em Daniel, o protagonista da série, que, depois de vários encontros com várias mulheres, tem finalmente um encontro que o faz pensar duas vezes. Será aquela a nova mulher da sua vida? Será que, ao fim de tantos anos, voltou a encontrar o amor? O que Daniel não sabe, mas que, ao longo do episódio, vai sendo dado a entender ao visualizador, é que a mulher que conheceu não é quem pensava ser. Neste sentido, até nós, os visualizadores, somos surpreendidos, porque passamos o episódio todo a achar que é uma pessoa quando, na verdade, é outra.

“O problema que não é problema”: esta é mais uma série que romantiza e ignora, em parte, os perigos das aplicações do estilo Tinder e Grindr. Sempre que vejo séries ou filmes que abordem esta temática, sinto que há uma tendência para desvalorizar os perigos que podem advir da utilização de certo tipo de aplicações, parece tudo demasiado fácil e despreocupado. Tendencialmente, não gosto quando isso ocorre, mas, honestamente, em Generation 56K, essa parece ser a parte menos relevante da história (apesar de, para já, ser um dos focos principais).

O tom da série é descontraído, a história, apesar de simples, é interessante, e simpatizamos tanto com o protagonista que, com cada pequena vitória, ficamos felizes. É fácil ignorar as partes menos boas, porque as partes inteligentes e divertidas são muito mais marcantes e bem desenvolvidas.

Inês Ribeiro