Classificação

8.5
Interpretação
8.5
Argumento
8
Realização
7.5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

We Children from Bahnhof Zoo (título original Wir Kinder vom Bahnhof Zoo) é a mais recente chegada à HBO Portugal e tem uma mistura com potencial: série alemã + baseada num livro. O que é que poderia correr mal nesta mistura? Muita coisa, mas felizmente correu tudo bem e temos um belo e sólido piloto. Baseada no livro Zoo Station: The story of Christiane F., ou em Portugal mais conhecido como Os Filhos da Droga, conta-nos a história verídica de crianças que se viram metidas no mundo da droga em Berlim. Sim, é um tema pesado e é mais uma série pesada que a HBO nos dá a conhecer depois de It’s a Sin e I May Destroy You.

Começamos por acompanhar Christiane no seu primeiro dia na escola, onde começa por formar amizade com Stella, a primeira influência que leva Christiane a fumar. Mais tarde somos introduzidos aos restantes protagonistas Babsi, Benno, Axel e Michi. Não vou entrar em detalhes sobre a vida de cada um, porque esta review não vai conter spoilers, mas, como podem imaginar, todos eles têm problemas, de diferentes naturezas, uns familiares, outros de saúde, outros de isolamento, que os leva a procurar um escape. Escape esse que pode ter consequências bem piores.

Neste piloto de We Children From Bahnhof Zoo, Puppies, as coisas não vão muito a fundo, afinal de contas é apenas o primeiro de oito episódios que compõem esta minissérie, mas é o suficiente para se perceber ao que se vem. Não é uma série para ver de estômago vazio, vamos ver duras realidades e cenas chocantes. Aliás, neste primeiro já houve duas que me deixaram com uma ligeira volta na barriga, uma protagonizada por Babsi (que ainda não decidi se foi a que menos gostei da performance ou a que mais gostei por ser tão estranha e desligada da realidade) e outra por Benno. Quero destacar também a performance de Janna McKinnon enquanto Christiane, consegue transmitir-nos uma inocência que, infelizmente, tenho a certeza que vai desaparecer durante os próximos sete episódios. Não almejo ver a altura onde a realidade lhe vai tirar o sorriso da cara. Já vi algumas críticas sobre os atores serem mais velhos do que era suposto, mas, para gravar cenas com a intensidade que esta série tem e pede, não poderia ser de outra forma. No final do episódio já nos ligámos com as diversas personagens e o objetivo principal está conseguido. Fiquei agarrado para ver o restante.

Não é a ignorância que nos protege do mundo e do refúgio da droga, são sim relatos e histórias destas que nos mostram o mundo tal como ele é. Cru e bruto. Há séries e há séries. As primeiras têm o propósito de entreter, de passarmos um bom bocado, de nos ligarmos às personagens e queremos saber o que lhes acontece, no fundo de ser uma boa história. As segundas, têm uma mensagem e uma história a passar. Podem mudar a maneira como pensamos sobre determinados temas e como agimos em determinadas situações. Não é que um género seja melhor que o outro, ou tenha mais valor, nada disso mesmo. Mas esta série pertence claramente à segunda caixinha.

Por fim, uma nota de destaque para a boa produção, banda sonora e elenco que as séries alemãs nos estão a habituar. Não se nota uma grande diferença para as grandes produções de Hollywood. E já temos vários grandes sucessos mundiais produzidos na Alemanha. Tudo bem, eles também têm 47 temporadas de Alerta Cobra (não, não estou a exagerar) pelo que também não podemos tecer-lhes demasiados elogios, mas vá, vão no bom caminho!

Vou de certeza ver até ao fim. E vocês?

Raul Araújo