Classificação

7.5
Interpretação
7.7
Argumento
7.6
Realização
7.6
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

“I’m not asking you to be a hero. I’m just asking you to keep going.”

Após se ver forçada a entrar num breve hiato, Batwoman regressa de forma explosiva em A Narrow Escape, o 17.º episódio da série. Aqui, Batwoman enfrenta um novo desafio quando um vilão do passado reaparece, colocando à prova o heroísmo dos cidadãos mais exemplares de Gotham. Ao mesmo tempo, Alice vê os seus limites testados em Arkham, onde começa a engendrar o seu novo plano.

Realizado por Paul Wesley (The Vampire Diaries), este novo episódio coloca mais uma vez o foco da sua narrativa sobre o homicídio de Lucius Fox e o seu subsequente encobrimento, dando continuidade aos acontecimentos de Through the Looking-Glass. De modo semelhante, as investigações levadas a cabo pelas várias personagens convergem neste mesmo assunto, trazendo novas respostas e, é claro, novas questões sobre os personagens e motivações que levaram à morte do pai de Luke.

Assim, é natural e expectável que este seja, para todos os efeitos, o episódio de Luke Fox. Ao ser colocado frente a frente com o homem que colocou termo à vida do seu pai, o personagem vê-se numa situação semelhante à de Kate em Off With Her Head. Camrus Johnson faz um excelente trabalho ao balançar o lado emotivo de Luke, movido pela dor da sua perda, com o seu lado mais lógico e calculado e, por momentos, chegamos mesmo a acreditar que o desejo de vingar a morte de Lucius levará Luke a premir o gatilho. No entanto, a experiência de Kate faz com que esta seja capaz de dissuadir o seu parceiro de cometer este erro – até porque, sabemos, quem matou Lucius Fox não é, na verdade, o responsável pela sua morte.

De volta à nossa personagem principal, esta continua a lidar (ou melhor, a não lidar) com o rescaldo das suas ações recentes, nomeadamente a morte August Cartwright. Apesar do dano causado por Cartwright à sua família, Kate sente imensa dificuldade em aceitar aquilo que fez e, por essa mesma razão, afasta-se do seu papel enquanto vigilante da cidade de Gotham por algum tempo – algo que contribui de forma significativa para os eventos deste episódio. Descobrimos que o simples facto de estar perto do seu fato é o suficiente para paralisar a nossa Batwoman, que parece não mais saber como ser a heroína de que a sua cidade desesperadamente necessita.

É então que um momento já antecipado por nós surge como o empurrão de que Kate necessita para dar início à sua jornada de aceitação. Falamos, é claro, da cena em que Mary revela a Kate que sabe a verdade sobre a sua identidade secreta – um momento há muito aguardado e que surge exatamente na altura certa para a série. Numa emotiva performance por parte de Nicole Kang, Mary relembra a Kate que, com ou sem fato, a sua irmã continua a ser a mesma pessoa que sempre a inspirou a ajudar os outros e que não pode desistir agora. Afinal de contas, Kate não precisa de ser a perfeita heroína. Apenas precisa de continuar a ser aquilo que sempre foi.

Ainda que esta não tenha sido a única instância neste novo episódio em que as personagens à volta de Kate a tenham relembrado que não está a sós nesta sua missão, com Luke e mesmo Julia a tentar ajudar a nossa heroína, é seguro afirmar que se trata da mais significante, devido às suas ramificações para a história. Afinal, esta é a oficial introdução de Mary à bat-team (mesmo que Luke continue a ter as suas dúvidas). A personagem é uma adição necessária à equipa, e se há algo que este episódio veio a provar é que Kate precisa do apoio da sua irmã nesta sua jornada.

Vale a pena reconhecer que, dentro das suas próprias capacidades, Mary é ela própria uma heroína para os cidadãos de Gotham. Através da sua clínica, a personagem vê em primeira mão a falta que alguém como Kate faz à cidade em que vive, e assume em si a responsabilidade de ajudar aqueles que não se conseguem ajudar a si mesmos. Nem mesmo a ameaça de uma bomba é suficiente para a impedir de fazer aquilo que é correto, e esta é apenas mais uma das razões pela qual a personagem merece fazer parte desta equipa.

Entretanto, Julia e Sophie continuam a sua investigação ao homicídio de Lucius Fox e, com a ajuda de Luke e Kate, descobrem ligações suspeitas entre o caso e os bombardeamentos que amaçam Gotham. Uma série de pistas leva-as diretamente a Miguel Robles (Nathan Witte), um agente dos Crows já familiar à audiência da série, e o homem por detrás do disparo que resultou na morte de Lucius. Robles revela que foi contratado por Tommy Elliot (Down Down Down) para tentar obter um diário que Lucius escreveu (o qual, segundo Luke, contém informação classificada sobre toda a tecnologia criada para a Wayne Industry), e que a sua morte foi apenas um acidente.

Colocado entre a espada e a parede, Robles confessa todos os seus crimes e denuncia os seus coconspiradores, o que, por sua vez, leva a que Jacob se veja forçado a reestruturar a sua empresa de segurança. Para esse efeito, Sophie é convidada a regressar ao ativo de forma oficial, desta vez com um novo cargo e, é claro, uma nova parceira. Pois é, parece que a estadia de Julia Pennyworth em Batwoman se irá alargar por mais uns episódios – e, sinceramente, agrada-nos a ideia. Desde o seu regresso no episódio anterior que Julia tem vindo a mostrar ser uma companhia interessante para Sophie. Se essa sua parceria será estritamente profissional ou não, apenas o tempo o dirá (mas nós cá temos as nossas teorias).

“I don’t want to be anybody’s prisoner,” disse Alice em Through the Looking-Glass. “I want to be a Queen.” E a verdade é que ninguém se mete entre Alice e os seus planos. Antes de darmos esta review por terminada, damos agora um salto a Arkham, onde Alice parece tentar ver o lado positivo da sua situação bastante negativa. Entre terapia de choque e de grupo, a irmã de Kate decide que não pode viver desta forma e rapidamente engendra um plano para colocar as peças a seu favor. Sem grandes dificuldades, Alice vê-se vitoriosa e controla agora Arkham, como se de um jogo de xadrez se tratasse, com Mouse fielmente a seu lado. Mas o brilho no olhar da nossa vilã favorita diz-nos que as suas intenções não param em tomar poder sobre o asilo. Com personagens como Magpie de regresso à cena, as possibilidades estão em aberto para episódios vindouros, e Kate poderá vir a encontrar-se de mãos cheias mais cedo do que pensa.

No geral, A Narrow Escape foi mais um bom episódio repleto de ação para Batwoman, do qual decorreram avanços significativos para vários pontos narrativos da série. Esta regressará no próximo domingo com um novo episódio em If You Believe In Me, I’ll Believe In You, colocando-nos progressivamente mais próximos do final da sua primeira temporada.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues