Classificação

6.9
Interpretação
7.2
Argumento
7.2
Realização
7
Banda Sonora

Atenção: esta review pode conter spoilers!

“If you drink much from a bottle marked ‘poison,’ it is almost certain to disagree with you, sooner or later.”

Esta semana, Batwoman traz-nos Tell Me the Truth, o sétimo episódio desta sua primeira temporada e o último antes da série entrar numa pequena pausa, com regresso marcado para o próximo dia 1 de dezembro.

Aqui, Katie e Sophie são forçadas a reconciliar-se com o seu passado quando a nossa Batwoman começa a questionar o quanto pode confiar na sua ex-namorada. Entretanto, Kate e Luke têm um encontro com uma velha amiga, enquanto Mary luta pelo futuro da família Kane, e Catherine procura a ajuda de Jacob. Por fim, Alice põe em ação um novo plano, com a ajuda de novos cúmplices, mas os seus motivos são mais complicados do que aparentam.

Semana após semana, Batwoman tem-nos vindo a trazer episódios constantemente bons, e este não é exceção. Tendo como seu principal foco Sophie, Tell Me the Truth mergulha na relação entre a agente e Kate, trazendo novas informações à audiência sobre o seu passado e esboçando novas possibilidades para o futuro.

Ao contrário da tendência geral, Sophie sempre foi uma personagem cuja narrativa me cativou o interesse. Tendo vindo de um background completamente diferente do de Kate, percebi, desde logo, as razões por detrás da sua escolha, e este episódio veio apenas a confirmar essas suspeitas. Sendo uma mulher de cor proveniente de uma família humilde e conservadora e, também, membro da comunidade LGBT+, facilmente podemos entender que Sophie não teve uma vida propriamente privilegiada, em especial quando em comparação a Kate Kane. Esta disparidade entre as duas personagens é bastante evidente no decorrer de todo o episódio, mas em especial na cena que as duas partilham num restaurante.

As duas personagens são confrontadas pelo dono do restaurante que, após observar o ex-casal dar as mãos, faz de tudo para as convidar a sair do seu estabelecimento. De forma previsível, Kate, segura de si, faz frente ao dono do Alessandro, sem grandes preocupações com o que os outros pensam e, o problema, sem pensar no desconforto que causa a Sophie ao arrastá-la para o assunto. De muitas maneiras, parece que as personagens estão em polos opostos de existência, mas não acredito que alguma delas esteja propriamente errada no que fez. Nesse sentido, Batwoman faz um ótimo trabalho em retratar a diversidade de experiências de um grupo que, tipicamente, é retratado de maneira muito uniforme na televisão.

Batwoman adiciona ainda outras camadas à situação de Sophie ao mostrar a influência de Jacob na sua decisão. Não acredito que tenha havido qualquer malícia por parte do pai de Kate, mas sim uma simples constatação de factos: o destino de Sophie seria o mesmo de Kate caso esta não assinasse os papéis, e Sophie simplesmente não se podia dar ao luxo de o fazer. Aliás, foi impressionante descobrir que, mesmo após “trair” Kate, Sophie defendeu-a perante a escola, colocando-se novamente em risco. Pessoalmente, não me parece justo continuar a julgar a agente pelas decisões que tomou no seu passado, em especial tendo em consideração que qualquer que esta fosse teria consequências significantes na sua vida. Com Kate a negar a Sophie a verdade sobre a sua identidade enquanto Batwoman e a afastar a sua ex, o progresso que Sophie fez durante este episódio parece voltar atrás a caminho do armário, e o futuro da sua relação com Kate parece novamente bastante incerto.

Voltando brevemente à situação do restaurante, Kate decide por fim começar a adquirir propriedades para a sua nova agência imobiliária e, é claro, compra o edifício em frente ao restaurante com o intuito de o tornar num gay bar. Não só nos parece ser um método de retaliação perfeitamente adequado, como o facto de Mary estar finalmente envolvida na vida de Kate nos faz bastante felizes. Parece que é apenas uma questão de tempo até que a irmã de Kate seja convidada a entrar para o batclub!

Ainda assim, o batclub deu as boas-vindas a um novo membro, neste episódio. Julia Pennyworth (Christina Wolfe), filha de Alfred e velha amiga de Luke, Bruce e Kate, faz uma pequena visita a Gotham. A espia está numa missão para apanhar The Rifle, um assassino com conexões a Alice que aparece agora pela primeira vez, quando dá de caras com Batwoman e imediatamente a reconhece como sendo Kate. Para surpresa de ninguém, há história entre as duas personagens – algo que, ao que tudo indica, será um trend em Batwoman (não que nos importemos com isso). Apesar do pouco tempo que passou na série, Julia causou um impacto positivo e esperamos que a filha do infame Alfred volte a aparecer em episódios futuros.

Por fim, Alice e Mouse continuam a fazer das suas. O facto de Mouse se fazer passar por Jacob apanhou-nos completamente por surpresa, mas Alice continua a ser a mais intrigante do duo. Mais uma vez, a personagem parece preocupar-se com a sua irmã, chegando mesmo a salvar a sua vida – ou, na verdade, a vida de Julia – neste episódio. Sabemos agora que Alice pretende fazer uma mad tea-party, mas o papel de Kate no seu plano continua a ser uma incógnita. É ainda mencionada Safiyah, uma personagem existente nos comics e com quem Alice aparenta ter alguns problemas.

Definitivamente, este episódio deu-nos muito em que pensar, continuando a criar a rede intricada que é o mundo criminal de Gotham e expandindo o universo da personagem titular. Aguardam-nos ainda mais episódios emocionantes, mas, até lá, teremos de esperar.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues