Há séries que quando acabam deixam saudades, outras nem por isso. Se tiverem um final realmente conclusivo, para mim é fácil lidar com o seu fim (a não ser que seja mesmo daquelas muito especiais), mas nem sempre é tão fácil despedir-me de certos personagens. Até porque, muitas das vezes, quando as séries começam a prolongar-se por demasiados anos, são aqueles personagens especiais que me mantêm colada ao ecrã. Assim sendo, esta crónica é uma homenagem aos personagens que me deixam com saudades, mesmo que as séries de alguns deles já não tivessem esse efeito em mim. [Nota: deixei de fora os meus preferidos e preferidas, sobre os quais já tinha escrito, para não estar a repetir-me].

Crosby Braverman

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Normalmente, os meus personagens preferidos são mulheres, mas, como todas as regras, também esta tem uma exceção. Crosby não é exatamente o típico bad boy de quem eu gosto, mas suponho que se possa incluir numa categoria alargada do termo, pelo menos o Crosby do início de Parenthood. A par da irmã Julia, Crosby era, indubitavelmente, o meu preferido da série. Não chega ao estatuto de paixoneta minha, mas andou lá perto (até tinha cabelo comprido e tudo!). Se, no início, Crosby foi estabelecido como o menino ‘rebelde’ dos filhos Braverman, um tipo algo irresponsável e pouco dado a compromissos, a verdade é que isso é uma pequena parte do personagem e que até é colocada um pouco de parte quando Jasmine e Jabbar aparecem na sua vida. Gostei muito da relação que Crosby estabeleceu com o filho, mesmo que não tivesse sabido da sua existência nos primeiros anos de vida. Aliás, não era apenas com Jabbar que Crosby tinha uma boa relação, mas com todos os membros da família no geral. Ele não era perfeito, por isso também não esperava que os outros o fossem e não julgava. É uma boa característica!

Gabrielle Solis

Gabrielle Solis

Desperate Housewives foi uma das primeiras séries que segui com real interesse, ainda antes de esta minha paixão ter atingido o seu auge. Parte devia-se às personagens, muito especificamente a Gaby e, em especial, à Gaby das primeiras temporadas. Sim, a Gaby fútil, egoísta e traidora não é o que de melhor se pode esperar de alguém, mas como produto televisivo resulta sempre bem e a verdade é que nas temporadas seguintes senti falta dessa Gaby. A Gabrielle mais ‘adulta’, mãe, não tinha a mesma piada. Geez, nem me consigo habituar ao facto de que aquela mulher teve mesmo filhas! Gaby era imensamente divertida, sempre com um comentário maldoso na ponta da língua, e que me deixa com saudades dos bons velhos tempos de Desperate Housewives.

Kate Beckett

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Quando, já lá vai bastante tempo, fiz uma lista com as minhas dez personagens favoritas da televisão foi a muito custo que deixei Beckett de fora. Sempre gostei de tudo na personagem: da maneira de ser, da história do seu passado, do sentido de humor, da maneira como lidava com as coisas, até da maneira de vestir (e eu não costumo reparar nisso, sinceramente!). Desde pequena que gosto de ver mulheres fortes na televisão e Beckett é uma lutadora, mas, como todas as pessoas, tem um lado mais vulnerável que a torna muito humana e com o qual é fácil identificarmo-nos. Confesso que a certa altura já acompanhava Castle mais por hábito do que por vontade de continuar, mas a verdade é que foi o facto de gostar tanto de Beckett que me prendeu à série por mais tempo. A certa altura acabei mesmo por deixar de ver a série e só voltei a pegar nela para ver o episódio final que, aliás, foi uma desilusão brutal. Para mim, Stana Katic e Kate Beckett foram sempre as verdadeiras estrelas do policial e fico satisfeita por a ABC ter optado pelo cancelamento em vez de ter continuado sem uma das suas personagens mais importantes.

Landry Clarke

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Friday Night Lights tinha uma série de personagens extraordinárias, mas Landry é especial. E não, ele não é um bad boy. Para dizer a verdade, ele é dos melhores tipos que alguém poderia conhecer, um bom amigo, um bom colega de equipa, daquelas pessoas com quem é possível contar sempre, nos bons e nos maus momentos. A natureza de Landry é boa, boa demais, suscetível até a que se possam aproveitar dele. Landry não é o rapaz mais giro de Dillon, mas tem um bom coração, é inteligente, engraçado, leal, tem uma banda (embora um bocado má) e é geek, algo que eu, como nerd das séries, muito aprecio. Bolas, agora fiquei mesmo com vontade de rever Friday Night Lights!

Lisa Cuddy

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Eu adorava House MD, mas eram poucos os personagens da série de quem gostava, sendo Cuddy e Thirteen as exceções, embora Cuddy tenha sido sempre a minha preferida, não fosse ela também uma mulher forte, mas também com as suas fragilidades, e a única pessoa que conseguia impor alguns limites a House, embora muitas vezes se ficasse pela tentativa. A única coisa que me desagradava em Cuddy era o quanto ela permitia que House a afetasse e a rebaixasse e a sua inocência ao pensar que poderia mudá-lo para melhor, quando aquele homem vive sob o princípio de que toda a gente mente e de que ninguém é capaz de mudar. Foi com muita pena que vi Cuddy ausentar-se da temporada final da série, mas penso que de outra forma não teria feito sentido em termos de narrativa.

Nico Reilly

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Deparei-me com Lipstick Jungle precisamente na altura em que as séries se tornaram uma parte muito importante da minha vida e Nico foi uma das primeiras personagens cujos dramas vivi com intensidade. Nico fez carreira no mundo editorial e, para não quebrar a tradição, também ela é uma personagem forte com certo lado mais vulnerável. Do trio de amigas, Nico foi sempre a minha preferida, talvez por ser a mais independente. Nico parecia ser aquele tipo de pessoa que tem tudo sempre controlado, mas a verdade é que a vida dela era uma confusão em muitos aspetos e que a sua vida pessoal era pautada por muitas inseguranças, o que fazia dela uma personagem mais interessante.

Robin Scherbatsky

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Robin não é uma mulher girly, é engraçada, sarcástica, independente, um espírito livre e, ainda por cima, tinha uma carreira no mundo do jornalismo, a área que eu estudava na altura em que a série estava em emissão. É certo que Robin teve a sua quota parte de relações, mas, ao contrário de muitas das personagens femininas que se veem na televisão, ela não tinha como objetivo de vida casar e ter uma família. Robin é uma personagem com quem foi sempre fácil identificar-me e que não parece um estereótipo criado pela sociedade sobre aquilo que uma mulher deve ser. Só tenho a apontar a Robin o quanto foi irritante a quantidade de vezes que podia ter ficado logo com Ted e não ficou para, no final, terem acabado juntos. Mas é melhor nem começar a pensar no final de How I Met Your Mother porque, tantos anos depois, ainda o tenho entalado! Tão entalado que nunca mais fui capaz de voltar a ver a série. É pena que o final me tenha estragado a viagem completa porque sem dúvida que seria engraçado voltar a recordar alguns dos momentos do grupo e, em especial, de Robin.

Quem são aqueles personagens do mundo das séries de quem sentem mais saudades?