Já aqui se falaram de tantos temas relacionados com o mundo das séries e alguns deles já foram mais do que explorados, que até parece inacreditável não se ter falado de outros. O que é que pode ser mais óbvio do que falarmos sobre os nossos géneros favoritos de séries e aqueles de que fugimos a sete pés?

De uma forma um bocado redutora, as séries dividem-se em duas categorias principais: drama e comédia. São estas as duas grandes categorias dos principais prémios do mundo da televisão, mas é claro que há muitas mais subcategorias, especialmente do lado dramático, como fantasia, policiais, thrillers ou ficção científica, entre muitos outros.

Eu sempre tive um grande fraquinho por dramas. Quer seja na literatura, na televisão ou no cinema, é o meu género one_tree_hillde eleição, sem qualquer espécie de dúvida. Histórias como as de Parenthood, Friday Night Lights ou One Tree Hill, que são sobre pessoas e as relações entre elas são as minhas favoritas. Estas duas últimas podem ser dramas de adolescentes, para além de estarem intrinsecamente ligadas ao tema do desporto, mas a alma de cada uma dela está em coisas como o espírito de equipa, os laços de amizade e familiares – mesmo que se trate da família que escolhemos e não daquela em que nascemos – e o sentido de pertença. São histórias que marcam, que nos deixam colados ao ecrã porque aprendemos a preocupar-nos com aqueles personagens quase como se de pessoas reais se tratassem. Se me fizerem chorar nuns momentos e rir noutros ainda melhor. Fala-se muito em comfort food e se houvesse um equivalente dessa expressão no que respeita a séries, estas três séries enquadrar-se-iam na perfeição, bem como Downton Abbey, Call the Midwife e Everwood.

Depois, também adoro aquilo a que a maioria das pessoas chama “dramas pesados”. Histórias emocionalmente devastadoras, como a de The Handmaid’s Tale e Un Village Français, que nos deixam a refletir sobre uma infinidade de coisas que estão mal no mundo. A primeira pode ser um trabalho de ficção, mas nãothe-handmaids-tale é difícil estabelecer paralelos entre coisas que já aconteceram e a ascensão dos extremismos um pouco por todo o lado. Como mulher, a realidade de The Handmaid’s Tale é especialmente difícil de digerir. Gosto de ser dona da minha própria vida e não consigo imaginar um mundo em que ler e escrever é um crime; onde as mulheres são destituídas dos seus bens, sem a possibilidade de terem uma casa sua, um carro ou dinheiro no banco; onde tomar a pílula ou usar outros métodos de contraceção é também um crime, ainda para mais punível com a morte, mas a violação institucionalizada pelo regime é vista como patriótica, para assegurar a natalidade. É uma realidade terrível, quase inconcebível para nós que vivemos no Ocidente, mas não é assim que vivem ainda muitas mulheres em vários países do mundo?

Já fora das minhas grandes eleitas, mas ainda bem dentro das minhas preferências, estão as séries médicas e de advogados. O meu fascínio por dramas médicos começou ainda em miúda, com ER, continuou com Hospital Central e House, M.D. e intensificou-se largamente com Grey’s Anatomy e Private Practice. KELLY MCCREARY, SARA RODRIGUEZ, LANCE GROSSSou uma rapariga de letras que nunca gostou muito de disciplinas como Ciências e Físico-Química e seria incapaz de ter um trabalho ligado a uma área científica, mas há qualquer coisa na medicina que me fascina. Acho que proporciona boas histórias e como não tenho quaisquer conhecimentos na área não posso apontar erros ao que se passa no ecrã. Se bem que há sempre coisas que parecem demasiado mirabolantes para serem verdade! Também longe de mim ter desejos de ser advogada – tenho uma amiga que o é e parece, de facto, muito aborrecido -, mas os dramas em tribunal são excitantes, muito centrados numa retórica de apelar à emoção e convencer o júri da história que está a ser contada ou, então, desconstruir a história que está a ser contada do outro lado. A 1.ª temporada de American Crime Story foi magistral nesse sentido, mas também adorei Shark, The Good Wife e Proven Innocent.

good-behavior-pilotPara terminar com os meus géneros favoritos – antes de passar para aqueles de que gosto só um bocadinho – também adoro aquelas séries de ritmo rápido, como Prison Break (ignorando o regresso da série em 2017, porque nem é digno de menção), Good Behavior e Harper’s Island. Há sempre alguma coisa a acontecer, respostas à espera de serem respondidas e uma ansiedade grande em relação ao próximo episódio. Não tenho muita paciências para aquelas séries em que estamos uma temporada à espera de um grande acontecimento, mas até lá o ritmo parece estagnado.

Quanto aos policiais, durante muito tempo, considerei-me uma fã, mas acho que o género foi explorado de forma tão exaustiva que não há nenhuma série nova deste género que tenha vontade de espreitar. Tudo me parecem imitações baratas ou pequenas variações de histórias que já foram contadas. Blue Bloods e Law & Order: SVU são bastante boas, mas acho que são a exceção no mar de um género que já não traz nada de novo.

Também já perdi a paciência para a generalidade dos dramas de adolescentes. Parecem um desfile de eventos que nunca poderiam acontecer na vida de miúdos normais. Pelo menos, eu e os meus colegas do liceu não nos envolvemos com professores, não estivemos envolvidos em grandes triângulos amorosos nem andámos a esconder dos nossos pais coisas maradas como homicídios ou outros dramas do género. Nem sequer saíamos de casa à noite, à vontade.

E as comédias? Não posso dizer que não aprecio, mas aquelas de que realmente gosto são muito poucas. Há Friends, The Goldbergs, Mom e pouco mais. friends_brad-pittMuitas outras servem perfeitamente para entreter durante umas tardes de preguiça no sofá, mas as que valem mesmo a pena contam-se pelos dedos. Estas mais recentes que a ABC, a CBS e a NBC lançam todos os anos costumam ser uma desgraça. Piadas sem qualquer piada, tudo muito forçado, personagens estereotipadas ou já mais do que vistas, formatos pouco originais… Muitas delas não passam do ano de estreia e não é de admirar. Já há muitos anos que não consigo ver mais do que meia dúzia de episódios de uma comédia nova.

Do lado oposto, dos géneros de que menos gosto, estão a fantasia, o terror e a ficção científica. Este último não aprecio mesmo nada, mas há algumas exceções como Once Upon a Time do lado da fantasia e algumas temamerican-horror-story-cultporadas de American Horror Story do lado do terror. Poderia estar aqui o dia inteiro a pensar sobre isso e mesmo assim acho que não conseguiria enumerar meia dúzia de produtos de ficção destes três géneros de que tivesse gostado mesmo. Gosto de histórias que tenham mais a ver com a realidade do nosso mundo (não que não haja terror nele, basta ver o Telejornal, mas é diferente!). Também nunca senti por super-heróis o mesmo fascínio que grande parte das pessoas parece ter. Muito fantasioso! Gosto bastante de Jessica Jones e já vi alguns filmes, tanto da Marvel como da DC, mas não sinto qualquer ligação a este mundo e a maioria consegue mesmo entediar-me. Provavelmente já adormeci a ver algum filme antigo do Superman que o meu irmão se lembrou de me pôr a ver na esperança de que pudesse partilhar dos gostos dele…

Já em pequena, o género de coisas de que gostava e não gostava, aparte a maturidade dos conteúdos, tinha muito a ver com os meus gostos de hoje. Sinto que a idade me tornou mais exigente, mas que não mudou realmente aquilo que aprecio. Quanto a vocês, quais são os vossos géneros de eleição e aqueles de que não gostam mesmo nada?

Diana Sampaio