Classificação

9.5
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
10
Banda Sonora

Temporada: 15

Episódios: 20

[Contém spoilers]

The end of the road. Não é fácil escrever esta review. Em parte é aquela review que nunca pensámos que iríamos escrever. Pensámos que Supernatural iria estar sempre presente nas nossas vidas. E vai, mas já sem novos episódios. Fazemos já um disclaimer que a nota que vamos atribuir não é refletiva da última temporada, mas uma espécie de nota geral da série e do impacto que Supernatural teve ao longo destes anos.

Começando sobre esta temporada, houve muitos episódios considerados fillers, mas sendo que era a última, conseguimos apreciar cada um daqueles fillers e o chamado fan service. Dando um exemplo concreto, temos episódios como Last Call, onde vemos Dean a cantar e a tornar real o seu sonho de ser uma rock star, ou, por exemplo o episódio 16, Drag Me Away, onde vemos Sam e Dean a fazer a última caçada a solo, a última caçada juntos sem a presença de mais ninguém.

Foi uma temporada de muitos adeus e reencontros. Voltámos a ver uma série de personagens como Eileen, Kevin, Lucifer, Meg (no caso, na pele do Vazio), Michael, entre muitos muitos outros, e não todos os de que gostaríamos por causa da COVID-19, que impediu que conseguissem juntar toda a gente que queriam para os últimos episódios. Aquilo que houve em reencontros houve também em mortes. Assistimos ao último adeus de Rowena, que se despede como a grande rainha do Inferno e, verdade seja dita, aquele lugar não poderia ter ficado em melhores mãos. Foi pena não termos voltado a ouvir o icónico “Hello, Boys” de Crowley, mas nada que apague o legado que ele deixou.

Quanto ao enredo, não apresenta grandes surpresas. Jack regressa do além e torna-se o elemento chave para terem alguma hipótese de derrotar Chuck. Vamos lentamente avançando na temporada… (Só um destaque para quando o corpo de Jack está a ser possuído pelo demónio Belphegor, que se tornou um personagem muito divertido e carismático, esta interpretação reflete que o ator Alexander Calvert tem uma boa versatilidade e não se fica pela expressão meio passiva de quando interpreta Jack.

No meio de fillers muito divertidos e bons momentos passados em família, chegamos à reta final. E estamos feitos em lágrimas nos últimos episódios. Dean e Sam conseguem escapulir-se do enredo que Chuck queria para eles de os forçar a matarem-se um ao outro, mas ao mesmo tempo não conseguem derrotar Chuck, que decide matar o resto do mundo todo. Resto do mundo que não incluiu Castiel. Porquê? Porque momentos antes disso acontecer, Castiel descobre que percebeu o que é o Amor. Percebeu o que é o Amor com Dean, o ser humano mais altruísta e capaz de amar o mundo que ele conhece. Só ao admitir que o ama como ser humano já se torna feliz, o que faz com que o Vazio regresse e o leve a ele e a Billie, que os estava a perseguir. Antes ainda deixa uma marca da sua mão no ombro de Dean, semelhante a quando o salva do inferno. Vamos só buscar os lenços antes de prosseguir para o próximo parágrafo.

Chegamos ao último episódio. Sim, o ÚLTIMO, ao fim de 15 anos da nossa vida. Éramos miúdos quando começámos a ver Supernatural. A sério, pensem onde é que estavam há 15 anos! Onde estavam no dia 13 de setembro de 2005? Sam e Dean estavam a começar uma caçada à procura do pai. O fim. Os últimos dois episódios. Em si são como se fossem dois finais. Um, o final da temporada, o outro, o final da série.

No penúltimo episódio, Sam, Dean e Jack passam uma eternidade sozinhos sem ninguém no mundo até que arranjam um plano com a ajuda involuntária de Lucifer e Michael e confrontam Chuck no derradeiro final. Mostrando a resiliência que sabemos que apenas os nossos Winchester conseguem ter, distraem Chuck o suficiente para Jack lhe tirar os poderes e o tornar num ser humano normal. Decidem que o melhor castigo para ele não é a morte, é existir como um humano normal. Não é que o final tenha sido imprevisível ou surpreendente, mas era o final de que a temporada precisava. Voltam as lágrimas porque só falta um episódio e porque vemos a marca na mesa onde constam os nomes de Jack, Mary, Sam e Dean enquanto estes fazem uma viagem de carro.

Achámos a decisão de Jack de se ausentar da história e do mundo bastante sábia, um mundo onde Deus tenha presença e tenha uma narrativa nunca vai ser normal!

Começamos o último episódio. Sam e Dean vão numa caçada. Afinal a anterior não foi a última deles os dois. Foi a última de onde ambos regressaram! Sim, o inevitável acontece, sem a influência e a sorte de serem os peões de Deus, Dean é espetado por um ferro solto e sente que vai morrer. Já não há Cas nem Jack para o salvar, o que quer dizer que chegou mesmo o fim. E aqui as lágrimas começam novamente. E só se torna pior quando Sam e Dean trocam as últimas palavras, alusivas ao primeiro episódio que fizeram em conjunto. Uma despedida de dois irmãos, de dois amigos e de dois colegas de profissão que nutrem muito respeito um pelo outro. A linha que separa Jared e Jensen de Sam e Dean desaparece e, de repente, vemos os dois numa cena sensacional onde reutilizam os mesmos diálogos do episódio piloto, mas desta vez com uma carga emocional gigante em cima.

Após isso, vemos Dean no céu a reencontrar-se com Bobby, a verdadeira versão do Bobby, e a fazer uma viagem de carro ao som de Carry On Wayward Son, dos Kansas. Enquanto Dean viaja no Impala, vemos a vida de Sam em fast-forward. Teve um filho, chamou-lhe Dean (ouch) e usa uma peruca terrível para parecer que é idoso.

No final, o filho de Sam despede-se com as mesmas palavras com que Sam se despediu de Dean e vemos Sam a reencontrar-se com Dean no céu. O final foi impactante, foi o final da série de forma definitiva, não vão voltar e fizeram as suas despedidas e temos que aceitar e lidar com isso. Não vamos chorar porque acabou, vamos estar gratos porque aconteceu.

Juntamente com o episódio 20, a The CW, canal de televisão que transmite a série, lançou um documentário. Este documentário funciona como lançamento do último episódio e conta com alguns dos personagens de que tanto gostamos, como Crowley, Rowena ou até Jodi. Conta também com vários elementos da produção, incluindo o criador da série, Eric Kripke, que revela algumas curiosidades sobre a série, como a escolha do famoso carro Impala como terceira personagem da série ou algumas das ideias iniciais para o piloto que nem sequer incluíam os irmãos Winchester. Aliás, Winchester nem foi o primeiro apelido a ser usado no guião. Kripke escolheu o apelido Harrison em homenagem a Harrison Ford, ator que fez de Han Solo em Star Wars, que, por sua vez, foi uma inspiração para criar os irmãos Winchester sendo, Sam o Luke e Dean, o Han Solo. Mas, sobretudo, deem uma espreitadela ao documentário e descubram mais histórias curiosas como esta.

É difícil falar de algo que, para nós, claramente, nunca irá acabar. Acho que já perceberam isso pelo que fomos escrevendo em cima. Supernatural mudou as nossas vidas e os irmãos Winchester irão para sempre fazer parte da nossa realidade. Escrever este texto fecha um ciclo para nós, mas abre outro que esperamos cumprir, juntamente com toda a enorme base de fãs que a série criou. Fãs não, família, porque a família Supernatural deve ser das maiores bases de amor pelo próximo que se criou através de uma série de televisão. Mas Supernatural não é apenas uma série de televisão. Deixou de o ser há muitos anos. Supernatural ensinou-nos a caçar monstros sejam eles quais forem. Ensinou-nos que a família está lá para nós. Sendo sangue ou não. Sobretudo deixa-nos sabendo que nunca vamos estar sozinhos e que somos capazes de vencer! Eles não foram embora. Eles estarão sempre connosco. No episódio dois da série, Dean diz a Sam que tinham de continuar o legado do pai deles. Agora somos nós a ter de continuar o legado dos irmãos Winchester, sabendo que onde quer que eles estejam a partir de agora, estaremos com eles como eles estarão connosco. É tempo de olhar a estrada de frente e continuar o caminho. E lembrem-se, aconteça o que acontecer, Always Keep Fighting.

Melhor episódio:

Episódio 20 – Carry On – Alguns sites identificam-no como episódio 21 por causa do documentário que saiu na véspera, mas foi o adeus definitivo, foi o adeus que não queríamos, mas que precisávamos para nunca ficar a questão: “Será que os irmãos Winchester vão voltar?” Foi uma homenagem a toda a gente que fez parte e passou pelo set de Supernatural e, portanto, apesar de algumas críticas fundadas e outras infundadas, atribuímos o título de melhor episódio da temporada ao último. Por todas as lágrimas que caíram enquanto vemos Dean a fazer uma viagem de carro e por todas as que caíram quando Sam chega ao seu lado.

Personagem de destaque:

Sam e Dean Winchester – Sim, fizemos batota e selecionámos dois personagens, mas neste contexto vão ter que nos perdoar. É impossível, por muito destaque que haja para outras personagens, esta dupla de irmãos não levar o título para casa. Obrigado por nos ensinarem o que é pertencer a uma família. Obrigado por 15 anos de aventuras juntos.

Deixamos também a sugestão de veres o nosso vídeo sobre os 15 anos de supernatural, aqui em baixo.

E tu, o que achaste?

Carlos Real e Raul Araújo