Eu costumo dizer que não gosto de fantasia e que as minhas excepções a esta regra são os livros do Harry Potter e Once Upon a Time, mas depois de ter visto Pushing Daisies tive de me render à originalidade e candura da série. A premissa é simples: Ned é um homem que tem a capacidade de ressuscitar os mortos tocando-lhes, mas depois de ressuscitados não pode voltar a tocar-lhes, senão ficam mortos para sempre. Aliás, tudo é muito bem explicado por um narrador (algo não muito frequente em séries, mas que, neste caso, funciona de forma perfeita), que estabelece logo ali como funciona o ‘poder’ de Ned: quando alguém é ressuscitado, outra pessoa tem de morrer em seu lugar, como uma espécie de equilíbrio do universo.

Ned faz tartes (é apelidado de The Pie Maker) e, nas horas vagas, faz dupla com Emerson Cod, um detetive privado, na resolução de crimes. É aqui que a habilidade de Ned faz jeito, já que ele ressuscita os mortos e tem a oportunidade de falar com eles durante um minuto (nem mais um segundo, se não alguém terá que morrer) para tentar perceber o que sucedeu. No entanto, muito sinceramente, esta parte é a menos apelativa da série para mim. Alguns casos são engraçados, mas no geral são um pouco absurdos demais e até ligeiramente aborrecidos, mas tudo o resto compensa e a verdade é que ainda não vos contei tudo sobre a premissa da série: Ned traz Charlotte, a paixão de infância que nunca esqueceu, Charlotte ‘Chuck’ Charles, de volta à vida. Contudo, amar alguém sem lhe poder tocar não é fácil, mas a verdade é que Ned e Chuck mostram que as coisas podem funcionar. A pele dos dois não se pode tocar, mas isso não implica que não possam dar as mãos com luvas ou beijarem-se se houver um plástico pelo meio. A sério, eles são o parzinho mais adorável de sempre da televisão!

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Dei por mim dividida entre o desejo de que os limites do poder de Ned pudessem ser quebrados de alguma forma para que ele e Chuck pudessem finalmente tocar-se (pele com pele) e o querer que a série respeitasse a mais básica das suas regras (coisa que a maior parte das séries de fantasia não faz, já que tudo é possível de contornar, mesmo que antes parecesse impossível). Contudo, é óbvio que não vou contar-vos o que acontece aqui! Chuck e Ned não funcionam bem apenas como casal, individualmente são também personagens muito interessantes. Ela genuinamente doce (e não é por causa das tartes), ele muito protetor, mas não de uma forma primitiva ou machista.

Outro ponto forte da série é Olive Snook, interpretada pela fantástica Kristin Chenoweth, que é a responsável pelos momentos mais cómicos de Pushing Daisies. Kristin é uma atriz muito carismática e dá tudo o que é preciso para que a sua Olive funcione na perfeição, principalmente na química que tem com os personagens com quem contracena mais frequentemente: Ned, Chuck, Vivian, Lily e Emerson.

Só que isto tudo não teria a mesma magia sem os belos cenários coloridos nem sem os flashbacks que, para além de deliciosos de ver, são pertinentes e relevantes para compreender melhor os personagens e a própria história. Não corro o risco de exagerar ao dizer que considerei Pushing Daisies uma série mágica! Esta não é uma série com grandes pretensões de complexidade, mas com uma visão muito terna ensina-nos a valorizar aquilo que temos de mais importante, mostrando que nem todas as séries precisam de uma grande carga dramática para emocionar. Além disso, é daquelas séries que podem perfeitamente ver com os miúdos. Sinto-me genuinamente contente por ter fugido um bocadinho ao meu género de séries e assim ter assim conhecido esta tão mágica!

Diana Sampaio