Os países nórdicos são conhecidos pelas suas séries policiais de qualidade, mas poucas são as que chegam ao nosso país e os outros géneros são ainda mais raros por terras portuguesas. Quer seja pela pouca divulgação ou pela barreira linguística, uma vez que nem sempre há legendas disponíveis numa língua que o telespectador português compreenda, as séries destes países com línguas que nos são pouco familiares têm pouca divulgação além das respetivas fronteiras, privando o público que não vive nestes países de assistir a séries que mereciam ser vistas por mais gente. Por esta razão, apresentamo-vos aqui cinco séries nórdicas que, se ainda não viram, deviam pensar em fazê-lo.

Bonusfamiljen: Se me tivessem dito que ia ficar fã desta série não teria acreditado. Bonusfamiljen (Uma Grande Família, em português) não faz nada o meu género de série e nunca teria começado a vê-la por iniciativa própria, mas esta é uma das razões porque gosto do trabalho que tenho (para quem não sabe, eu, Cláudia, faço tradução e legendagem). Por vezes aparecem-nos pérolas destas, que nunca teríamos descoberto se assim não fosse. Esta série sueca, que está disponível na Netflix, é uma comédia dramática sobre uma família alargada. Já devem estar a começar a perceber as avenças e desavenças que por lá acontecem. A trama é super simples: Bonusfamiljen segue um casal que se casa, mas cada membro deste mesmo casal tem filhos de um casamento anterior… Já estão a ver “a família alargada”, não estão? A série é muito divertida, mas toca, ao mesmo tempo, em temas importantes, como a adolescência, o problema da hiperatividade, o aborto, etc. A série vê-se muito bem e se estão a precisar de uma sugestão para fazer maratona, aceitem esta. Têm as três temporadas disponíveis no serviço de streaming.

The Rain: Talvez umas das séries nórdicas mais conhecidas do povo português, The Rain é um original Netflix oriundo da Dinamarca. Com séries de ficção científica para dar e vender, The Rain trouxe uma abordagem diferente a este mundo e, por incrível que pareça, até tem certas parecenças com a situação que estamos a viver atualmente. Na Dinamarca, ninguém pode sair de casa quando estiver a chover porque senão morre. Se ainda não viram, seria interessante verem a série agora, com esta nova perspetiva que o isolamento nos tem dado. Simone e Rasmus estiveram anos fechados num bunker e agora têm de lutar pela sobrevivência num mundo devastado pelo vírus. A 3.ª e última temporada deverá estrear em breve.

Sorjonen: Com o título internacional Bordertown, a série é conhecida por cá como A Fronteira e é originária da Finlândia. A série venceu, entre outros, o galardão de Melhor Série Dramática nos Venla Awards, os prémios da televisão finlandesa. Como acontece em várias séries finlandesas, Sorjonen passa-se numa cidade que fica na fronteira com a Rússia, partilhando sempre a sua trama com o país vizinho. A história segue a vida do investigador Kari Sorjonen, que se mudou com a mulher e a filha para uma cidade mais pacata daquela em que vivia, com o objetivo de ter uma vida mais tranquila, o que não vem a acontecer, pois as suas capacidades mentais excecionais são necessárias para desvendar os mais variados crimes e nem todos estão assim tão afastados da sua família. A série já conta com três temporadas, sendo que as duas primeiras foram transmitidas pela RTP2.

Ratamo: Por cá é conhecida como Inimigos Secretos, à semelhança do título internacional Secret Enemies. Mais uma vez, tal como em Sorjonen, a série divide a sua trama com a Rússia, sendo aqui o (possível) conflito entre os dois países o tema central da série. Baseada na série de livros Arto Ratamo, do escritor finlandês Taavi Soininvaara, vamos seguindo o inspetor Arto Ratamo e a sua equipa na tentativa de desvendar um caso que poderá ser fatal para as relações entre a Rússia e a Finlândia ou até mesmo para o mundo. Por enquanto, a série só conta com uma temporada, que foi transmitida pela RTP2.

Kalifat: Caliphate (título internacional) é uma produção sueca que foi adquirida pela Netflix em meados de março de 2020 e que depressa conquistou a atenção do mundo. A série segue Fatima, uma agente dos Serviços de Segurança Suecos, e Pervin, uma mulher sueca que se mudou para Raqqa, na Síria, com o marido depois de se terem convertido ao Estado Islâmico. Desiludida com as promessas de Raqqa e com medo de que a sua filha cresça naquele regime, Pervin contacta Fatima, oferecendo-lhe informação sobre um ataque terrorista contra a Suécia em troca da promessa de extradição do país. Para além desta história principal com Pervin, a série explora também o processo de recrutamento e radicalização de jovens europeus para o Estado Islâmico, que é um dos pontos mais interessantes da série. Com uns primeiros episódios um pouco mais lentos, a série rapidamente se torna impossível de parar de ver, pois deixa o espectador sempre sedento por saber o que vai acontecer.

Concordam com estas sugestões ou acrescentavam alguma série que não se encontra na lista?

Cláudia Bilé e Mélanie Costa