Todos nós ouvimos falar das melhores séries da Netflix, da HBO ou de qualquer outra plataforma de streaming. E em Portugal? O que se está a fazer ou já se fez? A RTP destaca-se a nível de produções de uma maneira que a SIC ou até a TVI não conseguem. Todos nós nos lembramos de séries do canal público que de uma maneira ou de outra nos marcaram. São muitos anos e muita produção à mistura, o que torna difícil escolher apenas seis. Desde séries atuais a produções históricas, as seis séries aqui presentes são apenas uma pequena parte daquilo que poderia ser uma lista mais longa.

O canal público tem um longo historial de produção de ficção ao nível de séries e foi complicado escolher apenas seis. Se pensar em todas as séries da RTP que me marcaram estaria a fazer uma lista muito maior do que esta, mas acho que consegui reunir uma boa lista. Algumas destas séries são incontornáveis no panorama da televisão portuguesa (caso queiras, podes consultar uma crónica que fizemos anteriormente) e de certeza já ouviste falar delas.

A RTP Play, plataforma de streaming do canal público, acaba de ser reformulada e está mais intuitiva. São mais de 150 mil conteúdos, distribuídos por séries, filmes e ainda exclusivos da aplicação, disponíveis à distância de um clique. É a maior biblioteca digital portuguesa e está disponível para telemóvel, tablets Android e IOS e ainda na Apple TV e Android TV. Em breve vai estar presente nas Smart TVs Samsung e LG.

Se queres ver qualquer uma destas opções da lista, basta ires à RTP Play e pressionares no play.

1- Conta-me Como Foi

É talvez uma das mais conhecidas séries, se não mesmo a mais conhecida, da RTP, pelo menos neste século.

Conta-me Como Foi começa por se passar durante o Estado Novo e centra-se nos Lopes, uma família portuguesa de classe média. A série aborda questões familiares, mas também políticas e a luta de muitos que querem derrubar a ditadura. Agora, dez anos depois do seu fim, a série está de volta e passa-se nos anos 80, no período pós-revolucionário, enquanto acompanhamos a evolução desta família peculiar.

Esta série, para mim, é um claro exemplo de que se podem fazer boas séries com pouco. Não há um orçamento gigante, como muitas produções americanas, e mesmo assim o nível de qualidade é elevado. Aliás, Conta-me Como Foi é a prova de que com pouco se pode fazer muito.

A série traz uma sensação de conforto e família como nenhuma conseguiu até agora. Numa era em que as escolhas são muitas e se deixou de ver televisão em família, o regresso de Conta-me Como Foi traz consigo um sentimento de nostalgia e união. É, sem dúvida, a melhor escolha para veres em família.

 

2- Ministério do Tempo

Esta série marcou-me por vários motivos e é uma das maiores injustiças na televisão portuguesa, mas já lá vamos.

Ministério do Tempo é inspirada num formato de sucesso espanhol que conta a história de um ministério secreto do governo português, cujos funcionários viajam no tempo para impedir que a história de Portugal seja alterada.

A 1.ª temporada foi um sucesso, tanto a nível de espectadores como também da crítica especializada em Portugal, o que levou a que fosse renovada para uma 2.ª temporada, que nunca estreou. Mas porquê? As gravações já tinham começado, mas a produtora não pagava aos atores e eles decidiram parar até que as dívidas fossem saldadas. Até hoje, continuamos à espera desta tão aguardada estreia, que muito provavelmente não vai acontecer.

Ainda assim, recomendo que vejas, se gostas de História, mistério, ação e ainda um pouco de romance. É uma história muito original e é pouco provável que tenhas visto já algo assim.

 

3- Bem-vindos a Beirais

A partir de que ponto podemos chamar a uma série clássica? Não sei, mas essa definição parece-me que se encaixa perfeitamente neste caso. É uma das mais conhecidas da RTP e que tal como Conta-me Como Foi marcou uma geração da televisão portuguesa.

Bem-vindos a Beirais conta a história de uma pequena aldeia (fictícia) no interior de Portugal. A série segue a história de Diogo Almada, um bem sucedido gestor de contas numa empresa de telecomunicações que sofre problemas graves de stress e ansiedade, originados pela constante pressão em que vive e decide mudar-se para Beirais.  De uma forma bem-humorada, Beirais aborda as diferenças entre o interior e as grandes cidades, não esquecendo, contudo, as realidades mais duras e muito familiares a todos nós, como o desemprego, a desertificação ou até a solidão na terceira idade.

Ao longo de quatro temporadas somos transportados para o interior do país e ficamos a conhecer todas as personagens de maneira tão familiar que parece que estamos mesmo a viver em Beirais. Temos comédia, mas não só. O drama e a intriga, seja ela das relações pessoais ou políticas da aldeia, são uma constante em vários episódios.

Depois do regresso de Conta-me Como Foi, a possibilidade de voltar a trazer Beirais para os ecrãs dos portugueses é uma hipótese válida. Pelo menos, foi isso que o Diretor de Programas da RTP afirmou recentemente. Haja ou não um regresso, entra neste mundo e sê bem-vindo a Beirais.

 

4 – 3 Mulheres

Entramos agora nas mais recentes. Não é que as outras sejam antigas, mas a partir daqui serão produções dos últimos dois a três anos. 3 Mulheres é uma série feita através de biografias de Natália Correia (poetisa), Snu Abecassis (editora) e Vera Lagoa (pseudónimo jornalístico de Maria Amanda Falcão), que acompanha a vida destas três influentes mulheres no período final do Estado Novo, que vai desde o início da guerra colonial à véspera da Revolução do 25 de Abril.

Este é um claro exemplo de como uma boa interpretação pode fazer a diferença. Tanto Soraia Chaves, como Maria João Bastos ou Victoria Guerra colocam corpo e alma na interpretação destas personagens. Como se não bastasse serem personalidades marcantes, as atrizes que dão vida ao projeto conseguem elevar a qualidade com a sua interpretação.

Ainda não foi confirmada oficialmente, mas uma 2.ª temporada deverá estar para breve na RTP. Numa entrevista a um podcast, Soraia Chaves confirmou a existência de uma continuação desta série. Falta saber para quando.

 

5 – Madre Paula

É nas séries históricas que a RTP consegue demonstrar todo o seu potencial. Numa escala menor, mas temos que ter em conta a dimensão do nosso país e o mercado, consegue manter um nível equiparado ao de produções como a sua congénere BBC no Reino Unido.

Madre Paula é um destes exemplos. Estreou em 2017 e teve uma breve temporada, sendo que não é expectável que haja outra. Paula é uma rapariga humilde que é enviada pelo seu pai para um convento, visto que o pai não tinha possibilidade de a manter. Com algumas dificuldades iniciais, ela acaba por obedecer, mas não da maneira que o seu pai queria. Ela não dedica a sua vida a Deus, mas sim a D. João V. Paula torna-se sua amante e vive um amor forte e proibido com o rei de Portugal.

O que me leva a escolher esta série para esta lista são os cenários. Está tudo tão bem feito que parece que estamos mesmo a viver no século XVIII. Os atores também desempenham um papel importante e conseguem transmitir o caráter e a personalidade forte que tanto caracteriza as personagens principais.

 

6- Vidago Palace

Por fim, mas não menos importante, está Vidago Palace. Mais uma série histórica e do mesmo ano que Madre Paula.

Vidago Palace é uma coprodução da RTP com a TVG (Televisión de Galicia) e conta uma história de amor proibido entre Carlota Vimiero, filha de condes, e Pedro, empregado de hotel.  Em 1936, num contexto histórico onde se destacam os Jogos Olímpicos em Berlim e o rebentar da guerra civil espanhola ali mesmo ao lado, a história destas personagens vai desafiar conveniências sociais e os interesses das famílias.

Pode parecer cliché, mas não é. A série consegue tornar o que poderia ser uma história mais do mesmo numa das melhores produções históricas. O ambiente luxuoso do hotel ajuda a que tudo seja o mais fidedigno possível e traz um caráter muito interessante à produção.

 

Faltam aqui alguns clássicos da televisão pública, mas não podia escrever sobre todas as séries. São muito mais, mas estas são, sem dúvida, as minhas preferidas.

Diogo Alvo