Em Portugal, a maioria da produção ficcional de origem nacional são novelas, mas houve também, ao longo dos cerca de 60 anos desde a introdução da televisão no nosso país, inúmeras séries a serem produzidas e algumas das quais de alto valor, seja pela sua qualidade de realização e argumento, seja pelo valor simbólico ou pela importância que tiveram junto da população, marcando certas gerações.

Nesta rubrica compilámos aquelas que, para a equipa do Séries da TV, são as 11 melhores séries nacionais. A lista é dominada por produções da RTP, embora haja também títulos da TVI e SIC. Fora a lista abaixo, deixamos ainda menções honrosas para as produções Bocage, Uma Aventura e Ainda Bem que Apareceste.

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A Ferreirinha (2004)

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Lançada em 2004, a série criada por Moita Flores teve apenas treze episódios. Baseada em factos reais, a série acompanha a vida de D. Antónia Ferreira, uma mulher que, contrariando tudo e todos, mesmo os governos da altura, construiu um império relacionado com a produção e exportação de vinho do Porto. Caso não saibam, Ferreirinha foi o título atribuído pelos trabalhadores das suas quintas, e respetivas famílias, por se tratar de uma pessoa muito querida por estes. Como já perceberam, a série foi demasiado curta, pois a vida desta senhora merecia mais destaque na ficção nacional. No entanto, há que parabenizar a RTP por este projeto sobre uma das maiores personalidades femininas do nosso país.

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Aqui não há quem Viva (2006)

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Esta comédia da SIC tinha como cenário um prédio e focava-se no quotidiano dos seus habitantes, sem esquecer as importantes (e caricatas) reuniões de condóminos. Com um sem fim de nomes conhecidos da televisão portuguesa, como Nicolau Breyner (recentemente falecido), Diogo Morgado, Natalina José, Soraia Chaves e Maria João Abreu, entre outros, esta série proporcionava serões realmente divertidos. Havia personagens para todos os gostos: famílias, jovens casais (Diogo Morgado e Luís Gaspar interpretavam um casal gay), velhas solteironas e metediças. E o Emílio, não nos podemos esquecer do lingrinhas do Emílio! Alguns episódios eram mesmo de rir às gargalhadas!

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Bem-vindos a Beirais (2013)

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Mais uma série portuguesa de comédia, desta vez da RTP. Bem-vindos a Beirais foca-se na história de uma pequena aldeia (fictícia) no interior de Portugal. Aqui vemos o protagonista Diogo Almada (Pêpe Rapazote) a mudar-se para Beirais depois de ter sofrido de um ataque cardíaco devido à vida stressante que levava em Lisboa. Ele acaba por comprar uma estufa agrícola e decide ser gestor de campo. Com isto ele deixa a sua namorada Teresa (Sandra Santos) na capital e começa a aproximar-se de Clara (Oceana Basílio). Finalmente instalado na aldeia de Beirais, Diogo começa a conviver com os seus habitantes bastante caricatos. Temos de tudo nesta aldeia: o mecânico Manuel e a sua mulher Alzira, dona de um mini-mercado; os primos Joaquim Brito e Moisés Lameiras que são sócios de uma funerária que, coitados, nunca têm clientes porque nunca morre ninguém na aldeia; o locutor de rádio Carlos; a Sociedade Recreativa administrada pelos irmãos Xavier e Marina; os polícias Vítor e Júlio; o padre Justino que depois é substituído pelo jovem padre Luís, que deixa qualquer mulher a suspirar; o casal de emigrantes franceses, Alcides e Lucinda, que falam sempre com aquele sotaque francês misturado com português; e claro que não nos podíamos esquecer da cómica Dona Olga, a beata da aldeia que anda sempre atrás das últimas coscuvilhices, quer sempre participar nas atividades da igreja e tem uma paixão secreta pelo padre Justino (mas xiu, ninguém pode saber ou Deus ainda a irá castigar por tais pensamentos!). Ainda existem muitas mais personagens nesta série que representa a vida de uma típica aldeia portuguesa, fazendo com que mudemos o foco das típicas séries e novelas localizadas nas grandes cidades. A série terminou no dia 23 de março deste ano.

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Casos da Vida (2008)

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Sempre irreverente, a TVI surpreendeu-nos mais uma vez com uma série nacional de qualidade. Casos da vida relatava a cada episódio um tema diferente da atualidade e presente na vida dos portugueses. Aliás, todas as histórias relatadas eram verídicas e o canal abriu um espaço para os espectadores enviarem as suas histórias anonimamente. O elenco contava com nomes de luxo e alguns atores apareceram em mais do que uma história. Desde desemprego, pobreza, à violência doméstica e sexual, a série prendeu os portugueses. A sua popularidade foi rápida, o que levou a uma mudança dos previstos oito episódios iniciais e alargou-se para os 24 na primeira temporada e 13 na segunda.

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Conta-me Como Foi (2007)

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É claro que em Portugal não temos a mesma capacidade para criar ficção como acontece nos Estados Unidos e em Inglaterra, mas esta série é a prova viva de que aqui também se faz televisão de qualidade. Conta-me Como Foi passa-se durante o Regime do Estado Novo e centra-se nos Lopes, uma família típica da classe média. Pai, mãe, três filhos e uma avó constituem o núcleo principal da série, mas há muitas outras personagens. Além de abordar a vida familiar, acompanhamos também um pouco do que se passa no local de trabalho do patriarca e na escola de Carlitos, o caçula. No entanto, a série vive muito da época que retrata, abordando questões políticas, a ditadura e a luta de alguns para a deitar abaixo. Para quem viveu neste tempo, esta produção da RTP trará certamente muitas recordações. Para aqueles que, como nós, ainda não eram nascidos, ajuda a perceber como era a vida antes do 25 de Abril. Porque nós sempre soubemos como é viver em liberdade, mas outros não tiveram esse privilégio.

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Duarte e C.ª (1985)

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Estreada em 1985 na RTP, esta série relata as aventuras e desventuras de Duarte (Rui Mendes) e Tó (António Assunção), dois detetives privados. Recordar esta série remete de imediato para o genérico onde,« os protagonistas, juntamente com a secretária Joaninha, surgiam de pé num Citroën 2CV vermelho, a cantar, desafinados, o tema de abertura. Duarte, sempre com postura de fanfarrão, era o chefe, enquanto Tó era o ajudante, sempre de ar muito pachorrento, a aproveitar todos os momentos para ler o jornal desportivo. Joaninha, no fundo, funcionava como os músculos da equipa e isto porque, nesta série, as mulheres eram muito mais fortes e viravam qualquer um à estalada. Paralelamente à história principal, existia a disputa entre dois grupos rivais, sendo um liderado por Lúcifer (Guilherme Filipe) e o outro por Átila (Luís Vicente). A apoiar estes, estavam Rocha, Tino (que não podia ver sangue) e o Chinês. Revisitar estes episódios dificilmente trará uma recordação tão boa como a que ficou aquando da emissão original, pois o humor sem sentido e argumento desajeitado já não cabem nos dias de hoje. No entanto, todos relembrarão com saudade aqueles arraiais de pancada com que as mulheres brindavam os homens ou então o Chinês que, ao ser assim chamado, reclamava: “eu não sele chinês, eu sele japonês!”.

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Equador (2008)

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Baseada no romance com o mesmo nome de Miguel Sousa Tavares, Equador teve apenas uma temporada, exibida entre 2008 e 2009 na TVI. Com um elenco considerável, reunindo alguns dos maiores nomes portugueses da interpretação, Equador foi uma das séries mais arrojadas e dispendiosas de Portugal. Trata-se de uma série histórica, situada nos inícios do século XX, quando o rei D. Carlos nomeia Luís Bernardo como Governador de São Tomé e Príncipe. É em torno das aventuras e desventuras de Luís Bernardo neste arquipélago português (na altura) que são produzidos os 26 episódios da série. Temos então uma série que explora temas fraturantes do Portugal daquele período: a escravidão disfarçada, a influência dos produtores de cacau na economia portuguesa, a instabilidade política, entre muitos outros.

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Inspector Max (2004)

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A versão portuguesa de Rex, o Cão Polícia chegou por mãos da TVI e dava pelo nome de Inspector Max. Max, claro, é o protagonista da série. É graças à sua ajuda que Jorge Mendes, inspetor da Polícia Judiciária, consegue resolver muitos dos casos com que se depara. Jorge conta ainda com a ajuda do seu (outro) parceiro, Sérgio, que é também um bom amigo, e quando chega a casa pode sempre encontrar a sua família: dois filhos, um menino e uma rapariga, e o sogro. Há ainda a jornalista Júlia, sempre à espera de um ‘furo’ para publicar no jornal, mais uns quantos polícias, as chefes de Jorge (uma diferente em cada uma das duas temporadas) e o staff encarregue das provas. Pode não ser o mesmo que ver o Rex, mas é bom entretenimento para um serão leve de televisão em família, especialmente para quem tiver crianças.

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Liberdade 21 (2008)

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Liberdade 21 foi uma das apostas de modernização da produção ficcional portuguesa feitas pela RTP na última década. Possivelmente impulsionada pelo sucesso de Conta-me Como Foi, a série de advogados chega ao canal público em força, adoptando a técnica pouco ou nada usada em Portugal da “shaky camera”, à semelhança do filme Friday Night Lights e também encontrada em ER, para dar uma sensação quase documental e dinâmica às gravações, que tem a desvantagem de deixar a cabeça tonta aos espectadores mais nauseáveis. Seguindo o quotidiano de uma grande sociedade de advogados de Lisboa e centrada nos personagens Raúl Vasconcelos (António Capelo) e Helena Brito (Ana Nave), a série segue casos judiciais a cada episódio, que são baseados em casos verídicos acontecidos em Portugal. As duas temporadas de Liberdade 21 contaram ainda com nomes como Ivo Canelas, Rita Lello, Joaquim Horta e Albano Jerónimo no elenco.

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 Riscos (1997)

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Trata-se de uma série da década de 90 da RTP! Lançada entre 1997 e 1998, Riscos acompanhava os dramas e as alegrias de um grupo de jovens. A ação decorre sobretudo em torno das vivências relacionadas com a escola, o que permitiu adicionar atores adultos ao elenco. Considerada a mãe das séries juvenis, incluiu nomes como Alexandra Lencastre, Diogo Infante, Paula Neves, Margarida Marinho, Ana Zanatti, entre muitos outros. Acabou também por funcionar como catapulta de lançamento de vários atores mais jovens, embora alguns deles tenham acabado por abandonar a carreira na representação por motivos diversos.

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Terapia (2016)

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É a mais recente aposta da RTP em produções no formato de série e prima mais uma vez pela inovação. Baseada na série israelita BeTipul, Terapia segue a vida profissional e pessoal do psicoterapeuta Mário Magalhães (Virgílio Castelo) e de cinco dos seus pacientes ao longo das suas consultas de tratamento. Estes pacientes são a médica anestesista Laura (Soraia Chaves), Alexandre (Nuno Lopes), um atirador de elite do Grupo de Operações Especiais, Sofia (Catarina Rebelo) é uma adolescente de 16 anos que esteve envolvida num acidente rodoviário e o casal Jorge e Ana Velez (Filipe Duarte e Maria João Pinho) em problemas conjugais relacionados com a conceção. A série inova por misturar o conceito de um caso por semana caracterizador das séries, com o conceito de um episódio por dia tão típico das produções nacionais, apresentando-nos um episódio novo de segunda a sexta, sendo cada dia dedicado a um dos pacientes e a sexta dedicada à terapia do próprio terapeuta, com a participação especial de Ana Zannati como sua psicóloga. Os 45 episódios da primeira temporada estão disponíveis no RTP Play para quem ainda quiser ver.

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Beatriz Pinto, Cristiana Silva, Diana Sampaio, José Sampaio, Mélanie Costa e Rui André Pereira