Classificação

7.6
Interpretação
7.6
Argumento
7.7
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

“In my experience, when the Crows fly together, they call it a murder for a reason.”

Mais uma semana que passou a voar e, com ela, chegou um novo episódio de Batwoman. Gore On Canvas é o título deste novo capítulo da série, no qual a nossa protagonista é abordada por Jacob e Sophie, que, na sua busca por Kate, precisam da ajuda de Batwoman para roubar um infame quadro capaz de revelar o caminho para Coryana. Apesar das reservas de Ryan, Luke e Mary convencem a personagem a aceitar a tarefa, levando a uma escalada das tensões entre os membros da Bat Team. Entretanto, enquanto tenta cumprir o pedido de Safiyah, Alice descobre que as memórias do seu tempo em Coryana não são tão claras quanto acreditava.

Para melhor ou para pior, todos os caminhos traçados nesta nova temporada de Batwoman parecem levar a um só sítio – e, de igual forma, a uma só pessoa. O desaparecimento da nossa anterior heroína continua a surgir como força motora do conflito, colocando a Bat Team, os Crows e Alice numa corrida contra o tempo que tem como meta final o paradeiro de Kate.

Ainda que os vários participantes desta maratona privilegiem correr a solo, são muitos os momentos em que se vêm forçados a colaborar, quase como se estivessem numa corrida de estafetas na qual cada um contribui em parte para aquele que é o objetivo de todos (prometo que esta é a última alusão que faço a atletismo). Em Fair Skin, Blue Eyes, é Alice quem recorre a Sophie (e Luke) com o propósito de encontrar algo que a leve a Ocean. Já em Gore on Canvas, é a vez de a agente dos Crows recrutar a ajuda de Batwoman e da sua equipa na busca pelo infame quadro de Jack Napier, o qual estava a ser investigado por Kate na altura do seu desaparecimento (mencionado em Bat Girl Magic!).

Desde a 1.ª temporada da série que a dinâmica entre a figura que é Batwoman e os Crows se tem vindo a provar atribulada, dada a natureza corrupta da organização. Este choque de valores entre a vigilante e a firma é algo que Caroline Dries, produtora da série, sempre pretendeu explorar, mas teve algumas dificuldades em fazê-lo ao longo da temporada anterior, em grande parte devido às ligações de Kate a Jacob e Sophie. Agora, com Ryan enquanto sua protagonista, Batwoman não se vê tão limitada nesse aspeto.

Acredito que a série tomou a decisão acertada ao introduzir o ponto de vista de Ryan a este conflito. Tendo em conta as suas experiências anteriores com os Crows, é fácil perceber o porquê de a personagem não confiar em Jacob ou até mesmo Sophie. Aliás, Gore on Canvas acaba por reforçar este seu desdém pela firma, repleta de agentes violentos, negligentes ou complacentes. Assim, as cenas em que Ryan protesta esta aliança aparecem com naturalidade, proporcionando bons momentos de tensão entre a Bat Team.

Apesar de concordar em grande parte com a posição tomada por Ryan e admirar o facto de a personagem tomar agora alguma liderança nesta equipa (afinal de contas, é ela que está nas trincheiras), noto que a nossa Batwoman não é a única com motivos para odiar os Crows – e fico feliz por a série se lembrar disso. Em A Narrow Escape, Luke descobre que vários dos agentes de Jacob estiveram envolvidos na morte do seu pai e no subsequente encobrimento dos factos, pelo que consegue perceber como Ryan se sente. O momento entre os dois acaba por ser uma das minhas cenas preferidas deste episódio, pelo que me agrada que Luke e Ryan tenham ultrapassado as suas divergências dos primeiros episódios.

De igual modo, a última cena partilhada por Sophie e Ryan destaca-se por entre as minhas memórias deste episódio. As críticas levantadas pela nossa heroína aos Crows são algo que Sophie leva a peito – afinal de contas, Batwoman fez um bom trabalho na temporada anterior ao demonstrar que esta agência faz parte da identidade da personagem. Mas a verdade é que a própria agente não consegue continuar a ignorar as injustiças que observa, de tal forma que toma ações imediatas contra os agentes responsáveis. Não é o suficiente, mas é um passo na direção certa e percebo o porquê de Sophie querer tentar mudar a cultura tóxica que permeia a organização ao invés de abandonar navio. Se o conseguirá alcançar, apenas o tempo o dirá.

Entretanto, Alice encontra Ocean e descobre que o personagem que a rainha de Coryana a mandou assassinar é nada mais nada menos que o irmão de Safiyah – bem, não irmão de sangue, mas qualquer coisa parecida – e aparentemente o seu ex. Que complicação! A proximidade entre ambos despoleta flashbacks ao longo deste episódio referentes ao seu tempo em Coryana, tornando-se claro que os dois se conhecem apesar de não se reconhecerem e indicando que Alice pode ter sido a razão por detrás do desentendimento entre Safiyah e o seu protegido. Pessoalmente, não tenho grande interesse na relação amorosa que se aproxima, mas tenho sim todo o entusiasmo em ver de que forma Ocean e as memórias perdidas de Alice virão a influenciar a busca da nossa vilã de estimação pela sua irmã perdida.

Para terminar, resta-me apenas falar um pouco sobre alguns dos easter eggs ou outras referências que apanhei neste novo episódio. Durante as cenas de Ryan e Angelique na galeria de arte, são várias as peças que se podem ver em exposição – nomeadamente, o chapéu e icónica bengala de Riddler. Já Ocean menciona os Inúmeros Braços da Morte (ou Many Arms of Death), um grupo de assassinos que, na série, parece ser liderado por Safiyah, mas que nos livros de banda desenhada trabalha para uma corporação que pretende explorar a ilha. Digo que este grupo parece ser comandado por Safiyah porque, conforme mencionei em Bat Girl Magic!, acredito que existe quem esteja a tentar criar discórdia entre Alice e Safiyah e que esse alguém seja o verdadeiro líder dos Inúmeros Braços.

Podem acompanhar Batwoman todas as semanas através da HBO Portugal, com um novo episódio disponível na plataforma às terças-feiras.

Inês Salvado