É sempre difícil aguardar um ano por uma série! Há maneiras de matar saudades: atacar as temporadas anteriores, espreitar vídeos no YouTube, ver outras séries e filmes que tenham os mesmos atores no elenco, mas é claro que nada substitui novos episódios. Como as saudades são muitas, decidimos homenagear Orange Is the New Black – enquanto o dia 9 de junho não chega – compilando aqueles que consideramos serem os momentos mais marcantes da série.

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A saga da Galinha de Red (01×05): A mítica galinha da prisão de Litchfield proporciona um dos arcos mais cómicos da 1.ª temporada e vai sendo mencionada várias vezes ao longo da série. O destaque principal acontece logo no episódio 5, quando Piper avista uma galinha dentro da prisão. Contando o sucedido a Red, ela ouve a história da mítica galinha “mais esperta que todas as outras galinhas” e que Red sonha em apanhar para fazer um verdadeiro Frango à Kiev, com uma galinha a sério. A galinha é depois também avistada por Joe Caputo, mas à parte destes três, nunca mais ninguém viu a galinha, pelo que a sua existência é posta em causa por praticamente todos. No episódio 5, o avistamento por parte de Piper dá origem a uma busca por toda a prisão pela galinha, pois diz o rumor que dentro dela existem rebuçados, ou uma arma, ou drogas, dependendo da versão. É das nossas partes favoritas da primeira temporada e tínhamos que começar por ela!

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Alex vai presa novamente depois de Piper a denunciar (02×13): A relação de Piper e Alex está longe de ser normal e Piper mudou muito desde que está na prisão. Digam o que disserem, por muito apaixonada que esteja por Alex, Piper já provou que não deixa que os sentimentos tomem conta dela. Piper pode ter querido proteger Alex ao fazer com que ela fosse novamente para a prisão, uma vez que Kubra foi solto e provavelmente andaria atrás dela, mas, ao denunciá-la, Piper estava a garantir que a namorada não poderia fugir. Piper precisa de Alex, precisa de sentir que a tem ao lado dela quando precisa e quando Alex revelou os seus medos e falou em sair da cidade, mesmo que isso significasse salvar-se, Piper sentiu-se abandonada e interferiu, servindo-se dos amigos no exterior para denunciar Alex por violação da liberdade condicional ao encontrar-se na posse de uma arma. Até porque, se pensarmos bem, seria muito mais fácil para Kubra livrar-se de Alex na prisão como, aliás, se constatou.

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Miss Rosa, às portas da morte, foge da cadeia e mata Vee (02×13): A história de Miss Rosa, e especialmente o seu final, é das melhores partes da 2.ª temporada da série. Desde os flashbacks da sua juventude, às idas dela aos tratamentos, a quando faz o miúdo roubar por ela, são representações fortes de uma aceitação do fim de um ciclo que Miss Rosa nos vai fazendo entender. Mas aquele momento final é, sem dúvida, o ponto forte da história dela. Quando Lorna lhe entrega a carrinha para fugir e ter aquele último momento de liberdade, dizendo “Não morra aqui, Miss Rosa. Faça-o à sua maneira”, nós acabamos por partilhar um pouco daquele momento de ultimate freedom que espelha a cara de Rosa. E depois, que melhor última ação do que o “embate” fatal com Vee? É caso para dizer que cada um tem o que merece.

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Nicky é enviada para a prisão de segurança máxima (03×03): Nicky tem uma grande dependência de drogas, mas durante uns tempos foi capaz de se manter na linha, graças ao apoio de Red e da restante ‘família’ na prisão. E foi precisamente por causa da droga que Nicky foi enviada para uma prisão de máxima segurança. Bem, por isso e porque Luschek a traiu! Os dois tinham heroína escondida e quando a informação se espalhou e chegou aos ouvidos de Caputo, este foi vasculhar as coisas de Luschek. Para se livrar de culpas, o guarda atira a responsabilidade para cima de Nicky e ela acaba por ser levada de Litchfield, sob os olhares incrédulos de Red e Morello. Isto acaba por ser um duro golpe para Nicky, que não parece nunca ter acreditado que valia alguma coisa, mesmo que agora tenha pessoas que a amem. Para ela, este revés parece ser uma confirmação de que aquilo que sente em relação a quem é tem uma razão de ser e que de facto não é merecedora do amor de Red e Morello e que está condenada a ser uma falhada.

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Pennsatucky é violada pelo guarda Coates (03×10): Pennsatucky passa a ser a condutora da carrinha da prisão depois de Morello ser afastada do cargo. É nessas saídas de Litchfield que a detida estabelece uma relação de amizade com um dos guardas, Charlie Coates. No entanto, apesar de Coates ao início parecer um tipo porreiro, rapidamente prova que é um estafermo do pior ao aproveitar-se de Pennsatucky. Coates abusa sexualmente dela, humilha-a de maneiras inimagináveis e ainda magoa mais porque Penn confiava nele e pensou que gostasse dela. Estaria sozinha a enfrentar tudo aquilo não fosse Big Boo ter-se apercebido de que algo de errado se passava. Uma amizade improvável que cresce e que mostra que, na prisão, aquelas mulheres só podem contar umas com as outras.

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Sophia é espancada e levada para a solitária “para sua própria proteção” (03×12): A questão da transexualidade é apenas um dos tantos assuntos para os quais Orange is The New Black tenta chamar a atenção, a compreensão e, acima de tudo, a representação e aceitação. Sophia é o peão usado para abordar as problemáticas ainda muito tabu que envolvem transexuais. São muitas as cenas ao longo das várias temporadas que representam os diversos problemas que estas pessoas sofrem ao longo da sua vida, mas a cena da solitária demonstra o problema da falta de entendimento, que é sem dúvida a base de todos os problemas de discriminação. Sophia é espancada por um grupo de reclusas que começam a questionar o seu género com altercações como: “O meu marido está a passar tempos muito difíceis numa prisão para homens enquanto tu vens para aqui a fingir que és mulher”. Ela posteriormente ameaça processar a prisão pela incapacidade dos guardas em impedirem a sua agressão, acabando por ser enviada para a solitária com o pretexto, errado, de que é para sua própria proteção. Um arco difícil e profundo que dá origem a uma das mais complicadas fases para Sophia na prisão de Litchfield.

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“Fuga” das inmates todas para o lago (03×13): É o final da 3.ª temporada e uma literal lufada de ar fresco! Após tantos problemas e realidades duras com que Orange is The New Black lida durante 13 episódios, chega aquele momento de verdadeira paz para as nossas ‘heroínas’. É um momento que partilha de um sentimento semelhante ao do episódio de natal da primeira temporada, de união e simplicidade. Mas mais forte que esse, a fuga das reclusas para o lago é um momento de pura inocência. Em vez de se preocuparem em tentar fugir a sério da prisão, a única preocupação delas é aproveitar aquele momento de liberdade, brincando no lago. Sem precisar de um grande clifhanger dramático, este final de temporada conseguiu ser dos melhores pela sua simplicidade e pureza.

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Piper é marcada a ferro quente com a suástica (04×07):  Já era óbvio há muito tempo que Piper parecia inebriada com o poder que conquistou na cadeia e que as suas mostras de superioridade e arrogância não poderiam durar muito tempo e que alguém acabaria por lhe dar uma lição. Mas sempre imaginei que essa lição seria uma sova que lhe deixaria o nariz a deitar sangue ou qualquer coisa semelhante. Não defendo as ações de Piper até aqui (ela caminhou em terrenos perigosos), mas condeno a forma que as dominicanas arranjaram de se vingarem dela. Piper não é nazi, é só uma idiota que deixou as coisas descontrolarem-se até um ponto em que realmente dá a ideia de que pode ser uma simpatizante da causa da supremacia branca. Então é precisamente com uma suástica que Ruiz e as amigas decidem marcá-la como se fosse gado. Com um ferro escaldado, desenham o símbolo nazi na pele de Piper. A cena é arrebatadora, o choro de Piper é de partir o coração e o castigo infligido demasiado cruel.

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Momento Clube dos Poetas Mortos e Morte da Poussey (04×12): Se há episódio marcante é este! Nenhum seguidor da série vai algum dia esquecer a morte de Poussey. Inesperado, ridículo até, mas sem dúvida, do mais emocionante que qualquer série já nos proporcionou. Se Pornstache era o guarda mais odiado na 1.ª e 2.ª temporadas, Piscatella veio concorrer ao pódio na quarta. Numa tentativa de revolta contra a sua agressividade e abuso de poder contra Red, as reclusas revoltam-se num protesto pacífico que lembra em muito a cena do filme Clube dos Poetas Mortos, com todas elas a subirem para cima das mesas em apoio conjunto. Numa tentativa de desbandar as reclusas, a mando dele, Bayley acaba por provocar acidentalmente a morte de Poussey. Não há palavras para descrever o choque e tristeza do momento, por isso, deixamos aqui apenas o vídeo da cena em questão.

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Daya aponta a arma ao guarda Humphrey (04×13): Quando as reclusas descobrem que Caputo não vai fazer nada em relação à morte de Poussey, começam um motim na prisão, correndo pelos corredores. Ao aperceber-se que Humphrey ia pegar na arma, Maritza empurra-o, o que faz com que ele deixe cair a arma, e Daya apodera-se da pistola. Resta saber o que Daya vai então fazer, mas esta cena é poderosa porque significa um inverter da situação. Se dantes eram os guardas que detinham todo o poder, agora o poder está do lado das inmates e, em particular, de Daya. Amigas de Poussey ou não, todas se sentem revoltadas com sua a morte injusta e, como o acontecimento ficou impune, talvez decidam usar Humphrey para enviar a mensagem de que, juntas, podem fazer a diferença.

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Tens mais momentos marcantes a adicionar à lista?

Diana Sampaio e Mélanie Costa