Pela quantidade de crónicas que já aqui dedicámos aos mais variados casais das séries, seria de julgar que já tivéssemos esgotado o tema, mas a verdade é que ainda não foi desta que se disse tudo o que havia para dizer. Para além do mais, hoje celebra-se o Dia dos Namorados, portanto não podíamos deixar a data passar ao lado. Assim sendo, esta crónica é dedicada àqueles casais das séries que têm uma química incrível que passa para este lado do ecrã. Felizes para sempre ou não, ninguém lhes pode retirar o mérito por aquilo que foram juntos.

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Shelagh e Patrick Turner (Call the Midwife): Não é por acaso que muitos dos parzinhos desta crónica são casados, com relações estáveis. Sempre me agradou a solidez de um casal numa série, em oposição a dramas constantes típicos de quem não sabe o que quer ou com quem quer estar. É claro que essa estabilidade, à partida, é mais fácil de encontrar em pessoas com 40 anos do que em miúdos em idade do liceu ou a entrarem na fase adulta. Shelagh e Patrick não estão juntos há muito tempo, mas a sua relação é daquelas que vale a pena acompanhar. Ela era freira, trabalhava como enfermeira e parteira, e Patrick é o médico de confiança da Nonnatus House, para a qual Shelagh trabalhava e onde vivia. Aos poucos fomo-nos apercebendo de que os dois tinham sentimentos a crescerem um pelo outro. O único obstáculo não se prendia apenas com o facto de Shelagh ser freira, mas também com a diferença de idades entre os dois. No entanto, algumas temporadas depois disso, já quase parece impossível recordarmo-nos de uma altura em que eles não estivessem juntos.

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Tom e Lynette Scavo (Desperate Housewives): Já lá vão tantos anos desde que Desperate Housewives estreou e alguns desde que terminou; tantos que já não há muito de que me recorde, para ser sincera. No entanto, há coisas que não se esquecem e vou sempre recordar Tom e Lynette como o meu casal preferido da trama. Numa série repleta de segredos, de traições, de imprevistos, estes dois eram a única coisa fiável. Nem sempre estavam de acordo em relação à educação dos filhos, mas havia algo de muito genuíno e terno na relação deles, ainda para mais quando todos os outros casais eram uma confusão. É certo que as coisas nem sempre foram perfeitas, mas também não têm de o ser. A certa altura deixei de ver a série, quando voltei a apanhar alguns episódios eles já não estavam juntos e não sei como acabou a história, mas para mim serão sempre o melhor casal de Wisteria Lane.

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Eric e Tami Taylor (Friday Night Lights): Que saudades! Friday Night Lights é daquelas séries especiais que ficam connosco para sempre e há que confessar que Eric e Tami eram uma parte importante dessa magia. Se eu me quisesse casar algum dia, eles seriam o tipo de casal a reter como exemplo. A sua relação roça o nível de perfeição e sabem manter o equilíbrio certo entre ser um casal apaixonado, mas sem cair em exageros. A dinâmica deles enquanto casal é muito interessante, têm piada e sabem fazer sacrifícios um pelo outro. Não exagero quando digo que são um dos casais mais credíveis e com mais química do mundo das séries.

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Melinda Gordon e Jim Clancy (Ghost Whisperer): Há que dar o devido crédito a um homem que acredita em nós quando lhe dizemos que conseguimos ver pessoas mortas e falar com elas. Nem todos seriam capaz de acreditar, mas no mundo da ficção tudo é possível. Ghost Whisperer está longe de ser das minhas séries preferidas, mas sempre admirei a relação que Melinda e Jim tinham: muito unidos, apoiavam-se sempre um no outro, Jim era o ‘rochedo’ de Melinda, a pessoa com quem ela podia falar sobre o seu estranho dom. Além disso, lidar com espíritos nem sempre era fácil, houve vezes em que Melinda se viu em situações assustadoras, mas Jim esteve sempre lá para ela e, mesmo que preocupado, nunca quis que ela abdicasse de ser quem era, mesmo que as suas vidas pudessem ter sido muito mais simples dessa forma. É o que se pode pedir de uma boa relação, aceitar a pessoa como ela é, sem a querer moldar ou mudar.

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Henry Burton e Teddy Altman (Grey’s Anatomy): A maioria dos fãs de Grey’s Anatomy comoveu-se especialmente com o romance entre Izzie e Denny, mas enquanto eles não me disseram muito, outro parzinho formado por uma médica e um paciente tornou-se dos meus preferidos da série. Henry e Teddy conheceram-se por acaso e fizeram tudo ao contrário: primeiro casaram-se, mas só depois formaram uma relação e se apaixonaram. Achei uma delícia desde o início que Teddy se tenha casado com Henry para ele poder ter um seguro de saúde e ser devidamente tratado. Só que era óbvio desde aí que teria de surgir algo mais entre eles. Primeiro começaram por passar tempo como amigos, enquanto se riam os dois dos falhados com quem Teddy tinha encontros. Henry apaixonou-se primeiro, mas Teddy acabou por perceber que aquilo que sentia por ele era também bem mais do que amizade e preocupação de médica. Os dois tiveram umas das mais bonitas histórias da série e só tenho pena que o final deles tenha sido amargo.

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Phil e Claire Dunphy (Modern Family): Ainda estou para perceber como é que um tipo que fazia parte de uma claque conseguiu conquistar Claire. Pelo que sabemos de Phil, ele não podia ser muito mais cromo do que aquilo que é e, bem, não seria de imaginar que uma mulher forte como Claire se apaixonasse por alguém tão diferente. No entanto, é certamente verdade que os opostos se atraem, pelo menos a julgar por estes dois. Para mim são, desde o início, o casal mais convincente de Modern Family. Ao vê-los interpretar marido e mulher sinto que combinam mesmo bem um com o outro e que fazem uma dupla perfeita: ela mais disciplinadora e séria, ele o mais brincalhão e descontraído no que aos filhos diz respeito. Adoro especialmente quando os dois se lembram de brincar, fingindo serem dois estranhos que se encontram num bar de hotel. É engraçado ver duas pessoas juntas há tantos anos a tentar manter a relação interessante.

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Wendy e Shane Healy (Lipstick Jungle): Também já se passaram muitos anos desde Lipstick Jungle (quase dez) e as recordações já não são muitas, mas gostava muito destes dois. Também não havia muito quem pudesse competir com eles para melhor casal da série, mas não era preciso ter um ponto de comparação para ver que Wendy e Shane tinham um casamento especial. Estavam juntos há muito tempo, tinham dois filhos, mas a relação dos dois continuava a ser sexy. Houve alguns problemas pelo meio, a sombra de pessoas exteriores ao casamento, mas numa série nem tudo pode ser um mar de rosas.

Prison Break Kiss

Michael Scofield e Sara Tancredi (Prison Break): Michael e Sara ainda não se conheciam muito bem quando se apaixonaram, mas o sentimento estava lá e mesmo sendo quase estranhos um para o outro, fizeram sacrifícios. Sara ajudou Michael a fugir da prisão, foi torturada para que revelasse informações sobre o paradeiro dele… A verdade é que no meio disto tudo não houve muito tempo para construírem uma relação da mesma forma que a maioria dos casais consegue. No entanto, a expectativa de uma vida normal, onde não tivessem de fugir, era o que tornava a história deles diferente e especial. Torci pelo romance deles desde cedo, na prisão, e para que se reunissem em liberdade, mesmo que não fosse para sempre. Não vamos é falar do revival da série, que nem merece ser mencionado!

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Cooper Freedman e Charlotte King (Private Practice): Cooper era um tipo engraçado, imaturo, mulherengo, mas de bom coração. Charlotte tinha um mau humor crónico, era uma mulher forte e independente, vista como detestável pela maioria daqueles que se cruzaram com ela. No entanto, cada um deles é bastante mais do que aquilo que as primeiras impressões transparecem e se parecia impossível que a ‘dura’ Charlotte pudesse ‘amolecer’ um bocadinho e que Cooper passasse a agir como um adulto e não como um miúdo mimado, a verdade é que não foi assim tão difícil ver neles uma mudança. É claro que foi gradual, mas os dois cresceram tanto como personagens, como casal também, e cada momento desse percurso foi delicioso de se ver: as zangas, as picardias engraçadas e amigáveis, a gravidez. E houve drama: a violação de Charlotte, a morte da mãe de Mason, o passado de Charlotte a vir à tona… Superaram tudo e serão sempre o melhor casal de Private Practice. De longe!

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Stef e Lena Adams Foster (The Fosters): Já falei tanto de casais LGBT noutras crónicas que só me tinha ficado a faltar dedicar umas linhas a Stef e Lena. Foram elas e a sua relação que me fizeram interessar pela série e emocionar-me. Comparando com outras relações bem mais tempestuosas entre casais de lésbicas, estas duas têm uma relação que é um sonho. Cometeram erros, é certo, mas nada de imperdoável, nada de verdadeiramente estúpido (acusações obviamente dirigidas a Callie e Arizona; Piper e Alex; Bette e Tina) que não pudessem ultrapassar. Acho que Stef e Lena têm uma relação muito real e que, apesar de não ser perfeita, é muito bonita e pura. Aquilo que construíram é um retrato muito interessante daquilo que uma família pode e deve ser: cheia de amor e aceitação, sem olhar a laços de sangue, cor de pele ou orientação sexual. Uma verdadeira família moderna!

This is Us - Mandy Moore and Milo Ventimiglia
Rebecca e Jack Pearson (This Is Us)
: Costuma-se dizer que o melhor se guarda para o fim ou que os últimos são sempre os primeiros e, neste caso, sem descurar ninguém, acredito piamente que é verdade. Jack e Rebecca tornaram-se rapidamente um dos casais favoritos de milhões de seriólicos e a razão é bem simples: retratam o que é viver a vida. Não são um casal perfeito, até porque perfeito ninguém o é, mas se já são bons individualmente, roçam a tal perfeição no momento em que se unem pelos seus. Jack, que apesar dos problemas com o álcool, é aquele super-pai que todos gostariam de ter e Rebecca é aquela super-mãe que mesmo colocando alguns travões, que por vezes a leva a que seja a má da fita, ama incondicionalmente os filhos e venera o seu marido. Os desafios diários são uma realidade,  e aqui não é exceção, a diferença é que se tornam num só para os resolver, ao invés de cada um puxar para o seu lado, tornando-os um casal imbatível em todos os pontos de vista, onde o amor e união indescritível reina sobre qualquer outro fator que possa fazer abalar a relação.

Diana Sampaio (com um pequeno contributo de Ricardo Santos)