Apesar de ainda não ter sido o ano em que regressámos à normalidade, continuaram a ser muitas as apostas televisivas que chegaram aos nossos ecrãs. No entanto, apesar de ter havido grandes séries, a verdade é que muitas se revelaram uma verdadeira desilusão. Assim sendo, chegou a altura de divulgar aquelas que consideramos serem as 10 piores estreias de 2021.

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Behind Her Eyes: Uma adaptação do best-seller de Sarah Pinboroug, este thriller começa com um triângulo amoroso fora do habitual, mas que rapidamente se transforma numa história obscura com revelações inesperadas em que ninguém é quem parece ser.

Porque é Behind Her Eyes uma das Piores Estreias do Ano?

Logo no primeiro episódio, Behind Her Eyes mostra que o potencial de sucesso da série é bastante baixo. Sem conseguir despertar nenhum interesse no telespectador, os 50 minutos iniciais parecem uma eternidade e são bem capazes de ser dos piores inícios de série que alguma vez vimos. Além de a história não ser cativante, os personagens não são interessantes e os atores também não têm um desempenho digno de ser mencionado. É verdade que, nos episódios seguintes, a série melhora um pouco, mas não consegue passar do medíocre e não é capaz de criar um desenvolvimento narrativo e de personagens capaz de prender e/ou entusiasmar. Além disso, a história é criada para o último episódio, para o grande final que deveria ser o ponto alto da série, mas que apenas acaba por surpreender pela sua absurdez.

day of the dead

Day of the Dead: Inspirada no filme de terror clássico de George A. Romero, a série segue seis desconhecidos que tentam sobreviver às primeiras 24 horas de uma invasão de mortos-vivos.

Porque é Day of the Dead uma das Piores Estreias do Ano?

A série tinha a oportunidade de desconstruir os estereótipos relacionados com zombies (que vêm de The Walking Dead e de muitas outras séries), dando novas dinâmicas e interpretações ao fenómeno zombie, mas acabou por falhar redondamente, com um argumento raso e personagens sem nenhum carácter. Para além disso, sentimos que é uma série com um orçamento bastante limitado, sendo óbvio o pouco investimento em cenários ou maquilhagem realistas. O enredo é demasiado previsível, sendo impossível captar a nossa atenção por mais do que meia hora seguida. Devido à falta de uma personalidade que se destaque, os personagens tornam-se tão irritantes e básicos que nos apetece revirar os olhos por cada tentativa de piada mal conseguida que tentam fazer.

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Generation: A comédia dramática acompanha um grupo diversificado de alunos do ensino secundário cuja exploração da sexualidade moderna testa crenças profundamente enraizadas sobre a vida, o amor e a natureza da família na sua comunidade conservadora.

Porque é Generation uma das Piores Estreias do Ano?

Por um lado, Generation traz uma visão realista de um grupo de adolescentes no ano 2021, com toda a diversidade que (felizmente) é cada vez mais aceite e que é uma parte natural da vida desta Geração Z. Por outro, foi claramente escrita por alguém que não é dessa geração. O guião tenta ser tão moderno e cool que acaba por ser cringe na maioria das vezes. Além disso, o enredo parece seguir os estereótipos já criados por outras séries adolescentes que a precederam, não trazendo nada de novo. Para uma série que tenta ser tão atual, continua a seguir muitos padrões antigos, acabando por se assemelhar a uma mãe que tenta falar calão como os filhos para parecer fixe.

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Gossip Girl:reboot da conhecida série com o mesmo nome apresenta um novo grupo de adolescentes que frequentam uma escola privada de Manhattan, sob o olhar todo poderoso da Gossip Girl. Esta nova versão explora as grandes mudanças que as redes sociais e a cidade de Nova Iorque sofreram ao longo dos anos, desde o final da série original.

Porque é Gossip Girl uma das Piores Estreias do Ano?

Talvez porque o original foi das séries mais icónicas de sempre? Obviamente, por si só, esta não é sequer uma justificação, mas a verdade é que, quando se trata de um reboot, há expectativas associadas e que aqui acabaram por não ser cumpridas. Se esta série veio corrigir e atualizar a série original em termos políticos e sociais, quer no enredo, quer na diversidade do elenco, acabou por perder tudo o resto que caracterizava Gossip Girl: personagens com personalidades icónicas que odiávamos amar ou que amávamos odiar, fins de episódios que deixavam o espectador a querer mais e, claro, uma Gossip Girl, que aqui não é nada misteriosa e nada engraçada. A sério, serem professores? Já para não falar de os episódios serem ridiculamente enormes para uma série de adolescentes que é suposto ser descontraída. Em vez de algo divertido e sensual, temos uma série muito monótona e que se leva demasiado a sério.

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Jupiter’s Legacy: A série conta a história da primeira geração de super-heróis americanos que, depois de um século a manter a humanidade a salvo, procura que os filhos continuem o seu legado. Contudo, os jovens com superpoderes, desesperados para provar que têm mérito próprio, encontram dificuldades em seguir os feitos lendários dos pais.

Porque é Jupiter’s Legacy uma das Piores Estreias do Ano?

O maior problema é o quanto a série é esquecível. De tal maneira que basicamente só nos voltámos a lembrar dela para este artigo. O problema destes oito episódios não foi a componente de não fantasia, que não conseguiu prender com dramas familiares em contexto super-herói, o problema não está nos efeitos especiais, nem sequer no elenco. O problema é que tudo o que Jupiter’s Legacy nos dá está mais que visto e, portanto, acrescenta pouco (para não dizer nada) ao panorama televisivo. Tudo é incrivelmente previsível, não há nenhum mistério, suspense, originalidade, twists, gore ou uma razão subliminar para nos manter interessados. A Netflix tentou “vendê-la” como um épico, mas no final deve ter sido dos cancelamentos mais óbvios do serviço de streaming.

ordinary joe piloto

Ordinary Joe: O drama explora as três vidas paralelas do personagem principal a partir do momento em que toma uma decisão importante no final da faculdade. A série mostra os diferentes rumos que teria a sua vida dependendo dessa decisão, caso tivesse sido baseada no amor, na lealdade ou na paixão.

Porque é Ordinary Joe uma das Piores Estreias do Ano?

Apesar de a série ter uma premissa que consegue distinguir-se do habitual e de todo o potencial de realização com três histórias paralelas, cada uma com um ligeiro filtro de cor diferente na imagem, o que é certo é que isso não é bem conseguido e acaba por tornar-se bastante confuso e exigir um nível de concentração tremendo a quem tenta acompanhar. Em especial porque, além dessas três histórias paralelas com os mesmos personagens (que apenas se distinguem pelo corte de cabelo ou estilo de roupa e, na maioria, diferenças mínimas), ainda existem flashbacks para baralhar as nossas mentes. Cada episódio de Ordinary Joe é uma misturada saltitante de cenas de universos paralelos, com a agravante de que não existe um objetivo a curto prazo de encontrar a narrativa “verdadeira”, pois a ideia da série é manter sempre a ideia do “e se…?”.

sex life 1.ª temporada

Sex/Life: No centro da trama, que reflete um novo e provocador olhar sobre a identidade e o desejo femininos, temos o triângulo amoroso entre uma mulher, o seu marido e o seu passado. Exausta de tomar conta dos filhos pequenos e tomada por um sentimento de nostalgia pelo seu passado, Billie começa a fantasiar no seu diário sobre as aventuras sexuais com um ex-namorado que nunca esqueceu.

Porque é Sex/Life uma das Piores Estreias do Ano?

À primeira vista, Sex/Life tem todos os ingredientes para se tornar uma série minimamente interessante e parece um drama capaz de prender o espectador ao abordar a complexidade do relacionamento conjugal sem qualquer tipo de tabus. Os primeiros episódios da série cumprem as expectativas, no entanto, à medida que a história se desenrola, nota-se o desleixo no seu desenvolvimento. Outro ponto negativo é o facto de a série ser pouco fiel ao que acontece na realidade. Com temas tão interessantes que podiam ser abordados de uma forma que fosse mais ao encontro da vida real, a trama torna-se demasiado ficcional, daí ter-se tornado um tanto ou quanto dececionante.

Leah Solos

Solos: A antologia explora o significado profundo da conexão humana através da perspetiva do indivíduo. São histórias únicas, com o foco em cada personagem, que nos mostram que mesmo durante os nossos momentos mais isolados e nas circunstâncias mais improváveis, estamos todos conectados através da experiência humana.

Porque é Solos uma das Piores Estreias do Ano?

A ideia de base para esta série não é má, mas acaba por se revelar uma viagem oca e autoindulgente pelo sci-fi. Trata-se de uma tentativa de copiar Black Mirror, mas aproveitando apenas os lados mais aborrecidos. Para uma série que depende tanto da representação e da riqueza do conteúdo em detrimento da viagem pela ação e cenários, Solos falha redondamente no argumento. Na melhor das hipóteses, é presunçosa; na pior, é aborrecida.

the crew piloto

The Crew: Baseada no sitcom clássico Taxi, a comédia passa-se numa garagem da NASCAR. Kevin é o líder da equipa fictícia Bobby Spencer Racing, mas quando o dono se reforma e decide passar o negócio para a sua filha, Kevin entra em confronto com os jovens trazidos para a garagem para modernizar a equipa.

Porque é The Crew uma das Piores Estreias do Ano?

Com um argumento muito fraco que é feito de tentativas de piada que nunca conseguem fazer rir e um elenco medíocre que não pode fazer nada com personagens escritos de forma muito exagerada e estereotipada, esta série é um falhanço completo a todos os níveis. A história passa-se numa garagem da NASCAR, mas é dado pouco destaque ao mundo do automobilismo. O humor é muito básico, os episódios são um pouco mais longo do que nas comédias típicas e a série acaba por centrar-se demasiado nas confusões que podem acontecer em qualquer local de trabalho e nas relações entre os seus personagens, em relação a quem não se consegue criar simpatia.

1ª temporada The One

The One: Adaptada de um livro de John Marrs, a série foca-se num grupo de cientistas britânicos que trabalham para o governo e descobrem a forma de, através de um teste de ADN, se poder encontrar o parceiro perfeito, ou seja, a pessoa por quem alguém está geneticamente predisposto a apaixonar-se perdidamente. Esta revelação irá mudar a maneira como pensamos no amor e nas relações.

Porque é The One uma das Piores Estreias do Ano?

Ainda que a história de The One consiga prender ligeiramente a nossa atenção e não seja totalmente má, não conseguiu corresponder de forma geral às grandes expectativas criadas. Sendo um tema tão interessante, inúmeras eram as possibilidades (especialmente depois de vermos séries como Soulmates, que tem uma premissa semelhante), mas acabou por se perder um pouco ao focar-se mais num enredo já tantas vezes visto, pautado por intrigas, mistério e mentiras. A série acabou por não aproveitar todo o potencial do tema, proporcionando-nos uma história marcada por altos e baixos, com alguns momentos que não convenceram por aí além ou que também não fizeram grande sentido.

Equipa Séries da TV