Classificação

7
Argumento
8
Interpretação
7.5
Realização
6
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Lisey’s Story é mais uma história de Stephen King que ganha vida no pequeno ecrã, começando com este primeiro episódio, Bool Hunt. Vindo de um homem que tem mais de 60 livros na sua conta, é normal também já ter umas quantas boas adaptações, mas como qualquer fã do autor sabe, quando vem aí uma adaptação até trememos. Será que vai ser mais um The Stand ou vamos ter a sorte de um 11.22.63? Os fiascos são mais do que os sucessos, mas tenho que confessar que as minhas expectativas estavam altas, devido ao grande elenco que a série tem e devido à história ser uma bem referenciada (é das poucas que ainda não li).

Então e qual é a história de Lisey? Como os seguidores da obra de King sabem, este tem uma grande fixação por escrever sobre a perspetiva de um autor problemático e são mesmo muitos os livros em que o personagem principal é um escritor. Alguns exemplos são Misery, It (um dos jovens é um autor conhecido quando se torna adulto) e The Dark Half, mas desta vez ele decidiu fazer o processo inverso e, quem sabe, inspirar-se em Tabitha, a sua mulher, para escrever sobre a esposa de um escritor muito famoso que foi assassinado por um fã obcecado e que começa a receber as atenções de um stalker com uma panca muito grande pela obra não publicada do seu falecido marido. Como a especialidade de King é escrever boas personagens mentalmente perturbadas, tem tudo para correr bem e ser uma boa adaptação.

No entanto, o piloto não serviu de tira-teimas, até porque, a não ser que seja mesmo muito mau, raramente dá para perceber o potencial de uma série apenas pelo primeiro episódio, como por exemplo aconteceu com a minha review do pilot de The Stand em oposição à review de temporada. Temos a talentosa Julianne Moore a interpretar Lisey e Clive Owen como o seu marido falecido que vai aparecendo em vários flashbacks e memórias; o papel de stalker é ocupado por Dane DeHaan. Neste episódios somos expostos à história de como Scott morreu e ficamos a conhecer Lisey como uma mulher tremendamente apaixonada pelo marido e que acima de tudo quer dar-lhe – e ter – a paz que merecem sem querer sucumbir aos tubarões, que querem fazer dinheiro da fama de um escritor morto, e também aos seus problemas familiares, que ainda não foram explorados muito a fundo. No entanto, há claramente ali conteúdo para ver. Aliás, que raio de obra de King seria esta se não houvesse passados familiares trágicos em cima da mesa?

A banda sonora é discreta e a edição/realização é bastante boa, notando-se que se trata de uma boa produção da Apple TV+. Esta série será composta por oito episódios e já se encontram dois disponíveis. O facto de se saber que é uma minissérie já em si é bom, porque sabemos que não vão cair no erro de tentar esmiuçar demasiado o conteúdo. Em suma, gostei e irei continuar a ver, ainda só estou indeciso se leio o livro primeiro ou continuo a ver os episódios à medida que saem.

E tu, o que achaste?

Raul Araújo