Se, noutros tempos, os episódios de 40/45 minutos eram a regra para os dramas e os 20/25 minutos correspondiam ao habitual nas comédias, a verdade é que os serviços de streaming vieram generalizar uma tendência, começada pelas séries dos canais por cabo, de episódios com maior duração. Acho que mais de metade das séries que vi nos últimos meses tinham episódios com uma duração muito próxima da uma hora – ou até mais – e uma esmagadora maioria das que tenho na watch list seguem esta tendência.

Não é necessariamente um defeito que uma série tenha episódios longos e a verdade é que algumas passam a correr, tenham elas a duração que tiverem, como Orange Is the New Black, Jessica Jones, Call the Midwife ou Mindhunter. Algumas como The Handmaid’s Tale podiam ter episódios de duas horas que eu não me importava nada, mas a verdade é que este tipo de episódios não funciona bem com todo o género de séries. Estou a pensar muito especificamente em The Society. Não sou a maior fã de coisas teen, mas tinha alguma curiosidade e, quando comecei, já sabia que tinha sido cancelada e que provavelmente não teria um grande desfecho, mas isso nunca me impediu de ver uma série. A história tem o seu interesse, mas acho que a série só tinha a ganhar se os episódios andassem ali pelos 40 minutos. Mesmo que isso significasse um aumento do número de episódios, era preferível. É precisa uma certa disposição para gastar tanto tempo com alguma coisa e há que sentir que o investimento é merecido. Coisa que nem sempre me acontece.

Digamos que desisto muito mais rapidamente de uma série que não me convenceu no(s) primeiro(s) episódio(s) se estes forem longos. Se se tratar de séries com meia hora, a minha tolerância é muito maior e sou capaz de ir até ao fim, nem que seja da temporada, mesmo não estando muito convencida. Estou certa de que nunca teria visto cinco episódios de Normal People ou a 1.ª temporada inteira de Sorry For Your Loss de outra forma. Em relação à primeira estava à espera de sentir o encanto que todos sentiram e que fizeram dela uma das melhores séries de 2020 e em relação à segunda simplesmente deixei a coisa arrastar-se. Mesmo a pensar em termos de 40 minutos, provavelmente teria desistido ao fim de dois ou três episódios em ambos os casos.

Sherlock, por exemplo, tentei ver há uns meses. Não é muito a minha praia, embora até tenha gostado, só que assustei-me com o tamanho gigantesco dos episódios. Com aquela duração parecem filmes e não fui capaz de continuar. Poucas vezes iria ter tempo para ver um episódio seguido do início ao fim e não gosto de andar sempre a ver as coisas a prestações. É claro que tratando-se de uma das minhas séries preferidas, o tamanho, fosse ele qual fosse, não seria um impedimento, mas na maioria dos casos acaba por ser um fator a ter em consideração.

Penso que, em termos gerais, não há nada como os episódios de 40 e poucos minutos. Não muito curtos para uma pessoa dizer: “mas já acabou”, nem demasiado longos para nos fazerem olhar para o relógio. No entanto, não sou nada avessa a dramas de 20 ou 30 minutos, como A Teacher ou Trinkets, que são próprios para consumo em modo de maratona sem que pareça que uma pessoa não faz mais nada todo o dia, para entreter durante uma refeição rápida ou antes de ir para a cama. As comédias sempre foram as séries típicas de consumo rápido, mas acho que é positivo que se diversifique a oferta para outros géneros.

Supostamente o surgimento da plataforma Quibi viria de encontro a essa necessidade do consumo rápido de séries, mas vi episódios de algumas das apostas do serviço e não fiquei convencida. Dez minutos é muito pouco tempo para nos fazer voltar para mais e não tem como funcionar com a maioria das histórias. State of the Union, uma série muito boa da SundanceTV e que está disponível na HBO Portugal, conseguiu fazer – muito antes do surgimento da Quibi – do formato de curtas algo que resulta na perfeição. No entanto, acredito que seja aquilo tipo de exceção que confirma a regra.

Não há uma fórmula perfeita, até porque alguns episódios se calhar pediam um bocadinho mais de tempo e outros nem tanto, e cada um de nós gosta de investir tempo diferente com uma série, mas posso constatar – e vários dos meus colegas seriólicos concordam – que o velho modelo que as séries de drama da ABC, CBS, NBC ou FOX seguem é o ideal para mim. O facto de uma plataforma ter a liberdade para fazer episódios grandes não é uma obrigatoriedade e se calhar poderia haver um foco naquilo que é verdadeiramente importante contar. As temporadas são mais curtas e não há propriamente episódios filler, mas fico com a sensação de que a história não ficaria minimamente prejudicada com uma redução de 10 ou 15 minutos em vários dos casos.

Numa altura em que a maioria de nós se vira cada vez mais para a Netflix, HBO, Amazon Prime Video ou Disney+, esta questão da duração dos episódios impõe-se e agora fica aberto o debate: preferes episódios mais curtos, longos ou intermédios?

Diana Sampaio