[Contém spoilers]

A semana passada apresentei aqueles que são, para mim, as piores season finale de Grey’s Anatomy e hoje vou fazer precisamente o inverso, partilhar aqueles que considero serem os melhores finais de temporada da série. Em mais de 16 anos foram muitos os finais que trouxeram emoções fortes e nos deixaram colados ao ecrã e, numa altura em que acredito que Grey’s pode estar prestes a despedir-se dos fãs, acho que faz sentido este balanço.

Nota: Os episódios não aparecem listados por nenhuma ordem em específico.

Freedom (Part 2) – 4.ª temporada: Este final de temporada dá continuidade às histórias do episódio anterior e prova que não são necessárias grandes tragédias pessoais nem matar personagens para fazer boa televisão. É claro que há drama – ou então não seria Grey’s Anatomy -, mas esse fica sobretudo reservado para os nossos pacientes e para Alex, que tem que lidar com uma Rebecca a precisar seriamente de ajuda profissional. Alex, no entanto, não reconhece que a situação está descontrolada e que também ele precisa de ajuda para lidar com tudo aquilo. Um dos casos médicos principais é bastante interessante (o do rapaz preso num grande bloco de cimento) e o outro nem por isso. Há mais algumas coisas a acontecer, como o início de algo entre Callie e Erica; George vai voltar a fazer o teste; Izzie faz os possíveis para ajudar Alex e Derek e Meredith chegam, finalmente, a um novo ponto na sua relação. Contudo, não é propriamente pelos acontecimentos ou pela sua relevância que este é um bom episódio. É-o porque fica a sensação de ser bem conseguido, com histórias relevantes e cativantes, sem ir pelo caminho fácil dos grandes dramas e de chocar o espectador.

Put on a Happy Face – 16.ª temporada: Era suposto que fossem 25 e não 21 os episódios desta temporada, mas a pandemia veio mudar as coisas e obrigou as séries a adaptarem-se e Grey’s Anatomy não foi exceção. Ainda assim, Put on a Happy Face é um final mais do que satisfatório, se bem que é de esperar que tenham sido feitas alterações ao episódio para o ajustar melhor ao seu papel de season finale. De qualquer das formas, foi capaz de nos proporcionar algum bom drama médico, um bom desfecho para certas histórias relevantes que nos acompanhavam há já algum tempo e uns quantos momentos engraçados, à conta de uma Amelia em trabalho de parto. Ao ser infinitamente melhor do que os finais da 14.ª e 15.ª, este destaca-se ainda mais, até porque se encontra numa temporada que, no geral, foi também muito superior às duas anteriores.

Didn’t We Almost Have It All? – 3.ª temporada: Não consigo deixar de pensar neste final de temporada como sendo o episódio em que Cristina quase se casou. ‘Quase’ é a palavra mágica, em todos os sentidos. Porque de facto a personagem não se casou e ainda bem. Sejamos honestos, aquele casamento foi uma imposição para Cristina. Ela não o queria, simplesmente alinhou e é precisamente por isso que as coisas nunca seriam capazes de resultar com Burke (motivo também pelo qual não resultaram com Owen). Quando duas pessoas são tão diferentes e querem coisas também tão diferentes é difícil acreditar-se que pode haver um futuro a longo prazo. O facto de Burke se ter ido embora foi extremamente doloroso para Cristina, porque não há dúvida de que ela o amava, mas não consigo deixar de pensar que, de certa forma, foi o melhor que podia ter acontecido. Cristina é imensamente relatable em vários aspetos e o não querer casar-se nem ter filhos é, sem dúvida, um deles. Também não sou capaz de me alhear do facto de que Burke, lá no fundo, sabia que não era isto que Cristina queria. Levar Cristina a casar-se, ainda por cima tão cedo na série, seria um terrível erro de argumento e um grande desrespeito pela essência da personagem. O episódio marca também a saída de Kate Walsh, que ruma até Private Practice, mas todos os outros acontecimentos ficam eclipsados pelo casamento que não aconteceu, mas que lança também luzes sobre o impasse que é a relação de Meredith e Derek. É um bom episódio, numa altura em que a série estava numa excelente fase, e aquela cena final, com Cristina a ir-se completamente abaixo enquanto Meredith a ajuda a tirar o vestido, é qualquer coisa!

Losing My Religion – 2.ª temporada: Está longe de ser o meu final de temporada preferido, mas Losing My Religion não deixa de ser muito bem sucedido. É um episódio recheado de emoções fortes, de momentos tristes, e estabelece também Grey’s como uma série dada a tragédias pessoais e a matar personagens queridos do público. Denny foi a primeira grande fatalidade da série, mas a sua morte deixa uma marca nos internos – em especial em Izzie, claro – e une-os de uma forma especial e se há coisa em que a série é genial é a criar relações que mexem com os fãs. Em si, a morte de Denny não me marcou particularmente. O personagem fazia parte da narrativa há pouco tempo e não senti que tivesse sido o suficiente para que eu, como espectadora, encarasse aquela morte com a tristeza que a maioria dos fãs parece ter sentido. Mesmo a sua relação com Izzie foi bastante apressada, não acho que tenha sido criado momentum suficiente (em oposição ao que me viria a acontecer com Teddy e Henry, que adoro) para tanto impacto na história. No entanto, a tragédia pessoal que isto representa para Izzie não levanta dúvidas e é muito triste vê-la a lidar com aquela perda. Meredith, Derek e Addison também lidam com a perda iminente de Doc, o cãozinho adorável que, de certa forma, pertence aos três. Torna-se também terrivelmente óbvio (já o era desde o primeiro minuto, mas agora é-o mais do que nunca) que Addison e Derek nunca irão funcionar enquanto casal. Nunca torci por eles pela tal questão óbvia de que não havia a possibilidade de aquele casamento resultar, mas não deixa de ser triste assistir ao seu fim inevitável. Principalmente porque, no passado, eles foram um casal épico e tornaram-se no tipo de casal que ninguém quer ser. O baile é o tipo de coisa que nunca aconteceria na vida real, mas é giro numa série, portanto… Pontos extra por termos tido direito a ver os personagens vestidos com alguma coisa que não as suas scrubs médicas.

Ring of Fire – 13.ª temporada: Este episódio representou o regresso, após vários anos de ‘jejum’, de Grey’s aos grandes finais de temporada. Ring of Fire dá continuidade aos acontecimentos do episódio anterior, True Colors, e coloca Stephanie Edwards (Jerrika Hinton) no centro da narrativa, estatuto totalmente merecido, pois trata-se de uma personagem interessante. No entanto, o melhor deste final são mesmo as emoções que consegue suscitar. Tinha-se passado muito tempo desde a última vez que a série me deixou entusiasmada, mas igualmente receosa e assustada em relação ao que podia estar para vir. Esse tipo de adrenalina é a melhor coisa que se pode sentir quando se está em frente ao ecrã e a situação era perigosa, vidas estavam em jogo, portanto não se podia pedir mais, tendo em conta a forma como as coisas foram feitas. Além disso, acabámos por não ter de assistir a mais uma tragédia e as nossas personagens escaparam todas com vida, se bem que nos tenhamos despedido de Stephanie, uma personagem que proporcionou boas histórias à série. Este episódio também é bastante bem conseguido na medida em que estabelece potenciais narrativas interessantes para a temporada seguinte, como o aparecimento da irmã, que se julgava morta, de Owen. Agarrar o espectador no futuro é tão importante quanto agarrá-lo ao ecrã no presente e Ring of Fire conseguiu as duas coisas.

Now or Never – 5.ª temporada: Depois do final da 2.ª temporada, que já nos tinha trazido uma morte em grande, veio Now or Never, episódio que ‘mata’ um dos internos originais da série e coloca outro em sério risco de vida. Confesso que a morte de George não mexeu comigo da mesma forma que mexeu com muitos dos fãs e que a própria doença de Izzie também não, porque estavam longe de ser dos meus personagens preferidos, mas é inegável o significado que estes dois acontecimentos têm para a história da série. A forma como construíram a história à volta da morte de George foi um bocado sem nexo – de repente ele lembra-se de ir para o exército sem contar a ninguém, é atropelado por um autocarro e os colegas demoram séculos a perceber que o paciente que têm em mãos é ele -, mas a história da doença de Izzie é interessante (esquecendo a parte das alucinações com Denny) e vê-la novamente em perigo de vida, estabelecendo o que aí vem numa nova temporada, é uma boa opção em termos de enredo. E não deixa de haver uma certa beleza poética (embora deprimente) naquelas imagens de um George e uma Izzie, vivos, no elevador enquanto ela entra em colapso, ao som da fabulosa Off I Go, de George Laswell. O poder da banda sonora nesta série é incrível e este momento é o exemplo perfeito disso. Episódios como este construíram a reputação de Grey’s Anatomy como uma série que mexe com as emoções e que cria drama que nos fica na memória muito depois de termos desligado a televisão/computador.

Perfect Storm – 9.ª temporada: Um dos meus favoritos pessoais, mas reconheço que há alguns finais melhores. Confesso que estava um pouco em modo de pânico já há algumas semanas (ou deverei dizer meses? ou temporadas?) porque era esperado drama sério entre Callie e Arizona, que, à data, ainda eram o meu casal preferido de sempre do mundo das séries, se bem que agora nem as colocaria no top 20. O hospital encontra-se numa situação limite, a trabalhar às escuras, o que logo estabelece uma forte sensação de que alguma coisa vai correr muito mal e é precisamente ao colocar os fãs em estado de alerta que Grey’s joga com as nossas emoções de uma forma incrível. Tenho saudades desta altura, em que vivia a série com um nível de intensidade quase à beira de um ataque cardíaco. A nível pessoal, como habitualmente, também há muita coisa a acontecer. Relações a terminarem, outras a começarem… Meredith vai ter o bebé e precisa de uma cesariana e já imagino o desastre número 753 da série, apesar de também achar que nada de muito mau pode acontecer ali, porque ela é a protagonista e, por isso, não pode morrer. No entanto, as visadas por grande drama neste episódio são precisamente Callie e Arizona, cuja relação andara tremida depois de a cirurgiã pediátrica ter perdido a perna. No entanto, a determinada altura as coisas pareciam a estar a encaminhar-se bem, até que Lauren apareceu. De uma forma um bocado aleatória (os argumentistas podiam ter tido uma ideia menos forçada), Callie percebeu que Arizona andava a traí-la e as duas tiveram uma conversa (ou uma discussão) tão dolorosa que nem é bom recordar. Pergunto-me se a escolha para o nome deste episódio se trata de uma espécie de alusão irónica às palavras que Arizona, há muito tempo atrás dissera ao pai de Callie, acerca de ser, ao jeito de metáfora, “a good man in a storm”. Poucos episódios me deixaram tão colada ao ecrã como este, a sério!

Death and All His Friends – 6.ª temporada: Este é, para mim, e sem qualquer espécie de dúvida, o melhor final de temporada de Grey’s Anatomy. Houve outros emocionantes, mas em nenhuma altura a vida de tantos personagens esteve em jogo e, por esta altura, já era claro que Shonda Rhimes tinha instintos assassinos apurados. Eu só estava a torcer para que os meus favoritos saíssem todos de lá vivos e foi precisamente isso que aconteceu. A história deste episódio já tinha começado no anterior, algo que acho que só ajudou a cimentar a tensão e medo que era suposto sentirmos. Estar a ver ficção e sentir o coração nas mãos é incrível porque é um sinal inequívoco de que a história nos prende e nos comove ao mesmo tempo. Death and All His Friends também é diferenciadora porque coloca em segundo plano a medicina e a vida pessoal – os focos habituais da série – dos seus personagens para nos proporcionar um episódio cheio de adrenalina em que vidas estão em jogo de uma forma muito mais aleatória.

Concordas com as escolhas ou achas que algum destes finais se enquadrava mais na lista dos piores?

Diana Sampaio