Classificação

7.5
Interpretação
7.6
Argumento
7.6
Realização
7.4
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

“I knew you’d come back. I knew you’d choose me.”

Foi no passado dia 16 de fevereiro que Batwoman regressou de uma pequena pausa com Take Your Choice, o 12.º episódio desta sua 1.ª temporada.

Seguindo o desfecho de An Un-Birthday Present, este novo episódio coloca Kate entre Beth e Alice, enquanto Luke e Mary se encarregam de descobrir a causa por detrás das dores de cabeça debilitantes da irmã da nossa protagonista. Uma visita inesperada traz boas notícias para Jacob, e Sophie leva o seu novo cargo na Crows Security ao extremo. Por fim, Alice faz uma descoberta devastadora.

Episódio após episódio, Batwoman tem vindo estabelecer a sua primeira temporada como uma das mais fortes e coerentes de todo o Arrowverse. Apesar de um começo um pouco atribulado, a série parece ter rapidamente encontrado o seu estilo e tom, tendo vindo a melhorar a olhos vistos ao longo destes episódios. Take Your Choice não constitui uma exceção à regra, sendo um dos nossos episódios favoritos até à data pelas situações em que coloca os seus personagens e pelas implicações futuras que as suas decisões certamente virão a ter para a história.

À semelhança do episódio anterior, Take Your Choice volta a colocar a relação entre Kate e a sua irmã gémea como objeto central da narrativa. No entanto, ao invés de se focar tão fortemente nas diferenças entre as duas versões de Beth – Alice e Beth de uma outra terra do multiverso –, este novo episódio demonstra ter um outro propósito ao colocar Kate perante uma escolha impossível: se pudesse salvar apenas uma destas versões da sua irmã, qual delas seria? Salvaria quem Alice é, ou a pessoa em que se poderia vir tornar? Se, para uns, a resposta parece ser óbvia (afinal de contas, Alice é uma das vilãs mais mortíferas de Gotham), depressa nos apercebemos que é uma escolha muito mais complicada que isso.

Pessoalmente, por mais que goste de Beth, sempre acreditei que Kate iria escolher salvar Alice. Todo o conflito principal desta temporada tem-se desenvolvido em redor desta relação, desde o sentimento de culpa e responsabilidade sentido pela nossa Batwoman, ao porquê de Alice ser como é. Em termos narrativos, faria muito pouco sentido descartar todo o potencial futuro de Alice em troca de Beth. Assim, será fácil perceber a confusão que senti inicialmente não só em relação à decisão de Kate, mas também (e, em especial) à reação por parte de muitos fãs da série. Recordemos que a protagonista decide salvar Beth, condenando, assim, Alice à morte. No entanto, as coisas não correm conforme planeado, e a vida de Beth na Terra-Prime chega a um abrupto fim pela mão de um inimigo improvável.

Se é verdade que, como referi, senti alguma confusão de início, também o é que tudo se tornou mais claro no momento em que Beth faleceu e, por conseguinte, Alice regressou ao mundo dos vivos. Ainda que não houvesse uma escolha certa, é aparente que Kate tomou a decisão errada ao desistir por completo da sua irmã, que certamente regressará ainda mais vingativa que antes. Este foi o verdadeiro propósito de Take Your Choice: apagar por completo qualquer tipo de progresso na relação entre Alice e Kate, ao mesmo tempo que mostra à nossa protagonista que o caminho mais fácil nem sempre é a melhor escolha. Resta agora saber se este retrocesso e a perda de Beth farão com que Kate desista por completo de Alice ou se, pelo contrário, a farão lutar ainda mais para salvar o que resta da sua irmã.

Mais uma vez, sinto a necessidade de parabenizar Skarsten pelas suas performances. A atriz interpretou de forma bastante convincente duas versões completamente díspares da irmã de Kate, sendo que, neste novo episódio, ao contrário do que se verificou no anterior, Alice e Beth chegaram mesmo a interagir sem nunca deixarem de parecer personagens distintas. Também merecedora de algum reconhecimento é Ruby Rose, em particular na cena em que Alice dá o seu último suspiro. Não costumo mencionar o desempenho da atriz por não achar que seja a mais dinâmica de todas – algo que, pessoalmente, não tem sido a meu ver problemático, uma vez que não só a série sabe lidar bem com isso, como também encaixa bastante bem com a personagem que interpreta. No entanto, tenho que dar crédito onde este é merecido, e ver Kate chorar sobre o corpo da sua irmã foi definitivamente um momento que me moveu.

Já a revelação de Dr. Campbell como o pai de Mouse foi algo que, por um lado, me surpreendeu, mas, por outro, era também esperado. Afinal de contas, não fazia grande sentido que Batwoman tivesse adicionado um nome como Sebastian Roché ao seu elenco apenas para lhe dar um papel profundamente secundário. Acho interessante que a série resolva que este é o momento perfeito para revelar a identidade do personagem, relembrando a audiência que Mouse e Alice são o produto de um vilão discutivelmente maior que os dois.

Este foi também um bom episódio para Luke e Mary. Cada vez mais, Batwoman brinca com a ideia da bat team sem nunca se comprometer por completo, mas não me parece que teremos que esperar muito mais até que esta venha a ser uma realidade. Se há algo que a série pode aprender com a sua irmã do Arrowverse, é que nem sempre é boa ideia arrastar a revelação de uma identidade secreta às pessoas mais próximas da protagonista. Por agora, Kate ainda pode escolher como e quando partilhar as notícias com Mary, mas acredito que Alice poderá vir a tirar essa escolha à nossa Batwoman mais cedo do que pensamos.

Em suma, este foi mais um excelente episódio para a série, repleto de reviravoltas e decisões que, apesar de questionáveis, são completamente humanas e indicadoras de uma continuação de temporada bastante interessante e promissora.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues