Sim, é verdade, aqui na equipa gostamos muito de crónicas sobre casais das séries. Muita tinta já correu sobre o tema, mas faltava-me falar sobre os meus favoritos e como o Dia dos Namorados se celebrou esta semana, aproveitei a ocasião. Uma das minhas colegas já tinha falado aqui sobre os seus eleitos, mas eu trago uma nova lista, com casais muito diferentes e por quem torci muito. Nem todos tiveram um final feliz ou ficaram juntos, mas nem por isso deixaram de me marcar tanto. Aqui estão eles, sem qualquer ordem específica de preferência:

Burt e Virginia Chance [Raising Hope]

RAISING HOPE: Virginia (Martha Plimpton, L) and Burt (Garret Dillahunt, R) hunt an aggressive squirrel in the "Squeak Means Squeak" episode of RAISING HOPE airing Tuesday, Dec. 4 (8:00-8:30 PM ET/PT) on FOX. ©2012 Fox Broadcasting Co. CR: Ray Mickshaw/FOX

A estes dois ninguém tira o lugar de casal mais divertido da lista e também dificilmente alguém poderá competir com eles como pais mais doidos. Juntos desde muito adolescentes, nem sempre a relação foi um mar de rosas. Tiveram um filho muito novos e a maturidade nunca foi o forte deles. Só que isto é informação que nos chega através dos flashbacks que vão havendo em Raising Hope, já que, na altura em que a série se desenrola, Burt e Virginia são aquilo a que se pode chamar um casal sólido. Apoiam as maluqueiras um do outro (e acreditem que são muitas), Burt sabe como acalmar Virginia e apesar de estarem juntos há muito tempo nunca se tornaram aborrecidos e têm uma maneira engraçada e pouco lame de expressarem o amor que têm um pelo outro.

Callie Torres e Arizona Robbins [Grey’s Anatomy]

185479_344833172269040_1095573166_n

Quem acompanha as reviews de Grey’s Anatomy aqui no site sabe o quanto me importei com Callie e Arizona. Não há nenhum casal por quem tenha torcido tanto ou com quem tenha sofrido como com estas as duas. Elas tinham aquele tipo de relação capaz de fazer pensar: o amor é isto! Tiveram vários altos e baixos, terminaram a relação quando Callie queria ter filhos e Arizona não; depois voltaram a separar-se quando Arizona foi para África, mas sempre considerei que aquilo que faziam o faziam por amor à outra, mesmo que fossem decisões difíceis de tomar. Elas eram o meu casal perfeito e depois o acidente de avião mudou tudo. Não imediatamente, mas foi o início do fim. A certa altura parecia que já não sabiam lidar uma com a outra, tanta coisa aconteceu que acabaram por se magoar mutuamente. Foi uma espécie de bola de neve e a certa altura pareciam completamente perdidas. O amor estava lá, mas deixara de ser o suficiente. Eu, que tanto tinha torcido por elas, achei que era preferível separarem-se antes que as coisas se tornassem ainda piores. Aquilo que elas tiveram em tempos nunca poderia ser apagado, mas podia ficar ‘manchado’ com a dor do que se seguiu. Elas eram meant to be e nunca vou conseguir ultrapassar o rumo que as coisas tomaram e que separaram duas pessoas que se amavam daquela maneira.

Chuck Charles e Ned [Pushing Daisies]

pushing_daisies_ned_chuck

Chuck e Ned têm, provavelmente, o amor mais puro da história das séries. Devido a circunstâncias que ultrapassam a vontade dos dois, não se podem tocar nunca ou Chuck morre. A sua história começou ainda em crianças, quando eram amigos e vizinhos, e apesar de terem passado cerca de vinte anos sem se verem ou saberem um do outro nunca se esqueceram. É certo que o facto de não se poderem beijar diretamente (um plástico serve) ou de não poderem dar as mãos sem luvas é um obstáculo, mas a verdade é que, ainda assim, têm uma relação invejável. É ‘palpável’ o quanto se amam de uma forma tão terna, como se nunca tivessem perdido a inocência dos seus sentimentos durante a infância. Mesmo quando se trata de questões de vida ou de morte (literalmente), os dois são sempre capazes de resolver as coisas pelo melhor.

Cora e Robert Crawley [Downton Abbey]

downton_abbey_cora_robert

Enquanto a maioria dos fãs de Downton Abbey torcia por Mary e Matthew ou por Sybil e Tom, eu sempre torci pelo casal mais velho. Cora e Robert tiveram o típico casamento de conveniência da época (a família dela tinha o dinheiro e a dele o título), mas acabaram por se apaixonar e acho que é impossível não nos apercebermos da forma como olham um para o outro e daqueles pequenos gestos que parecem não ter muita importância, mas têm. São um casal sólido e eu aprecio isso, embora nas séries a tendência seja, muitas vezes, dramatizar tudo. E houve algum drama, nomeadamente quando Sybil morreu, já que os dois tiveram opiniões divergentes acerca do que fazer para a tentar salvar. Foi tão triste que naquele momento em que mais precisavam um do outro se tenham afastado, mas acontece ao melhor dos casais. Numa altura em que não era esperado que as pessoas exprimissem muito os seus sentimentos (em especial quando se trata de ingleses), Cora e Robert tinham uma ligação especial, que se estendia também à sua relação com as filhas. No entanto, o meu momento preferido do casal foi quando o adorável cão de Robert estava a morrer e os dois o ladearam na cama para o bichinho não morrer sozinho.

Joel Graham e Julia Braverman-Graham [Parenthood]

Joel_and_Julia_Parenthood

Parenthood era uma série muito centrada nas relações humanas, com bons casais, mas Joel e Julia foram sempre os meus preferidos. Há que apreciar um casal tão equilibrado em que ela trabalha e ele toma conta da filha e cada um deles valoriza o outro pelo seu papel no casamento. À filha biológica que tinham juntou-se um menino e a família ficou ainda mais completa. Depois, durante muito tempo, por falta de oportunidade, deixei de ver a série. Já depois de ter terminado, retomei as duas temporadas que tinha em atraso e qual não foi a minha surpresa quando outro dos meus casais perfeitos (acho que isto coincidiu com o ano em que Callie e Arizona terminaram definitivamente) não tardou a desfazer-se. As coisas correram tão mal e tão depressa e a separação foi dolorosa para os miúdos, mas também foi muito difícil ver o sofrimento pelo qual os dois estavam, claramente, a passar. Estava tão perto do final da série e eles continuavam sem se entender que perdi as esperanças de que voltassem a ficar juntos. Não devia, porque Parenthood é, de facto, uma série de finais felizes capaz de nos deixar com um sorriso no rosto. Julia e Joel tiveram o final que mereciam e ainda aumentaram a família.

Lily van der Woodsen e Rufus Humphrey [Gossip Girl]

lily_rufus_gossipgirl

Lily e Rufus foram, sem dúvida, a minha parte preferida de Gossip Girl! Em teoria os dois não tinham nada em comum, sendo Lily uma mulher habituada ao luxo e Rufus um homem simples. No entanto, a história dos dois é antiga e remonta aos anos finais da adolescência de Lily. Na altura, Rufus tinha uma banda e Lily acompanhou-o como fotógrafa, só que engravidou e optou por não lhe contar, decidindo antes afastar-se. Tenho a confessar que gosto bastante destas histórias de casais que se reencontram 15 ou 20 anos depois e retomam a relação. Pode ser um pouco cliché, mas nalguns casos – e neste em específico – funciona bem, até porque alguma bagagem emocional acaba por ser interessante. Sempre achei que os dois tinham uma química tão boa que, já que não acabaram juntos, dei por mim a desejar que a sua relação passasse do ecrã para a realidade.

Nico Reilly e Kirby Atwood [Lipstick Jungle]

"Chapter 13: The Lyin', the Bitch and the Wardrobe"

Quando Nico descobriu que o marido tinha arranjado uma amante, uma mulher bem mais nova que ele, era óbvio que o casamento não tinha pernas para andar. Quando Nico conheceu Kirby, um rapaz mais novo, atraente e que lhe deu a atenção que não recebia do marido, envolveu-se num romance com ele. Aquilo que começou como um caso divertido não tardou muito a tornar-se em algo mais. No entanto, a certa altura, as coisas mudaram. Acho que a diferença de idades dos dois e, consequentemente, a forma como encaravam a vida e os seus objetivos acabaram por criar um abismo entre eles difícil de resolver. O final da série deixou as coisas um pouco em aberto, mas sempre achei que realmente o futuro não se avizinhava promissor. Kirby foi aquilo de que Nico precisou numa altura em que se sentia sozinha, mas talvez tenha sido exatamente isso. A verdade é que nem todos os casais podem ficar juntos e há que saber reconhecer a altura para colocar um ponto final em tudo.

Nomi Marks e Amanita Caplan [Sense8]

nomi-e-amanita_sense8

Sense8 não é nada o meu género de série, mas gostei tanto de Nomi e Amanita desde o início que decidi ir além dos primeiros episódios e foram elas que me fizeram continuar a ver até ao fim da 1.ª temporada. É raro haver um casal lésbico na televisão que não esteja sempre envolto em drama, mas Nomi e Amanita são diferentes de todos os clichés habituais. O amor entre as duas é mais do que óbvio, seja por palavras, seja pela confiança que têm uma na outra e pela forma como se protegem. Uma única temporada foi o suficiente para trazer alguns dos que considero serem os momentos mais bonitos da televisão entre casais, nomeadamente quando Amanita conseguiu tirar Nomi do hospital, evitando que a operassem, e as duas se abraçaram quando já iam em fuga. Fiquei tão feliz por terem conseguido ultrapassar aquela provação e por Nomi estar em segurança nos braços da pessoa que ama e que a ama a ela! Antes de Amanita, Nomi nunca se tinha sentido verdadeiramente compreendida, amada ou protegida e espero muito seriamente que a relação entre elas continue a ser o que foi até aqui. Para recordar deixo ainda a icónica declaração que Amanita fez a Nomi: “From the instant my lips touched these two lips, I realized one of the most important lessons of my life, impossibility is a kiss away from reality.” Se tivesse feito esta lista por ordem de preferência elas ficariam seguramente com o primeiro lugar.

Piper Chapman e Alex Vause [Orange Is the New Black]

Alex-Piper-orange-is-the-new-black-35506830-1271-710

Este é o tipo de relação pela qual só se pode torcer na ficção porque ninguém, no seu juízo perfeito, quereria um relacionamento como o de Alex e Piper. Quer dizer, Piper foi parar à cadeia porque Alex a denunciou, mas Piper também já retribuiu o favor quando Alex estava em liberdade condicional, fazendo-a voltar para a prisão. A quantidade de coisas lixadas que já fizeram uma à outra provavelmente dava para encher um rolo de papel higiénico, mas essa parece ser precisamente a dinâmica da relação. Piper disse uma vez a Alex: “I love you and I fucking hate you” e isso parece resumir as coisas. No entanto, se fazem muitas coisas imperdoáveis uma à outra, a verdade é que tudo isso acaba por ser perdoado. Em Litchfield parecem ter reencontrado o caminho de volta para uma relação que claramente nenhuma das duas tinha ultrapassado completamente. Odeiam-se e amam-se com a mesma intensidade e quase vale a pena vê-las chatearem-se ou afastarem-se para depois resolverem tudo e trazerem momentos divertidos e sexy como poucos casais são capazes. Com elas não há um único momento aborrecido e para mim Orange Is the New Black não seria a mesma coisa sem elas.

Snow White e Prince Charming [Once Upon a Time]

onceuponatime_snow_charming

Termino a crónica com um casal que nem sempre suscitou em mim o mesmo sentimento. Ao início, considerava Snow e Charming (não os consigo tratar pelos seus nomes de Storybrooke) um casal demasiado ‘certinho’ e algo aborrecido, mas numa série em que coisa alguma é um dado adquirido, o meu carinho pelos Charming cresceu à medida que desisti de torcer por Belle e Rumple. Snow e Charming são quase o casal perfeito. Mesmo quando discordam um do outro arranjam sempre uma forma de chegar a um meio-termo e não deixam, em momento algum, lugar para dúvidas em relação ao amor que têm um pelo outro. Eles são a prova de que há sempre uma maneira de fazer as coisas resultarem, mesmo que para um estar acordado o outro tenha que estar a dormir. Não sou a maior fã dos imensos flashbacks passados na Floresta Encantada, mas quando estão relacionados com estes dois há sempre um novo pormenor que acrescenta mais ‘magia’ à sua história e que ajuda a cimentar a força da sua relação. Seja em que situação for, eles vão sempre encontrar-se um ao outro, por muitas sleeping curses e perdas de memória que haja.

.

Diana Sampaio