Misha Collins, o ator e ativista que desafia o sexo dos anjos
| 09 Dez, 2021

A edição de 2021 da Comic Con Portugal começou hoje, quinta-feira, dia 9 de dezembro, com a presença do ator Misha Collins, conhecido pela sua participação na série Supernatural com a personagem Castiel.

Espaço EPOP Culture

O evento da Comic Con abriu as hostilidades com a presença de Misha Collins naquela que é uma novidade na Comic Con: um aquário de vidro onde o ator foi entrevistado por um moderador designado pela organização (Pedro Oliveira), com o público que estava por ali a ouvir e a assistir à interação.

Sendo quinta-feira, às 13h, como seria de esperar a afluência de pessoas não era muita. No entanto, isso não impediu a demonstração de afeto e carinho do público presente pela chegada de um dos mais esperados convidados desta edição.

Foi uma conversa curtinha que depressa descarrilou, quando o moderador escolhido abriu o diálogo a perguntar a Misha como é que tinha sido interpretar Lucifer em Supernatural. A gafe foi óbvia e mais natural foi a resposta do ator, que lhe devolveu que só fez de Lucifer um par de episódios e que, na realidade, é conhecido pelo personagem Castiel, um anjo. Aproveitou, inclusive, a presença de um fã, entre os espectadores, em cosplay de Castiel, para mostrar ao moderador como era a sua personagem.

As coisas não melhoraram quando o entrevistador perguntou como era fazer parte da série mais longa de sempre do seu género, com uma longevidade de 12 anos, ao que Misha procedeu a corrigi-lo, dizendo que a série tinha mais de 15 anos, sendo que a presença dele em Supernatural é que tinha sido de 12 anos.

Como não há duas sem três, o entrevistador ainda insistiu em perguntar ao ator como é que ele era capaz de interpretar uma personagem tão má quanto Lucifer, mas ser tão boa pessoa e ativista na sua vida pessoal, o que acabou por levar ao momento mais culturalmente interessante da conversa, explorando a iniciativa GISH (A Maior Caça ao Tesouro Internacional)  que Misha Collins desenvolve anualmente para angariar fundos.

Ainda nesta conversa, Misha explicou que em Massachusetts foi exposto à gastronomia portuguesa e que isso lhe aguçou a curiosidade para cá vir visitar-nos. Em jeito de terminar, Misha avistou uma fã na posse de um adereço da série, uma lâmina do anjo (Angel Blade), e, na brincadeira, dirigiu-se ao moderador/entrevistador explicando-lhe o que era e dizendo que tinha que lhe ensinar duas ou três coisas sobre o mundo de Supernatural.

misha collins

Um painel de Anjos e Demónios:

Após uma entrevista que se pode apelidar de curiosa, Misha Collins esteve, até ao início do seu painel, a dar autógrafos e tirar fotografias com os fãs e o painel, intitulado Anjos e Demónios, começou da melhor forma possível para uma casa longe de estar cheia. Misha apercebeu-se que estava num painel muito pouco populado e depressa tomou a liberdade de reajustar o palco, sentando-se mais próximo da plateia para criar um ambiente mais intimista. Acompanhado de Pedro Oliveira, que quase não fez intervenções durante os 40 minutos de painel, Misha Collins depressa tomou as rédeas da moderação sozinho.

Depois de uma interação amigável em que Misha elogiou o nível de vacinação em Portugal e criticou o dos EUA, o próprio abriu espaço a questões da plateia. A primeira pergunta levou-o a contar uma história engraçada de uma cena de luta em Supernatural em que tinha que dar um murro a Sam (Jared Padalecki) quando este estava possuído. A ideia deste murro era acertar na câmara para dar a ideia à audiência de que o murro vinha na sua direção e depois passava para um frame de Sam no chão. Acontece que, depois do primeiro murro, Jensen Ackles, o Dean da série, e o resto da equipa começaram a rir-se, porque Misha deu um murro muito estranho e ridículo e achavam que tinha sido de propósito.

Houve espaço para piadas entre o ator e a plateia, com brincadeiras com as gafes do moderador – com uma espectadora que claramente tinha assistido à primeira conversa de Misha na Comic Con Portugal, uma vez que refere que as pessoas adoram Castiel e não tanto a parte de Lucifer – e com a ideia de filmar no nosso país. Depois de uns risos gerais da audiência, Misha brincou, dizendo que a 2.ª temporada da sua nova série, Roadfood: Discovering America One Dish At A Time, devia passar em Portugal.

Desde o primeiro minuto que Misha não só respondeu às questões, como interagiu muito com a audiência. Contudo, quando um dos representantes do Séries da TV, Carlos Real, lhe fez uma pergunta, a interação transformou-se numa verdadeira conversa. Carlos Real, que elabora reviews para o site, começou por agradecer a influência que a série teve no seu crescimento, uma vez que a viu desde criança, o que levou a uma interação engraçada quando Misha se apercebeu que estão ali pessoas que começaram a ver Supernatural aos 9 anos e hoje em dia já têm cerca de 27. Após uma confusão matemática com o passar do tempo, o ator pediu desculpa a Carlos pela influência que Supernatural teve nele e perguntou qual o maior trauma que a série lhe causou. “Sou ator”, respondeu Carlos. O que levou a mais risos e o prognóstico de Misha não é agradável…

… Aparentemente não se consegue recuperar dessa doença.

Após o que claramente foram uns minutos para quebrar o gelo, chegou então a pergunta: será que Misha tinha medo que as asas de Castiel ficassem “presentes” durante o resto da sua carreira? Não, não há esse receio, uma vez que Supernatural tem fãs hardcore, mas não chega a todos e não se compara ao mediatismo de séries como Friends ou Seinfeld, onde é muito mais difícil seguir para uma nova produção sem se levar a personagem. No meio do seu discurso, Misha aproveitou para atirar lenha para a fogueira, dizendo que os grandes produtores de Hollywood não viam a série e consideram-na uma produção de baixo nível.

Naturalmente, Supernatural tomou a maior parte dos 40 minutos de painel, mas a conversou terminou abordando precisamente o final da série. O ator referiu que sentiu que o fim fez jus à sua personagem, visto que sempre acreditou que o desfecho da série tinha de ser entre os dois irmãos, mas acabou por partilhar que o final que estava planeado – e que não se concretizou devido ao impacto da pandemia do coronavírus – também teria sido muito interessante. A ideia original era ter a banda Kansas a tocar Carry On My Wayward Son enquanto Dean chegava finalmente ao céu, encontrando-se com todas as personagens que lhe eram queridas e, no final, encontrava Castiel num bar, que na realidade era Jimmy Novak, que lhe explicava que o sacrifício de Castiel tinha sido definitivo. Em jeito de brincadeira, mantendo o tom que caracterizou este painel, Misha disse que o mais importante foi mesmo mostrar às pessoas que também podem existir anjos gay (referindo-se aos sentimentos de Castiel por Dean).

Para além de histórias loucas sobre os fãs do Brasil (referindo-se à sua passagem pela Comic Con em São Paulo) ou sobre a reação natural dos filhos em relação à sua fama quando foi abordado por fãs, Misha ainda falou sobre o seu livro de poesia – no qual o próprio elege os poemas sobre os filhos como os seus favoritos – e sobre o seu podcast, Bridgewater, que admite ter superado as expectativas.

Misha Collins. além de ator, também é ativista, autor e podcaster e referiu que este mediatismo é estranho e complicado. Se, por um lado, é bom ter alcance e poder falar sobre temas como a saúde pública, a saúde mental ou o amor pelo próximo, por outro, sabe e tem receio do impacto negativo que possa ter para alguém que ele não conhece, mas que o segue.

Ao abordar a saúde mental e o quão importante é falar sobre o tema, Misha terminou o seu painel dizendo que o mais importante de tudo é sentirmos que não estamos sozinhos e foi ao dizer que na nossa presença não se sente sozinho que o ator se levantou e despediu dos presentes com um sorriso no rosto.

Joana Henriques Pereira e Raul Araújo

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