Classificação

7.5
Interpretação
7.5
Argumento
7.5
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers.]

“I liked you better when you acted like I didn’t exist.”

Regressamos hoje com um novo episódio da 2.ª temporada de Batwoman. Do Not Resuscitate dá continuação à luta de Ryan Wilder contra a sua incapacitante infeção de kryptonite, a qual ameaça comprometer a capacidade da nossa heroína proteger a cidade de Gotham. Entretanto, o interesse acrescido por parte de terceiros em replicar o sérum da Desert Rose coloca as vidas de Mary e Jacob em perigo. Por fim, a reunião de Alice com um outro ex-habitante de Coryana (podem rever Gore on Canvas para contexto) resulta em complicações inesperadas.

Se, até agora, Batwoman nos tem proporcionado episódios que, em grande parte, fizeram avançar o grande conflito desta temporada (a busca por Coryana e Kate Kane), Do Not Resuscitate decide, a meu ver, focar-se um pouco mais na evolução das suas personagens, sem nunca negligenciar a história que tem vindo a desenvolver.

Nesta linha de pensamento, Ryan aparece como uma das personagens de destaque deste novo episódio. A nossa protagonista retoma oficialmente a sua relação com Angelique, conhecida por fornecer drogas aos ricos e poderosos e a verdadeira responsável pelos 18 meses que Ryan passou encarcerada. A personagem é um fosso de problemas, mas é inegável o quanto se preocupa com Ryan e, de igual modo, o quanto Ryan se preocupa com Angelique. Apesar dos esforços da nossa Batwoman em afastar a sua namorada deste estilo de vida, torna-se claro que Angelique gosta do que faz e que não pretende ceder no futuro próximo, pelo que será interessante ver de que forma isto afetará a dinâmica entre as duas personagens, ainda que não esteja completamente rendida ao casal. Posto isto, tenho sentimentos mistos relativamente à decisão tomada por Ryan, neste episódio. É inegável que Ryan se encontra numa situação complicada. Percebo que a nossa protagonista esteja preocupada com a sua namorada e queira fazer a coisa certa, mas rapidamente se tornou claro que esta não foi a forma correta de lidar com o assunto.

Ainda sobre Ryan, este episódio dá continuação à sua batalha contra a perigosa infeção causada pela kryptonite que a tem vindo a debilitar ao longo da temporada. Cada vez mais, a ferida torna-se um assunto incontornável, incapacitando Ryan no seu dia a dia e, principalmente, nas suas atividades enquanto vigilante da cidade de Gotham. A radiação que infeta o corpo da protagonista chega a níveis alarmantes, ameaçando a vida da personagem e proporcionando uma nova fonte de motivação para chegar o quanto antes a Coryana, sendo a Desert Rose a única cura possível. Toda a situação aproxima ainda a personagem de Luke, que começa agora a entender a dedicação de Ryan ao seu papel.

Também Mary aparece como um ponto de destaque neste novo episódio de Batwoman. Do Not Resuscitate explora um pouco mais a relação da personagem com Jacob, conferindo à Hamilton algum tempo de antena que, pessoalmente, esteve em falta ao longo do início desta temporada. Os dois são raptados por Aaron, um rapaz que nasceu com um transtorno mental e que piorou após tratamentos experimentais levados a cabo pela Hamilton Dynamics causarem o surgimento de um cancro no seu cérebro. É a própria empresa que o leva a atacar Mary e Jacob, com o objetivo de descobrir onde a futura médica arranjou a milagrosa cura que salvou os cidadãos de Gotham em Prior Criminal History. Isto leva a que Jacob descubra a verdade sobre a clínica clandestina de Mary, e é claro que o Comandante dos Crows não esconde a sua reprovação. Apesar de alguns dos seus argumentos fazerem sentido do ponto de vista legal, Mary acaba por ter também a sua razão quando se tem em consideração a moralidade das suas ações. Para além disso, a personagem está completamente correta ao afirmar que Jacob parece agir como um pai apenas quando as suas filhas fazem algo de errado. Espero que a série continue a abordar a relação entre os dois, até porque Jacob acaba por ser um dos poucos personagens por quem não tenho grande interesse exatamente por não se relacionar tanto com os restantes intervenientes.

Entretanto, Alice sente-se progressivamente mais incomodada pelo facto de ter perdido memórias de Coryana, o que a distrai um pouco da sua busca por Kate. Gore on Canvas já tinha dado a entender que a personagem e Ocean eram próximos, mas Do Not Resuscitate solidifica essa ideia, esclarecendo também que Safiyah é a responsável pela pequena lavagem cerebral a que ambos foram submetidos. Estou curiosa em saber a verdadeira razão que levou a esta tomada de decisão por Safiyah e em ver de que modo Alice e Ocean se irão vingar da rainha da ilha.

Por fim, acredito que a série tomou a decisão acertada ao alargar as razões que levam as nossas personagens a Coryana. Apesar da busca por Kate continuar a aparecer como a principal motivação, em especial para personagens como Sophie ou Jacob, para Ryan, a corrida à misteriosa ilha torna-se agora numa questão de vida ou de morte. Já para Alice e Ocean, aparece como uma oportunidade para obter respostas relativamente às memórias perdidas do seu tempo em Coryana. Para outros, representa ainda a possibilidade de enriquecer à custa da planta ali cultivada, capaz de curar todos os males. Tudo isto resulta num ambiente onde a fasquia é bastante mais elevada, e onde todos os intervenientes têm algo a ganhar ou perder.

Batwoman entra agora numa breve pausa, com regresso marcado para o próximo dia 15 de março. Até lá, podem rever a série através do serviço de streaming HBO Portugal.

Inês Salvado