Classificação

7.5
Interpretação
7.5
Argumento
7.6
Realização
7.6
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

“I know I’ve made light of things… But I owe you a thank you. Thank you for killing the man who destroyed my life. Destroyed our family.”

Foi no passado domingo que Batwoman nos trouxe Through the Looking-Glass, o 16.º episódio desta sua 1.ª temporada. Neste novo episódio, Kate começa a questionar os seus instintos e Luke recebe notícias perturbadoras sobre o seu pai. Entretanto, Alice procura a ajuda da sua irmã para uma tarefa especial.

Through the Looking-Glass chega no rescaldo dos eventos de Off With Her Head, episódio que veio para sempre a mudar a nossa personagem principal, após esta ter morto pela primeira vez. A sua vítima foi ninguém menos que August Cartwright, o homem por detrás da transformação de Beth em Alice e, por conseguinte, a fonte de toda a dor e sofrimento que tem vindo a assolar a família Kane ao longo dos anos. Kate estrangula o homem após uma chocante descoberta, capaz de levar qualquer um a perder a cabeça (no pun intended), até mesmo a nossa heroína. De imediato, a nossa Batwoman arrepende-se da sua decisão, percebendo que, afinal, não é assim tão diferente dos maus da fita que tenta parar no seu dia a dia.

Esta sua crise de identidade prolonga-se para este novo episódio, que vê Kate a debater-se com este seu lado negro. Ao longo de Through the Looking-Glass, a protagonista é colocada em situações que testam o seu carácter e a levam ao limite. As suas interações com Alice, com quem trabalha lado a lado, fizeram por completo o episódio e vieram a mostrar que, na verdade, Kate não é tão diferente quanto isso da sua irmã. Ver as personagens em pé de igualdade, a trabalhar para um objetivo comum, foi bastante emocionante e proporcionou à série uma nova oportunidade para nos trazer cenas de ação que, em estilo já típico de Batwoman, têm poucos cortes e permitem à audiência acompanhar (e apreciar) facilmente toda a coreografia da ação.

No entanto (e como seria já de esperar), nem tudo é um mar de rosas para o duo. Na sua missão para recuperar Mouse, as irmãs veem-se em Arkham, o famoso asilo mental de Gotham e antiga residência de Alice e do seu cúmplice. Apesar do sucesso a chegar a Jonathan, a missão corre para o torto quando Kate revela que a sua verdadeira intenção nunca foi libertar Mouse, mas sim aprisionar a sua irmã gémea. Ainda que a personagem tente justificar a sua decisão como sendo “a coisa certa a fazer,” acredito que grande parte da motivação por detrás da mesma parte de um lugar um pouco egoísta. Afinal de contas, é muito mais fácil para Kate lidar com os seus demónios sem Alice a influenciar cada decisão.

Pessoalmente, fiquei um pouco desiludida com a escolha de Kate, ainda que a ache interessante de um ponto de vista narrativo. À semelhança do sucedido em Take Your Choice, a protagonista vê-se numa posição que lhe permite ajudar a sua irmã e, ao invés de o fazer, resolve deixar Alice à sua sorte (porque, sejamos francos, quem conhece Arkham sabe bem que ninguém sai de lá uma pessoa melhor). A traição de Kate tem um peso acrescido neste episódio, que vê Alice não só a fazer um verdadeiro esforço para ser uma pessoa um pouco melhor, como também a ser vulnerável para com a sua irmã. A confissão da personagem em relação ao seu pior pesadelo, ser abandonada novamente por uma família que não acredita na sua salvação, adiciona algo à carga dramática da última cena partilhada entre as irmãs, fazendo com que Batwoman suceda na sua missão de fazer com que a audiência tenha pena de uma criminosa.

Se Alice conseguiu encontrar em si a força para perdoar Kate pelas suas ações de episódios anteriores, não me parece que o mesmo venha a acontecer no futuro. Temo que as ações da nossa protagonista venham a criar o efeito oposto àquele por ela desejado e quebrem por completo qualquer tipo de progresso que a sua irmã tenha feito ao longo da temporada. Parece-me que, daqui em diante, iremos contar com uma Alice mais vingativa que nunca – algo que, graças às fantásticas performances a que já estamos habituados por parte de Skarsten, de certeza será emocionante de se ver.

Igualmente interessante, no entanto, é toda a narrativa que rodeia o homicídio de Lucius Fox. Este novo episódio vem a confirmar as suspeitas de Jacob de uma conspiração, relativa tanto à morte do pai de Luke como ao seu encobrimento. Várias das nossas personagens são envolvidas nesta nova investigação (nomeadamente Sophie) e rapidamente se veem com um alvo nas costas quando começam a colocar demasiadas questões. Aprendemos ainda que o principal arguido do caso, Reggie Harris (Seth Whittaker), não só era completamente inocente, mas era também amigo de Fox. Falamos do personagem no passado, pois, é claro, Reggie é morto pouco depois de ser libertado da prisão, após contar a verdade a Luke.

Agrada-me imenso que Batwoman esteja por fim a explorar a narrativa de Luke, proporcionando ao personagem profundidade para além das suas capacidades enquanto sidekick. Ainda que, por agora, a sua história esteja a ser explorada quase como uma side story, o envolvimento por parte de todas as personagens – tendo Mary aqui algum destaque – continua em crescimento, pelo que acredito que não tardará até que Kate mobilize os seus recursos para tentar descobrir de uma vez por todas o que ocorreu naquela fatídica noite. Ainda assim, torna-se claro o envolvimento dos Crows no assunto, apesar de nenhum cabecilha ou motivo aparente terem sido para já revelados.

Por fim, acho relevante mencionar que a série continua a trazer-nos referências ao seu material de origem – e não, estas não nos chegam apenas na forma de name drops de personagens conhecidas a todos, como Scarecrow ou Cobblepot. Recentemente, alarguei um pouco o leque das bandas desenhadas que sigo de forma a incluir Batwoman e rapidamente percebi que a série tem vindo a largar pequenas migalhas que, certamente, se tornarão claras no futuro. Vimos em Tell Me the Truth uma menção a Safiyah, uma personagem que, na série, é vista como alguém com quem Alice aparenta ter alguns problemas. Nos comics, no entanto, a mesma personagem é apresentada como sendo uma pirata e, é claro, um passado interesse romântico de Kate. Já a desert rose é referenciada em Batwoman como sendo uma rara cura universal, proveniente da ilha de Coryana – mencionada novamente neste novo episódio, sob a forma de uma ameaça escrita deixada a Alice. No universo da banda desenhada, Desert Rose é o nome de um local em Coryana, a residência de Safiyah. Tudo isto pode ainda estar relacionado com o regresso de Julia Pennyworth (Christina Wolfe) à série, uma vez que, na BD, é ela quem auxilia Batwoman numa investigação que as leva a este local.

Temos já notícia que Batwoman regressará com o seu 17.º episódio, intitulado A Narrow Escape, no próximo dia 26 de abril. Até lá, gostaria de ouvir a vossa opinião sobre a série até agora, assim como as vossas previsões para o resto desta sua 1.ª temporada.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues