Mais um ano prestes a chegar ao fim e muitas foram as apostas televisivas que deslumbraram os seriólicos, mas nem tudo foi um mar de rosas e muitas delas acabaram por se tornar uma verdadeira desilusão. Como tal, ganham também direito a uma menção honrosa (sem ordem especial, apenas alfabeticamente), resultando assim nas 10 Piores Estreias de 2019, segundo a equipa do Séries Da TV.

Abby’s: é uma comédia passada num bar não licenciado, em San Diego, com bons preços e umas certas regras peculiares, como por exemplo não ser permitido o uso de telemóveis. Este bar tem a particularidade de estar instalado no quintal da casa de Abby (Natalie Morales), a proprietária.

Porque é Abby’s uma das Piores Estreias do Ano?

As séries passadas em bares podem não ser uma completa novidade, mas Abby’s parecia trazer algo de fresco com a sua premissa. No entanto, não é preciso sequer muito tempo do episódio piloto para perceber que a nova comédia da NBC falha naquilo que se esperava: ter piada. Tal como muitas séries cómicas americanas, Abby’s comete o erro de usar piadas que não têm realmente graça e apoia-se num humor demasiado fácil que nunca consegue parecer natural. O elenco, em teoria, não deveria ser mau, mas não pode haver grandes milagres quando o argumento é fraco. Os risos da audiência como barulho de fundo também não ajudam.

Almost Family: a série conta a história de Julia (Brittany Snow), uma jovem cuja vida é virada do avesso quando o pai é acusado de, ao longo da sua carreira de médico especialista em fertilidade, ter usado o próprio esperma para conceber centenas de crianças. Assim, Julia conhece duas das suas irmãs, ao mesmo tempo que uma nova onda de irmãos surge na sua família em rápida expansão.

Porque é Almost Family uma das Piores Estreias do Ano?

De nomes que têm no currículo séries como Friday Night Lights e Parenthood, era esperado uma nova aposta com alma, até porque o trailer fazia pensar que poderíamos ter aqui algo de fofinho, um tipo de série agradável para ver em família, mas Almost Family acaba por se revelar uma verdadeira confusão. Não porque a série seja difícil de acompanhar, mas porque se desenvolve mais com uma novela – e das más. Não é fácil sentir uma ligação com as personagens, o enredo revela-se um tanto ou quanto absurdo demais e há uma tentativa falhada de trazer um certo tom cómico a um tema que, a ser bem explorado, se poderia ter revelado interessante, mas não foi.

BH90210: é um revival de Beverly Hills, 90210, focando-se nas vidas, romances e conflitos das personagens da série original, 19 anos depois, dando uma continuação às suas histórias.

Porque é BH90210 uma das Piores Estreias do Ano?

A série-mãe, Beverly Hills 90210, foi um sucesso na década de 90. Sim, na década de 90, o que quer dizer que a série tinha dois trabalhos difíceis: primeiro, explicar aos fãs originais porque é que o revival valia a pena e porque é que era boa ideia fazê-lo do ponto de vista dos atores e não dos seus personagens; segundo, conquistar novos fãs (eu, por exemplo, nem era nascida quando a série original começou). Tudo o que vimos foi uma cambada de atores que não conseguiram singrar no mundo difícil nem da televisão nem do cinema, o que depressa se entende porquê. Nenhum deles é propriamente um Al Pacino ou uma Meryl Streep. Repito: nenhum. Nem a nostalgia da série original nem a química dos atores resultaram. Histórias tontas, superciais e desinteressantes e maus atores levaram a série ao destino que já se esperava… o cancelamento.

Black Summer: é um spin-off de Z Nation centrado em Rose (Jaime King), uma mãe que atravessa uma América devastada por um apocalipse zombie, acompanhada por um pequeno grupo de sobreviventes, com a desesperada missão de encontrar a sua filha.

Porque é Black Summer uma das Piores Estreias do Ano?

No reinado de The Walking Dead, no que diz respeito a zombies, qualquer série que queira sobreviver a este género tem que fornecer algo de novo aos espectadores. Black Summer foi renovada para uma 2.ª temporada, o que significa que deve ter agradado a alguns subscritores da Netflix. Contudo, não foi capaz de convencer a equipa do Séries da TV. Apesar de conseguir transmitir a ansiedade do que seria viver num surto de zombies, a série foca-se quase exclusivamente em cenas intensas e acaba por falhar redondamente no desenvolvimento das personagens e na apresentação de um argumento interessante. Outro aspecto negativo é o facto de não se perceber porque é que a série foi divulgada como uma prequela/spin-off de Z Nation se a única coisa em comum que têm é o apocalipse zombie, dando a entender que este ponto foi apenas uma questão de marketing.

NOS4A2: conta a história de Vic McQueen (Ashleigh Cummings), uma jovem artista que descobre que tem uma habilidade sobrenatural capaz de localizar Charlie Manx (Zachary Quinto), um vilão aparentemente imortal que se alimenta das almas de crianças, depositando o que delas sobra em Christmasland, uma aldeia natalícia onde é sempre Natal e a infelicidade não é permitida. Contudo, ao usar as suas habilidades, Vic é consumida pouco a pouco, tendo de controlar-se para não perder a sua alma, numa batalha em que a missão é resgatar todas as vítimas de Manx.

Porque é NOS4A2 uma das Piores Estreias do Ano?

A série tinha tudo para ser um sucesso, a começar pelo livro bastante bem escrito que tem por trás, mas deixou-se ficar pelo “tinha tudo”. NOS4A2 não arrisca, preferindo manter-se num nível neutro, nem muito forte, nem muito ligeiro, de modo a conseguir prender o público em geral. A série precisava de ser mais ambiciosa e explorar a fundo e sem pudor as emoções de Vic McQueen, assim como o ambiente em que a personagem vive. Até a cena em que Vic tem de arranjar forma de sair da casa em chamas, que é uma das mais claustrofóbicas do livro, foi uma desilusão. A série é apenas mais uma adaptação televisiva nada bem conseguida e que não faz jus ao livro.

Roswell, New Mexico: é um reboot de Roswell, centrado em Liz Ortecho (Jeanine Mason), a filha de imigrantes ilegais que regressa à sua terra natal, Roswell, descobrindo a verdade sobre a sua paixão de adolescente, agora um polícia (Nathan Parsons): ele é um extraterrestre que escondeu os poderes a vida toda.

Porque é Roswell, New Mexico uma das Piores Estreias do Ano?

Este reboot está longe de ter o sucesso da série original, que já não era fantástica, mas satisfez o desejo dos fãs de ficção científica, com a fraca oferta que existia na altura. Mesmo assim, esta nova versão consegue manter a ideia da série mãe, entregando uma história atual e incluindo temas relevantes como o problema da imigração ilegal nos Estados Unidos da América. O principal problema de Roswell, New Mexico é o facto de ser emitida pela The CW, um canal com um público alvo exclusivo, o que faz com que apresente certos elementos habituais nas séries do canal, como por exemplo os triângulos amorosos desnecessários – neste caso conseguiram incluir dois. No fundo, Roswell, New Mexico é mais um exemplo do erro em despejar reboots e remakes de séries do passado, em vez de se focarem em material novo e original.

Sistas: segue um grupo de mulheres negras que se unem devido a serem solteiras, explorando as suas vidas amorosas, carreiras e amizades, através dos altos e baixos de viver no mundo moderno das redes sociais e das expectativas irrealistas sobre o amor.

Porque é Sistas uma das Piores Estreias do Ano?

Ainda que pareça ter boas intenções, Sistas não passa disso. O que poderia ser um drama que explora um grupo de mulheres negras enquanto se ajudam na descoberta das suas carreiras e vidas amorosas, acaba por se tornar apenas num conceito muito antiquado de mulheres que necessitam de um homem para serem felizes, sem terem mais nenhum traço de personalidade sólido. A isto acresce a péssima qualidade de edição de imagem e som que acaba por ser associada a uma produção low-budget. Todo o tom da série assemelha-me mais a uma novela.

The Enemy Within: é um thriller de espionagem centrado em Erica Shepherd (Jennifer Carpenter), uma brilhante ex-agente da CIA, agora conhecida como a maior traidora na história do serviço militar da América, que está presa numa prisão de alta segurança. Contra todos os seus valores, mas sem outra alternativa, um agente do FBI, Will Keaton (Morris Chestunt), recruta Shepherd para o ajudar a localizar um perigoso e esquivo criminoso que ela conhece bastante bem.

Porque é The Enemy Within uma das Piores Estreias do Ano?

A premissa da série até pode ser interessante, mas The Enemy Within é uma desilusão desde o primeiro episódio. Depois de brilhar em Dexter, Jennifer Carpenter não consegue ser convincente como protagonista, sendo que o restante elenco também não se destaca. O enredo tem um desenrolar previsível, com grandes semelhanças a outras séries (The Blacklist, por exemplo), aliado à desvantagem de conter várias incoerências na sua continuidade. Não é de admirar que a série tenha sido cancelada precocemente.

The Fix: segue Maya Travis (Robin Tunney), uma advogada do distrito de Los Angeles que sofre uma derrota devastadora depois de acusar um ator famoso de duplo homicídio. Com a sua carreira a descarrilar, Maya muda-se para Washington para levar uma vida mais calma. Oito anos depois, quando o mesmo ator é suspeito de outro homicídio, Maya é chamada de volta a Los Angeles para uma segunda oportunidade.

Porque é The Fix uma das Piores Estreias do Ano?

O primeiro passo em falso de The Fix acaba por acontecer antes da própria estreia e tem a ver com o facto de esta aposta ser mais uma num universo que já viu imensas séries de advogados. Começa a haver uma certa saturação, tal como acontece com as séries médicas e policiais, e a verdade é que The Fix acaba por não se destacar em nada. Para quem está familiarizado com o julgamento de O. J. Simpson, não será difícil fazer comparações entre a realidade e este enredo, ainda para mais quando Marcia Clark, a advogada de acusação do antigo jogador de futebol americano, é uma das criadoras da série. O argumento não convence, o conceito não é original e a protagonista, interpretada por Robin Tunney, que já teve alguns bom papéis na carreira, também não conquista. Nem sequer há muito aquela curiosidade para descobrir o que vai acontecer, porque a série dá mesmo aquela sensação de “eu já conheço esta história”.

The I-Land: é uma minissérie centrada em dez pessoas que acordam numa ilha deserta, sem memória de quem são ou de como chegaram até lá e rapidamente percebem que nada é o que parece.

Porque é The I-Land uma das Piores Estreias do Ano?

Talvez tenha sido o facto de hoje em dia já existirem demasiadas séries com o conceito “survivor“, ou talvez tenha ficado na sombra de Lost, uma das melhores séries sobre seres humanos numa ilha perdida que não sabem como lá chegaram, ou aquém de séries que envolvem o trabalho em conjunto para sobreviver. Desde atores que deixam a desejar com as suas prestações e uma história que parecia não se desenvolver, The I-Land é uma série fraca, com pouco argumento e fraca capacidade de envolver o público no drama. Podia ter sido um conceito muito interessante, mas esta mistura de Lost com The Walking Dead e Altered Carbon não deu em absolutamente qualquer resultado positivo. Para além de que os personagens Bonnie e Clyde criam vergonha alheia de tão desadequados que são.

 

E para ti, quais as piores estreias de 2019? Consulta ainda o TOP das 10 Melhores Estreias de 2019.

Equipa Séries da TV