Classificação

8.5
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
8.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

“Masks have taken on various meanings over time. Deceit. Disguise. Cheap entertainment. But as Jung once said, we all wear masks, both to create an impression upon others, but also to hide our own true natures.”

Após um breve hiato, Batwoman regressa esta semana com Initiate Self-Destruct, o mais recente episódio da sua 2.ª temporada. Este novo e emocionante capítulo marca a primeira aparição de Wallis Day no papel de Kate Kane, estabelecendo um novo enquadramento para a personagem e lançando as bases para o conflito que se avizinha.

Ainda neste episódio, os eventos de Arrive Alive levam a que Ryan seja agora confrontada com uma situação difícil que ameaça expô-la enquanto vigilante da perigosa cidade de Gotham, criando uma divisão na bat team. Entretanto, os planos de Black Mask para Kate começam a desenrolar-se. Por fim, Alice reencontra-se com alguém do seu passado e Sophie é forçada a decidir a qual fação – Crows ou bat team – jurar lealdade.

Como acontece com alguma regularidade, não escolhemos a citação que dá início a esta review por acaso. A verdade é que temos que concordar com Sionis e admitir que, de forma inteligente, as máscaras tomam várias formas neste novo episódio de Batwoman, adotando, de igual modo, diversos significados. Se, por um lado, podem aparecer como algo físico, escondendo a verdadeira identidade daqueles que as usam, por outro, surgem também como uma barreira metafórica, ocultando determinados elementos ou intenções que as nossas personagens procuram manter em segredo. Assim, poderão ver ao longo de Initiate Self-Destruct estas diversas interpretações, presentes, de uma ou outra forma, em todas as personagens da série.

Initiate Self-Destruct começa com a revelação do caminho de Kate para o resto da temporada. Raptada por Black Mask e por Enigma, Kate é submetida a um tratamento similar ao que foi reservado para Alice pela Dr.ª Rhyme – ver as suas memórias apagadas. Antes disso, é importante referir que foi bom ter uma confirmação verbal de que esta personagem se trata realmente de Kate Kane, como dito pela própria, visto que a série já provou que nem sempre alguém é quem achamos ser. Posto isto, a nossa ex-Batwoman não só foi obrigada a esquecer-se de tudo, como viu as suas memórias substituídas pelas de Circe Sionis, a filha de Black Mask. Além disso, Sionis coloca uma máscara da cara desta em Kate, trazendo realmente a vilã de volta a Gotham. Relembramos que esta família tem as suas desavenças com a mulher por detrás da capa, sendo que Roman acusou a vigilante (bom, a antiga vigilante, isto é) de assassinar a sua filha em Rule #1. Assim, faz sentido que utilize a personagem para levar a cabo o seu elaborado plano de vingança.

Conforme referimos, este episódio marca a primeira vez que a atriz Wallis Day, que irá substituir Ruby Rose no papel de Kate Kane, aparece nos nossos ecrãs. Ainda que não tenhamos visto o suficiente da atriz neste papel para formar uma opinião concreta, foi cómico o momento em que a série, inevitavelmente, é obrigada a  reconhecer as diferenças entre esta nova Kate e a antiga, quando Enigma revela que a sua voz não vai ser igual à de Circe, pois a sua laringe havia sido danificada durante o rapto e subsequente tortura (ironicamente, pelos próprios homens de Sionis). Esta justificação funciona como uma espécie de 2 em 1, explicando a diferença entre as Kates, bem como o porquê de Circe não poder ter a sua voz original. É um começo interessante para esta nova Kate, principalmente quando se confronta com Alice, mais tarde no episódio. Fica a dúvida se ainda há uma réstia de memória da ex-Batwoman naquele corpo ou se neste momento é totalmente controlado por Circe Sionis. 

De volta a Roman, no entanto, o vilão de destaque desta metade da 2.ª temporada ordena o rapto de Ocean após descobrir que o personagem se encontra vivo e de boa saúde. Esta decisão surge como uma solução ao facto de Angelique não saber a receita completa para o fabrico de snakebite, sendo que Ocean é o único que conhece esta fórmula na sua totalidade, tendo sido o responsável pela sua criação. Assim, o personagem é levado contra a sua vontade pelos capangas de Sionis após uma noite (bem) passada com Alice, juntando-se assim à ex-namorada de Ryan e colocando tudo em andamento para a improvável team-up deste episódio entre a nossa anti-heroína favorita e a protagonista da série.

A dinâmica entre Alice e Ryan colocou à prova as suas diferenças, mas também realçou as suas semelhanças. Relutantemente, Ryan vê-se forçada a formar uma dupla com a sua inimiga, pois ambas precisam de salvar as suas caras-metade e têm mais possibilidades de sucesso se trabalharem em conjunto. É sempre interessante ver a gémea de Kate a interagir com personagens mais sérias, pois faz lembrar uma criança de 5 anos a tentar comunicar com um adulto, como foi claro nas cenas dentro do batmobile, em que Alice tenta carregar em todos os botões possíveis para irritar Ryan. 

De igual modo, foi interessante perceber as suas similaridades, neste caso, porque as duas estão apaixonadas. É principalmente relevante ver Alice num lado mais soft e vulnerável, algo a que praticamente nunca temos a oportunidade de assistir. Ryan também se apercebe disto, aproveitando para brincar com a vilã acerca desta sua faceta mais desprotegida. O facto de Alice se referir a si própria enquanto anti-heroína ao invés de vilã é um fator que não passa despercebido e surge a favor da série, que reconhece a verdadeira natureza de uma personagem que sempre mostrou ser muito mais do que o exterior duro que procura apresentar a todos os que têm a infelicidade de cruzar o seu caminho. Esta máscara que Alice utiliza descai por várias vezes ao longo deste episódio, proporcionando a Ryan a oportunidade de se aproximar como nunca antes conseguiu. 

Infelizmente, este pequeno vislumbre não é o suficiente para convencer a nossa protagonista, que resolve trair Alice da mesma forma que Kate a traiu, na temporada anterior. Fazendo suas as palavras de Alice, Ryan relembra que não pode salvar todos, dando a entender que a irmã de Kate simplesmente não vale o esforço. É uma atitude inesperada por parte da nossa Batwoman, que acaba aqui por nos desiludir ao fazer algo que esperávamos de alguém considerado um vilão e não de uma heroína. Percebemos a necessidade de vingança de Ryan pela morte da sua mãe, mas esperamos que o facto de Alice ter referido que se lembrava desta pessoa tão importante na sua vida faça com que a nossa protagonista tenha um pouco de esperança na humanidade de Alice e que este seja o início de um melhor caminho na relação entre as duas. De qualquer forma, temos a felicidade de anunciar que as personagens se mostraram capazes de libertar Ocean e Angelique, que se encontram agora livres de viver a sua vida longe de Sionis. Ainda assim, as ações de Ryan e Alice solidificam o seu estatuto enquanto principais inimigas de Black Mask, sendo que a traição de Ryan leva a que Alice seja feita prisioneira da família Sionis no final deste mesmo episódio.

Entretanto, Sophie vê-se numa corrida contra o tempo para proteger a verdadeira identidade de Batwoman, após o ADN de Ryan ser recolhido de uma cena de crime pelos Crows em Arrive Alive. Armada com esta informação, a agente utiliza o bat signal para convocar a vigilante favorita de Gotham ao infame ponto de encontro, partilhando assim a informação com Ryan, sem nunca dar a entender (de forma óbvia, isto é) que conhece a identidade da pessoa por detrás da máscara. Sophie promete à sua aliada que irá fazer tudo ao seu alcance para atrasar o processo e impedir, assim, que a nossa heroína seja exposta. Como incentivo adicional, Ryan relembra a Sophie que passará os seus momentos finais enquanto Batwoman a corrigir os erros dos Crows para com Angelique, alguém que a agência estava encarregue de proteger, pelo que Sophie tem a obrigação de salvaguardar a vigilante. 

Isto leva-nos à mais recente colaboração entre a agente e a bat team, sendo que acreditamos que, a esta altura do campeonato, Sophie pode ser considerada um membro honorário desta equipa. Uma vez que a amostra de sangue de Ryan não pode ser destruída, estando já a ser processada pelo departamento forense dos Crows, Sophie terá de impedir os seus colegas de realizar o upload dos resultados para uma base de dados que os irá relacionar com o ADN de Ryan, já presente no sistema. Para facilitar o processo, Mary serve como pombo-correio entre a agente e Luke, entregando a Sophie uma targeted kill drive criada por Fox para eliminar o registo e expondo-se, assim, como membro da bat team (apesar de Mary insistir que não conhece a vigilante). Este pequeno atalho acaba por não ajudar em muito, no entanto, uma vez que Sophie descobre que vários perfis de ADN estão a ser carregados em simultâneo e de forma anónima, sendo que a kill drive não seria capaz de discernir o ADN de Ryan dos restantes. Isto resultaria num enorme problema, uma vez que a perda destes perfis significaria a liberdade para muitos dos criminosos da cidade. Assim, a agente toma a decisão de procurar o perfil de Batwoman manualmente, conseguindo apagá-lo do sistema antes que este tenha a possibilidade de o comparar ao de Ryan. Trata-se de uma pequena grande vitória para a bat team e para Sophie, que consegue envergonhar Tavaroff à frente de todos. 

Initiate Self-Destruct surge ainda como um bom episódio para Mary, que começa agora o processo de reabrir a sua clínica após esta ter sido forçosamente encerrada pelo seu pai em Do Not Resuscitate. A nossa estudante de medicina favorita apresenta o seu projeto a Jacob, comprometendo-se a cumprir os requisitos legais para o seu funcionamento ao mesmo tempo que reforça a ideia de a clínica ser algo para toda a comunidade. Assim, apesar de chegar a um meio termo com o seu pai, confessa que não reportará determinados incidentes, abrigando a comunidade desfavorecida de Gotham de quaisquer tipo de consequências legais neste espaço seguro. Surpreendentemente (para Mary, isto é), Jacob não apresenta objeções à proposta, encontrando-se sob a influência de snakebite e, honestamente, incapaz de grandes raciocínios. É curioso que esta mudança de atitude de Jacob não tenha preocupado Mary, mas percebemos que a felicidade sentida pela personagem ao saber que poderia reabrir a sua clínica possa ter tido alguma influência no assunto. Ainda assim, existe uma personagem que reparou que algo de errado se passa com Jacob e esse alguém é Sophie. A agente dos Crows juntou as peças do puzzle ao descobrir vestígios de snakebite no escritório de Jacob, quando se viu forçada a utilizar o seu computador, neste novo episódio. Esta informação é transmitida por Sophie a Mary, que, apesar de inicialmente incrédula, não tardará a confrontar o seu pai com as provas apresentadas.

Posto isto, resta-nos apenas celebrar a partida de Angelique, que se despede de Ryan neste novo episódio após ser colocada num programa de proteção de testemunhas. A ex-namorada da nossa protagonista chega a convidar Ryan para se juntar a ela, sem grande sucesso. A verdade é que Wilder se mostrou capaz de criar uma boa vida para si própria em Gotham e encontra-se agora numa posição que lhe permite ter um impacto positivo sobre a sua comunidade, dentro e fora do fato e do seu papel enquanto vigilante. De forma compreensível, Ryan simplesmente não pode (e não quer) abandonar aquilo que criou, mesmo que isso signifique que Angelique não fará mais parte da sua vivência. Não sabemos se esta será a última vez que veremos esta personagem, mas acreditamos que, por agora, a sua história termina da melhor forma possível: com um novo começo à sua frente, repleto de possibilidades para uma vida melhor.

Batwoman regressa já nesta próxima semana com um novo episódio em I’ll Give You a Clue. Até lá, podes acompanhar a série através da HBO Portugal, com um novo episódio disponível na plataforma de streaming todas as terças-feiras.

Ana Oliveira e Inês Salvado